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Cristãos algarvios adoraram a Cristo na Eucaristia, pedido-Lhe vocações consagradas

Mais de um milhar de fiéis, vindos de Aljezur a Vila Real de Santo António, de Lagos a Tavira, convergiram para a igreja de São Pedro, em Faro, para a Vigília de Encerramento do Lausperene Diocesano. Ao longo destes últimos 15 dias, a diocese algarvia, através das comunidades algarvias que a constituem, correspondeu às orientações do seu Programa de Pastoral que propunha a «Eucaristia e as Vocações de Consagração como centro congregador de todas as acções e iniciativas realizadas». Através deste Lausperene agora terminado, os cristãos algarvios procuraram unir numa única iniciativa estas duas vertentes: adorar a Jesus Cristo, presente na Eucaristia, ao mesmo tempo que Lhe rezavam, pedindo pelas Vocações de Consagração. Tendo começado com a adoração Eucarística na igreja de São Pedro, a celebração, na ausência do Bispo diocesano presente em Roma no Congresso dos Bispos da Europa e da África, foi presidida pelo padre Mário de Sousa, reitor do Seminário Diocesano, e contou com a presença de inúmeros sacerdotes, vindos de todo o Algarve, bem como de alguns diáconos da diocese. Após a primeira parte, os cristãos algarvios partiram em procissão Eucarística pelas ruas de Faro até à Catedral. Acompanhando e louvando o Santíssimo Sacramento com cânticos e orações, os muitos fiéis presentes integraram-se na caminhada até à Igreja-mãe da diocese e transformaram as artérias que unem a igreja matriz de Faro à Sé num autêntico “mar” de gente e de luz. Crianças, jovens, adultos e idosos, famílias, leigos, religiosas, diáconos, seminaristas e sacerdotes, todos testemunharam a sua fé no Senhor presente na Eucaristia. À entrada na Catedral, todos fizeram memória da sua vocação baptismal, benzendo-se com água.Lá dentro, o espaço interior da Sé conseguiu a todos acolher. Entre os muitos presentes, a participação dos inúmeros jovens, destacou-se pela animação da Vigília com leituras, cânticos e momentos simbólicos. Referência merece ainda a presença de um grupo de cerca de 50 acólitos rapazes que tendo estado, durante o dia, a participar no Encontro de Acólitos realizado no Seminário Diocesano quizeram também associar-se a esta celebração. Na sua homilia, particularmente dirigida e interpelativa para os jovens rapazes presentes, o padre Mário de Sousa referiu-se à experiência do Lausperene vivido na diocese algarvia. «Foi o momento de saborear este Pão, descido do Céu e o momento de implorar d’Aquele que é o único Pastor da Igreja que nos envie jovens generosos, algarvios de coração aberto, sincero e humilde, que sejam capazes de dizer: “Senhor, se precisas de mim, aqui estou. Senhor, se a minha comunidade não pode celebrar a Eucaristia porque não há padres, aqui estou eu, com a minha debilidade, os meus defeitos, mas aqui estou eu com o coração aberto para ser moldado e formado por ti”» – afirmou o reitor do Seminário Diocesano. E precisamente na condição de reitor do Seminário, o padre Mário de Sousa, manifestou à assembleia o seu agradecimento pela presença de todos. «Não pela presença, mas por aquilo que ela significa. O amor que tendes pelo Seminário que é o coração da nossa diocese. O carinho que nutris por cada um dos nossos seminaristas» – clarificou o sacerdote. Dirigindo-se à assembleia, o padre Mário de Sousa fez uma analogia às leituras escutadas. «Se não temos vocações, se não há sacerdotes é porque, se calhar, ainda não fizémos esta experiência dos discípulos de Emaús» – considerou, recordando a experiência vivida pelos discípulos a caminho de Emaús, que «é na Eucaristia que nós nos encontramos verdadeiramente com o Senhor». «Acredito que, se não temos mais vocações no nosso Algarve, é porque ainda não nos ardeu o coração como a estes dois discípulos, porque ainda não nos encontrámos verdadeiramente no amor de Deus, que transforma e faz com que sejamos capazes de vencer os nossos medos, as nossas inibições, os nossos egoísmos e de lhe dizer. “Senhor, aqui estou. Faz de mim o que quizeres porque a minha Igreja, a minha família precisa de mim”» – afirmou. Manifestando esperança e convicção de que volvidos estes 15 dias, «nada fique igual», afirmou o padre Mário de Sousa: «acredito firmemente que a experiência de intimidade que fizemos com o Senhor no Santíssimo Sacramento nos há-de abrir o coração para que, alimentados por Ele, tenhamos a força para caminhar, para nos erguer e dizer à nossa Igreja diocesana: “Aqui estou para vos servir, porque nunca quer que falte à minha família o Pão Sagrado que nos alimenta, fortalece e encaminha”». A terminar, o reitor do Seminário diocesano, interpelou de forma directa e emotiva os jovens rapazes presentes. «Temos 13 padres com menos de 60 anos. Que significa isto daqui a algum tempo? Não vos incomoda jovens do Algarve? Não vos interpela que a vossa Igreja possa ficar sem poder celebrar a Eucaristia? Os vossos medos são assim tão grandes que não tenhais a coragem de dizer: “Senhor aceita-me, aqui estou. Envia-me!”. A vossa experiência de Deus e do amor que Deus vos tem é assim tão fraca que não podeis dizer: “Senhor, eu estou disposto a renunciar a tanta coisa, porque experimentei na minha vida o teu amor e quero te amar assim, como um amor semelhante. Aqui me tens, a minha vida, as minhas qualidades, tudo aquilo que sou. Ajuda-me, molda-me, forma-me e envia-me”» – apelou, acrescentado: «O Senhor hoje chama-vos a vós, não aos que ficaram em casa. A Igreja do Algarve grita por vós e não por aqueles que aqui não estão. Precisamos de vós, da vossa generosidade. Nós, a Igreja do Algarve, imploramos que tinhais a coragem de olhar olhos nos olhos com este Cristo ressuscitado, de fazer a experiência do seu amor, e de lhe dizer: “Aqui estou, enviai-me!”». Outro dos momentos significativos da celebração constituiram os testemunhos protagonizados pelo padre Luís Gonzaga e pelo seminarista Flávio Martins. Testemunho da comunidade de Odiáxere A notícia chegou de surpresa: um Lausperene na nossa Diocese, durante 15 dias!Depois de explicado o sentido do termo Lausperene, o rosto das pessoas sorriu porque na nossa paróquia já é habitual a adoração do SS. Sacramento, só que, o horário que nos foi atribuído era extremamente incómodo. Que fazer, se temos medo de andar na rua altas horas da noite; se ao amanhecer, muitos de nós temos o trabalho à nossa espera? Que a ideia é boa, lá isso é, mas da 1 hora até às 5 horas da madrugada, é muito inconveniente para os nossos hábitos. Mesmo assim não desanimamos. Organizamo-nos por zonas, de tal forma que em cada hora houvesse um pequeno grupo em adoração, com a certeza da presença de uma irmã Franciscana Missionária de Maria da nossa comunidade, para nos ajudar e acompanhar. E foi mesmo assim, só que em vez de em cada hora um grupo, toda a gente estava na igreja à uma hora da madrugada. O ambiente era tão bom; sentimos mesmo a presença de Jesus Eucaristia a tocar o nosso coração e a nossa vida com a sua Palavra, o seu Espírito, o canto, as preces, o silêncio… tudo, implorando ao Senhor o dom de vocações sacerdotais para a nossa Diocese; o dom de pastores segundo o coração de Deus. Sentimos a responsabilidade do saber que o nosso seminário está fechado por falta de jovens que escutem o apelo do Senhor e, por isso, não tivemos nem medo, nem sono, nem cansaço… Foi assim que cerca de 30 pessoas estiveram diante do SS. Sacramento exposto, durante 4 horas, na madrugada do dia 3 de Novembro. No final, as expressões eram claras: – Que noite maravilhosa! – Por onde passou o tempo? – Não dei por conta que o tempo passasse. Que o Senhor aceite o sacrifício e a oração deste povo simples e generoso e nos dê muitos e santos sacerdotes. Irmã Alcinda, FMM

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