O prior explica que na origem deste sentimento estão dois acontecimentos ocorridos com os funerais de dois jovens que faleceram em acidente rodoviário e que não eram baptizados. “No primeiro caso, os familiares queriam que eu baptizasse a pessoa já morta há cinco dias, pois faziam questão que o corpo passasse pela igreja, quando o habitual, nestas circunstâncias, é realizar-se a celebração fúnebre na casa mortuária”, explica o padre Manuel Condeço, clarificando que os protagonistas do insólito entendem que “se o cadáver não passar pela igreja, a pessoa não vai para o céu”. “Apesar disso fiz uma celebração religiosa para não baptizados”, complementa. Há dois meses houve um outro caso semelhante que ajudou, na opinião do sacerdote, a incrementar “uma o­nda de revolta muito grande”. “Eu cheguei a ser insultado e ameaçado”, acrescenta, testemunhando que “a partir daí as pessoas começaram a ameaçar os que fazem parte da Igreja” e “hoje as pessoas têm medo de ir à igreja ou de sair à noite”, mantendo-se actualmente o clima hostil. No entanto, explica o sacerdote, “houve pessoas que estiveram presentes no primeiro episódio, ouviram a explicação, compreenderam e agora, aquando do segundo caso, já tiveram um comportamento diferente”.