Procurando identificar “Os desafios eclesiais de Paulo à Igreja do Algarve”, D. Manuel Quintas incitou e defendeu a construção de uma Igreja diocesana carismático-ministerial que tire partido da valorização de todos os seus membros, de acordo com a vocação específica de cada um, e da integração pastoral de todos os seus carismas. “Ainda temos de caminhar muito para aí, mas esse é o ponto que deve marcar o nosso caminho. Enquanto não mudarmos esta mentalidade e não criarmos espaços nas nossas comunidades paroquiais para a mudar, não cresceremos como Igreja”, frisou o Bispo do Algarve, salientando a necessidade de “edificar comunidades vivas, fraternas, ministeriais e missionárias”, de “cultivar a fraternidade vivida na sua radicalidade evangélica, de “criar um ambiente apoiado na estima recíproca, no serviço corresponsável e solidário, no compromisso evangelizador”e na “valorização e integração pastoral de todos os carismas”, e de “promover e dinamizar os organismos de participação” como os conselhos pastorais. “Investir na formação e qualificação de agentes pastorais”, assim como a valorização, na evangelização, da “partilha da fé de pessoa a pessoa, de porta a porta, de família a família” foram outras das propostas avançadas. “Temos de deixar de ser cristãos envergonhados e remetidos ao silêncio”, apelou D. Manuel Quintas, que no início da intervenção tinha constatado que São Paulo desafia a Igreja do Algarve. “Desafios eclesiais e pessoais de modo a crescermos na consciência do que somos na Igreja: discípulos de Cristo e membros desta nossa Igreja diocesana”, concretizara, acrescentando ser fundamental sê-lo “de modo, cada vez mais, participativo e corresponsável”. “É este o objectivo prioritário do Ano Paulino, ao qual pretendemos também corresponder com a celebração destas jornadas. Regressar às origens da nossa fé, crescer na consciência do que somos, construir de modo corresponsável e participativo o hoje da Igreja”, eis a triologia, que segundo o Bispo diocesano, “deve estar presente ao longo de todo este Ano Paulino”. “Conhecer Paulo e o seu mundo, encontrar-se com Cristo e assumir as exigências da conversão, crescer na paixão por Cristo, pelo Evangelho, pela Igreja-comunidade, anunciar o Evangelho como participação corresponsável na missão da Igreja e assumir o dinamismo da comunhão e missão como paradigma de toda a acção pastoral” foram outros dos desafios deixados pelo Bispo da diocese algarvia. Lamentando que Paulo permaneça como “um autor desconhecido, uma espécie de enigma mesmo para a maioria dos cristãos”, questionou D. Manuel Quintas: “a que se deve esta dificuldade em ler, entender e falar de São Paulo? Como decifrar este enigma já que não podemos dispensar este «motor de busca» no aprofundamento da nossa fé, na identificação com Cristo, e na inserção consciente, participativa e corresponsável das nossas comunidades cristãs? Será por desconhecimento e pouca familiaridade com as suas cartas?”, interrogou, constatando que “esta dificuldade não é dos nossos dias”. “O próprio apóstolo Pedro a reconheceu e para ela alertou os destinatários da sua segunda carta”, salientou, desafiando os algarvios a “procurar a chave para abrir e usufruir de toda a riqueza deste tesouro” que é a doutrina de Paulo. “Queremos que todas as nossas comunidades e cada um dos seus membros, inspirados no testemunho e ensino de Paulo, aprofundem e renovem a sua adesão a Cristo em fidelidade ao anúncio do Evangelho e ao seu Baptismo e como resposta aos apelos do mundo de hoje”, aludiu, considerando os seus escritos paulinos o “espelho” no qual os cristãos vêem reflectido o seu rosto como discípulos de Cristo e das suas comunidades cristãs, “a precisar constantemente renovação de tantos «embaciamentos e transfigurações»” que não deixam reflectir, com toda a nitidez, o rosto de Cristo. Relativamente ao número crescente de baptizados «não praticantes», D. Manuel Quintas defendeu a urgência de “repensar a eficácia dos percursos de iniciação cristã” e considerou que “a formação dos leigos deve ser assumida como urgente numa pastoral integrada, que siga o modelo catecumenal, que integre as dimensões doutrinal, vivencial e celebrativa, não exclusivamente direccionada para o serviço pastoral, mas para a verdade da adesão a Cristo, a consciência de pertença e integração na Igreja e a qualidade do testemunho na fé”. “A participação activa dos leigos na missão da Igreja é hoje mais urgente do que nunca. Não é possível crescermos como Igreja diocesana e sobretudo acolhermos os apelos de Paulo se não for através de uma participação corresponsável e activa de todos, particularmente dos leigos”, destacou, acrescentando que “a palavra de ordem é construir caminhos de comunhão em rota certa a seguir”. “A renovação evangelizadora das nossas comunidades cristãs deve reflectir-se em todas as realidades eclesiais pelo envolvimento de todos, já que é o Baptismo e o Crisma que nos unem e corresponsabilizam na missão da Igreja”, referiu, deixando alguns brados em favor do desentorpecimento da Igreja algarvia. “Igreja do Algarve não tenhas medo! Não te cales!”, concluiu, sublinhando que a terra do Algarve também é terra de missão. Mais fotos, brevemente na Galeria de Imagens