Antes da celebração, o novo Arcebispo expressou aos jornalistas que a vinda para Évora se tratava de uma “nova etapa” da sua vida religiosa. Num regresso à diocese e à mesma Catedral onde foi ordenado padre e Bispo, D. José Alves prometeu “dar continuidade ao projecto” do seu antecessor para o actual ano pastoral. O novo prelado eborense manifestou também aos jornalistas as preocupações com o reduzido número de sacerdotes, apesar de apontar a existência de alternativas. “Temos alternativas que vão ajudar-nos a superar esta crise de vocações. Para já temos diáconos permanentes e muitos mais leigos empenhados na vida da Igreja”, disse antes da celebração eucarística. A tomada de posse contou com a presença de quase todos os Bispos de Portugal, residenciais e eméritos, incluindo o Bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, e ainda o Bispo de Badajoz e emérito de Timor-Leste, com mais de duas centenas de presbíteros e diáconos também de todo o país, religiosos, catequistas e entidades civis, militares e académicas, e centenas de fiéis, representando todas as paróquias da Arquidiocese. Na homilia da celebração, o prelado confessou que "estava fora dos meus projectos que, passados quase dez anos, voltasse a esta histórica cidade de Évora como Arcebispo e entrasse na catedral, em cujo solo, duas vezes, me prostrei por terra, em gesto de profunda adoração e louvor a Deus, que me criou e me chamou ao presbiterado e ao episcopado”. D. José Alves apelou à colaboração de padres, religiosos e leigos, relevando em particular a missão destes últimos, que “se esforçam e generosamente trabalham na reconstituição da fractura entre cultura e Evangelho, na promoção de uma justa ordem social, na dignificação da actividade política, na defesa dos princípios éticos fundamentais e irrenunciáveis, na defesa da liberdade da Igreja e na colaboração directa com os pastores, na liturgia, na pastoral e noutros sectores da vida da Igreja”. O novo Arcebispo de Évora centrou a sua homilia sobre a missão do Bispo na Igreja. Nesse sentido, afirmou que “para corresponder à complexidade do seu ministério, o bispo há-de ser humanamente equilibrado, intelectualmente bem formado, pastoralmente dinâmico”. “Acima de tudo, há-de esforçar-se por viver em santidade, fazendo da verdade revelada o centro e critério primeiro de toda a sua acção pastoral, ciente de que ele é o princípio visível e fundamento da unidade diocesana, permanecendo aberto à participação de todos os membros do povo cristão, com respeito pelas competências de cada um”, acrescentou. D. José Sanches Alves, nomeado para o cargo no passado dia 8 de Janeiro, lembrou o trabalho realizado na diocese de Portalegre-Castelo Branco, onde estava desde Abril de 2004, “cuja memória guardarei para sempre no meu coração”. Quanto ao regresso a Évora, frisou que “volto como Pastor e Mestre da fé, carregando sobre os meus frágeis ombros a responsabilidade pastoral desta vasta parcela do Povo de Deus, iluminada e guiada, nos tempos passados, pela palavra eloquente e pelo luminoso exemplo de fé de uma plêiade de sábios pastores”, destacando o “exemplo” do seu predecessor, D. Maurílio de Gouveia, que durante 26 anos este à frente da diocese alentejana. No final da celebração decorreu um momento particularmente simbólico, quando o Prelado assinou a acta que o empossou, seguindo-se a assinatura de todos os bispos e presbíteros presentes. Seguiu-se o anúncio do decreto episcopal, pelo qual D. José Alves, de acordo com o direito canónico, confirmou a nomeação de todos os colaboradores mais próximos. Depois da Bênção, D. José Alves recebeu os cumprimentos das entidades ali presentes, nomeadamente os governadores civis de Évora e de Portalegre, os representantes das forças de autoridade e segurança, entidades civis, militares e académicas e diversas personalidades com responsabilidades cívicas na região, bem como os religiosos e leigos e representantes dos movimentos eclesiais que representavam as comunidades cristãs da Arquidiocese e da Diocese de origem do novo Prelado.