A ópera-rock, de autoria de Andrew Lloyd Webber e Tim Rice, com direcção artística, adaptação, encenação e cenografia de La Féria, produção e direcção musical de Telmo Lopes e coreografia de Inna Lisniak, que relata os últimos momentos da vida de Cristo através de uma visão de Judas, estreou no dia 1 e continua com sessões diárias, às 22 horas, até final do mês. Judas testemunha o culto a Jesus, mas, tomado pelo mal, vê a movimentação em torno de Cristo apenas como uma histeria e um perigo para a ordem pública e é por isso que trai o seu Mestre. Mais tarde, não reconhecendo o mal que o corrompeu, Judas apenas se compreende, de forma suicida, como um peão num grande plano orquestrado por Deus. La Féria situa a acção de ‘Jesus Cristo Superstar’ a partir dos escombros das Torres Gémeas, destruídas a 11 de Setembro de 2001, que considera ser a “Roma novaiorquina”, e da imensa destruição que adveio dos actos terroristas aí perpetrados, aludindo igualmente à “eterna condenada Jerusalém”, evidenciando assim a actualidade e contemporaneidade da paixão, morte e ressurreição de Cristo. A versão portuguesa, sem defraudar a génese do musical mundialmente conhecido, mantém não só a mesma genialidade e intensidade dramáticas, numa explosão de cores, ritmos, brilhos, contrastes, majestosamente protagonizados por um excelente elenco, mas também a refinada crítica à sociedade contemporânea. No elenco com um total 58 representantes, entre actores, cantores, bailarinos e músicos, destaque não só para o desempenho de David Ventura, como Jesus Cristo, de Laura Rodrigues, como Maria Madalena, ou para o despique entre o baixo profundo e o contra-tenor conseguido no grupo de sacerdotes, mas sobretudo para Pedro Bargado, como Judas Iscariotes, com uma notável performance musical e de interpretação em palco. A impressão digital de La Féria na obra é bem notória na composição excêntrica de um Herodes bem ao estilo da Broadway, retratado numa cena hilariante caracterizada pela caricatura dos tiques de um rei muito sui generis. Dividido em dois actos, o espectáculo é todo cantado em português, tendo sido contudo introduzidas algumas alterações relativamente à apresentação no Porto e Lisboa. A versão trazida ao Algarve não tem tantas plataformas elevatórias, apesar da adaptação que sofreu a sala do Portimão Arena. Para acolher esta peça durante o mês de Agosto, o Portimão Arena foi transformado em sala de teatro, com capacidade para 1.500 espectadores, num trabalho que contou com 150 pessoas na montagem de uma estrutura, implantada numa área superior a seis mil metros quadrados, com 250 metros de treliças (vigas de suporte), 6.500 metros lineares de tubo, 5.200 braçadeiras, 800 metros quadrados de contraplacado, 700 tábuas de moldura, 1.000 metros quadrados de flanelas, 1.200 metros quadrados de tecido PBC, 250 estrados metálicos com 2,5 metros, e várias escadas com um total de 300 degraus. O palco tem 8.000 metros cúbicos. Inspirado no maior acontecimento de todos os tempos, Jesus Cristo Superstar mantém-se relevante e intemporal, tal como quando subiu, pela primeira vez, ao palco, identificando-se com as grandes audiências actuais. Recorde-se que Jesus Cristo Superstar foi criado em 1970, por Andrew Lloyd Webber e Tim Rice, em forma de álbum, e rapidamente alcançou um enorme sucesso de vendas. Só depois se tornou numa peça musical internacionalmente reconhecida. Passados três anos, Jesus Cristo Superstar passou para a tela do cinema, pela mão de Norwan Jewison, transformando-se num estrondoso êxito. Como aconteceu nas anteriores apresentações, também no Algarve ‘Jesus Cristo Superstar’ tem atraído muitas pessoas, incluindo diversas figuras públicas, como o Presidente da República, Cavaco Silva, que assistiu ao espectáculo no passado dia 8 de Agosto na companhia da mulher, Maria Cavaco Silva, e da neta mais velha. Mais fotos, brevemente na Galeria da Imagens