O padre António Martins considerou assim que “para além das técnicas da medicina, a vida cristã é também terapia”. O sacerdote justificou que a “dimensão terapêutica da fé cristã”, dos cristãos que são em conjunto «terapeutas» com Cristo-terapeuta, pode mesmo ajudar a “viver saudavelmente a doença”. É que, conforme explicou o conferencista, “a doença não significa ausência de saúde”. “Há saúde na doença como também há doença na saúde. Os valores não são absolutos”, observou. Para além de profética esta acção dos cristãos pode ser também testemunhal explicou o padre António Martins, considerando que “a qualidade e simplicidade das relações e contactos, a confiança com que se aceitam os nossos males e os dos outros é o testemunho que podemos dar no nosso tempo”. O padre António Martins começou por explicar que, na Bíblia, a saúde da pessoa é interpretada como “sinal de boa relação com Deus”, lamentando que durante muito tempo a doença tenha sido sinal de castigo de Deus. “Ainda hoje não está superado este pensamento”, lamentou. Subscrevendo a reflexão de D. Manuel Madureira Dias, o padre António Manuel elucidou que “o pecado é que compromete tudo: a relação do homem consigo mesmo, com os outros, com o ambiente e com Deus”. “É uma espécie de doença que altera toda a realidade das relações humanas”, complementou, para se referir mais adiante ao pecado como “o sinal maior da pior «doença» que pode existir que não é tanto a física, mas a dimensão doente das relações patológicas que vivemos uns com os outros e que precisamos quotidianamente de curar”. Classificando Jesus Cristo como o “médico divino”, o conferencista deixou claro que “a cura que Jesus realiza em milagres pontuais é o sinal de uma outra «cura» mais ampla”. “A intenção de Jesus era, através da cura exterior, anunciar o reino de Deus. A acção curativa de Jesus devolve aos doentes a saúde, mas ao mesmo tempo anuncia um novo caminho de libertação que é a relação com Deus”, justificou, lembrando que “a ressurreição é a «cura» total e plena de Jesus Cristo na nossa vida, é a plenitude da saúde e da salvação”. Por isso, advertiu: “enquanto existirmos na vida nunca haverá saúde completa nem a doença será totalmente vencedora”. “Pensar que há saúde perfeita é um mito da cultura contemporânea”, criticou, constatando que “por mais plásticas que se façam, os anos não perdoam e que por mais próteses que se ponham, o corpo será sempre débil”. “Saúde integral não existe, só no reino dos céus”, acrescentou. A propósito, o padre António Martins observou que “existem hoje várias técnicas terapêuticas com cristais, cores, sons”, entre outras, no entanto ressalvou que existe apenas “um único terapeuta e médico divino”: Jesus Cristo. Mais fotos brevemente na Galeria de Imagens Ouça novamente as conferências ou veja as conclusões aqui