O Bispo Emérito do Algarve, antes de entrar directamente no tema do dia, sobre a Imaculada Conceição de Nossa Senhora, começou por referir-se ao pecado original e à redenção, duas noções que considerou “muito importantes”. O conferencista lembrou que todos os seres humanos, incluindo a Virgem Maria e o próprio Cristo, enquanto homem, são descendentes de Adão, referindo-se a este como “primeiro primata inteligente e livre com capacidade para optar pelo bem e pelo mal”. D. Manuel lembrou que “o homem recusou-se a acolher o que Deus lhe oferecia”. “Adão fechou-se à graça que lhe foi dada e entendeu fazer um caminho por conta própria sem querer os dons de Deus. A isso chamamos pecado original porque esteve na origem da humanidade e de todo o pecado”, justificou. Em contraposição, D. Manuel Madureira Dias evidenciou que “Jesus, o «segundo Adão», voltou a dar acesso à vida divina que Deus nos quer comunicar”. “Nunca podemos separar o pecado ou a infidelidade aos dons gratuitos de Deus, do restauro desta perda feito por Jesus Cristo. E a esse restauro damos outro nome: redenção”, explicou o Bispo Emérito do Algarve, garantindo que “o Filho de Deus, que era descendente de Adão quanto à sua humanidade, fez-se homem para fazer o contrário do que fez Adão e garantir a toda a humanidade de que podia respirar fundo porque o projecto de Deus não ficou frustrado”. “Ele, na sua própria identificação com a vontade de Deus, vai restituir à humanidade aquilo que ela tinha perdido: a redenção”, acrescentou D. Manuel. O conferencista advertiu no entanto que a redenção pode ser vista de modo “objectivo” ou “subjectivo”. “Por parte de Cristo está tudo feito. É a redenção objectiva”, explicou, acrescentando que “a redenção subjectiva é a aplicação da redenção objectiva a cada um de nós”. “Cristo pode-me ter remido, mas se ainda não chegou até mim essa redenção, estou ainda desprovido dela, não por culpa de Cristo. Entre a oferta do dom que o Senhor nos faz e o acolhimento que fazemos desse dom pode mediar um tempo. Podemos porventura estar salvos, mas não estarmos a usufruir da salvação se não nos abrirmos à graça de Deus”, complementou o Prelado. Concretamente sobre o dogma da Imaculada Conceição, definido em 1854, pelo Papa Pio IX, D. Manuel Madureira Dias lembrou que Nossa Senhora, descendente de Adão, “deveria ser atingida pela perda que Adão realizou e que se destinava a toda a humanidade” e “precisou tanto de ser redimida como nós”. No entanto, “o privilégio de Maria consistiu em ser redimida no mesmo instante em que foi concebida e nós fomos redimidos depois, quando conscientemente assumimos o dom que nos é oferecido”, explicou o conferencista acrescentando que “a redenção de Maria foi preservativa e a nossa redenção é posterior à contracção do pecado”. “Maria foi liberta do pecado para não o contrair e nós somos libertos do pecado para o purificar”, clarificou D. Manuel, acrescentando de que “quando dizemos que Nossa Senhora é imaculada desde a sua conceição queremos dizer que não contraiu pecado porque Deus a privilegiou impedindo-a de contrair o pecado graças à intervenção redentora de Jesus Cristo”. “Se Maria tivesse contraído o pecado teria consequências e sequelas na sua própria vida e nunca poderia ser chamada pelo anjo: cheia de graça”, afirmou. D. Manuel Madureira Dias salientou ainda que “a plenitude de Maria não é absoluta, mas relativa”. “Maria está cheia do divino dentro da medida dela como criatura, mas como é uma criatura totalmente aberta a Deus está plena da graça”, clarificou, justificando que “só pode ser plena de graça se nunca lhe tiver faltado a graça ainda que por uma fracção de segundo”. O Bispo Emérito do Algarve terminou sublinhando que “Nossa Senhora não só recebeu a plenitude como correspondeu à plenitude”.