Ralf Pinto lembrou que a população judaica no mundo atinge cerca de 14 milhões de pessoas, estando em Portugal radicados cerca de 600 judeus, espalhados entre Lisboa, Porto, Belmonte e Algarve. Recordando que Jerusalém é considerada a “capital eterna do Judaísmo”, Ralf Pinto, informou que, presentemente, existem algumas sinagogas em Lisboa, Porto e Belmonte. Aquele responsável da Comunidade Judaica do Algarve realçou na sua intervenção que “para o judeu, a religião é a vida, pelo que todos os dias o judeu celebra a vida ou seja, a religião”. Ralf Pinto lembrou que sendo o Judaísmo uma religião monoteísta, tem como segundo mandamento a proibição de fazer “qualquer efígie, imagem, retrato, escultura ou representação do Deus”. “Deste modo, o Deus é, para um judeu, uma convicção espiritual com raiz no próprio ser”, justificou, acrescentando que “o objectivo do Judaísmo é tornar sagrados todos os actos quotidianos”. “Por esta razão temos bênçãos para cada ocasião, tais como lavar as mãos antes de comer, antes de viajar, antes de comer a primeira fruta da colheita, antes de comer o pão, antes de beber o vinho, etc”, elucidou. Aquele representante do Judaísmo, lembrou que o acto e cerimónia da circuncisão (Brit mela) foi o seu “primeiro contacto com a vida judaica”. “Este aconteceu 8 dias após o meu nascimento”, precisou. “Com seis anos fui obrigado a frequentar as lições de hebraico três vezes por semana, depois das aulas curriculares, para saber ler e recitar orações. Era uma tarefa ingrata para uma criança daquela idade”, testemunhou, acrescentando também que acompanhava o pai à sinagoga para o Shabat (dia mais sagrado para o Judaísmo que inicia nas vésperas da sexta-feira e termina ao pôr do sol de sábado) e feriados religiosos. Ralf Pinto explicou ainda que, com 24 anos, cumpriu com a lei de Moisés “que obriga o homem judeu a casar e a procriar”. O padre Carlos de Aquino começou por definir o Cristianismo como a “religião daqueles que professam a fé em Jesus Cristo, reconhecendo-O como Filho de Deus e portador de uma mensagem universal de salvação, em continuidade e complemento do pacto de aliança estabelecido entre Deus e o Povo de Israel”. O sacerdote explicou que “o Deus único dos cristãos não é um Deus solitário, quieto, mudo, estático”. “Ele é o Deus/Comunhão, Revelação de Amor em sim mesmo”, complementou, garantindo que “a essência da fé cristã consiste em acreditar Jesus de Nazaré, como o Messias prometido, o Ungido dado a conhecer e por isso, verdadeiro Filho eterno de Deus”. “Viver cristãmente e em harmonia com a doutrina e a Pessoa de Jesus – explicou o padre Carlos de Aquino – consiste em deixar-se amar e invadir por Deus; viver para esse e desse Deus/amor; ser sinal e presença visível e palpável do amor de Deus nos gestos, nas palavras e atitudes”. Citando a Declaração ‘Nostra Aetate’, do Concílio Vaticano II, assegurou que “a Igreja católica não rejeita absolutamente nada daquilo que há de verdadeiro e santo nestas religiões”. “Considera com sincero respeito esses modos de agir e de viver, esses preconceitos e doutrinas que muitas vezes reflectem um raio daquela verdade que ilumina todos os homens”, acrescentou. Mostafa Zekri referiu que “os dois aspectos, exterior e interior, do Islão são fundamentais para a compreensão desta religião, da sua história e do seu relacionamento com as outras religiões monoteístas”. “Além das práticas esotéricas, a visão esotérica do Islão sempre existiu nas sociedades islâmicas sob diversas formas. Os textos fundadores, o Corão e a tradição profética (sunna), permitem determinar as especificidades da religião islâmica e a sua espiritualidade. Um pensamento e uma prática baseados na procura universal do divino. Se a lei islâmica, Sharia, desenvolve um discurso universal e um ensinamento dirigido ao ser humano”, acrescentou Mostafa Zekri. Aquele membro do Centro de Estudos Luso-Árabes de Silves referiu-se ainda às tendências islâmicas do sunismo e do xiismo.