Seguindo a oração, preparada este ano pelos cristãos da Coreia sob o tema “Serão um só, na tua mão” (Ez 37,17), os membros das principais confissões cristãs presentes no Algarve começaram por salientar o objectivo daquele encontro ecuménico. “Reunimo-nos aqui para pedir perdão pelo escândalo da nossa desunião e pela nossa incapacidade de ser embaixadores da reconciliação no mundo”, reconheceram, interrogando sobre quais os “caminhos de conversão pessoal e eclesial” a percorrer para “chegar à plena comunhão com Cristo”. “Pedimos unidade, mas nem sempre estamos dispostos a reconciliar-nos”, lamentava-se no rito penitencial, pedindo a Deus: “faz-nos instrumentos da tua reconciliação”. Após a liturgia da Palavra, os representantes de cada Igreja presente dirigiram à assembleia presente, que encheu por completo a recém restaurada igreja de Portimão, uma breves palavras. O pastor Georg Welker, da Igreja Evangélica Alemã (Luterana), lembrou que Jesus, antes de morrer, apelou à união na terra. “Disse-nos para sermos irmãos, de forma a continuarmos o seu trabalho”, sublinhou em alemão aquele responsável. Por outro lado, lembrou que “há diferentes caminhos mas a meta é a mesma e só uma”. “É positivo haver diferentes caminhos, mas temos de perceber que se estivermos unidos em Deus, estaremos unidos no fim da nossa caminhada”, complementou. O padre Haynes Hubbard, da Igreja Anglicana, destacou a vontade de Jesus de que fossemos “unidos e um só, como Deus é um só”. O sacerdote, que veio acompanhado pelo padre John Wilson, dirigiu-se à assembleia em inglês e salientou a “humildade” como aspecto fundamental para se alcançar a unidade. O pastor Mário Ribeiro, da Igreja Evangélica Baptista, agradeceu pelo facto de poderem os cristãos do Algarve estar juntos para saudar ao mesmo Deus, comum entre todos. “Queremos dar ao mundo um sinal de que estamos juntos na mesma fé e no mesmo Deus, mesmo considerando a diversidade que nos afecta”, observou, considerando que “Cristo é o ponto de partida para ser possível a unidade entre os cristãos”. “Só no amor de Cristo será possível a unidade. Só permanecendo em Cristo, na sua palavra e no seu amor poderemos encontrar o caminho da unidade”, concluiu. O padre Ioan Gherbovetchi, da Igreja Ortodoxa, frisou outra condição para a desejada unidade. “Para sermos irmãos em Cristo, temos de ser primeiro irmãos entre nós. Se somos o corpo de Cristo, sendo Ele a cabeça, não podemos viver separados”, constatou, sublinhando que “todas a confissões cristãs devem formar uma só Igreja”. “Tenho confiança de que não irá demorar muito tempo para que o desejo de Cristo se concretize, para que possamos ver uma Igreja unida”, acrescentou. O padre Joaquim Nunes, representante da Igreja Católica, lançou um olhar sobre aquela iniciativa de oração a partir das três virtudes: fé, esperança e caridade. O sacerdote destacou haver “uma só fé em Cristo que se fala em diversas línguas, e se expressa através de sinais que, embora diferentes, não são contraditórios entre si”. “É uma única esperança, a da certeza na unidade que há-de acontecer segundo a vontade de Deus”, acrescentou ainda, considerando existir igualmente uma “caridade autêntica de irmãos, sem máscaras, que contagia a humanidade inteira”. “È esta caridade da união que pode levar mais longe o testemunho de Jesus Cristo”, sustentou. A celebração, animada com cânticos de Taizé pelo grupo de jovens do concelho de Aljezur, teve continuidade com algumas intercessões a Deus. Os cristãos pediram pelas suas comunidades, para que reconheçam mutuamente a dignidade do seu Baptismo, pelos seus dirigentes e responsáveis e para que as Igrejas cristãs “possam sentar-se à mesma Mesa” (entenda-se Altar) e “participar juntas na Santa Comunhão”. Um dos momentos mais significativos da celebração foi a recitação conjunta do credo niceno-constantinopolitano. Ausente em Fátima, a participar na celebração nacional do Ano Paulino, o Bispo do Algarve fez chegar a sua mensagem de solidariedade e de empenhamento naquele encontro ecuménico de oração.