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D. Manuel Quintas avalia 1º ano como Bispo do Algarve: «Crescemos no modo como nos situamos face à Eucaristia»

Na próxima segunda-feira, dia 27 de Junho, assinala-se o primeiro aniversário da entrada solene e da tomada de posse de D. Manuel Neto Quintas como Bispo do Algarve. Volvido o primeiro ano à frente dos destinos da diocese, o Prelado diocesano, numa breve entrevista à FOLHA DO DOMINGO, avalia, de forma sintética, o trabalho realizado no presente ano pastoral e traça já algumas directrizes do seu programa pessoal em relação ao próximo ano. FOLHA DO DOMINGO – Que balanço faz deste primeiro ano como Bispo do Algarve? D. Manuel Neto Quintas – Não é fácil fazer um “balanço” deste género. É que subjacente à ideia de “balanço” está sempre, na prática, a ideia de uma avaliação quantitativa, o que se coaduna pouco com a acção de Deus na nossa vida pessoal e na vida da Igreja… Aquilo que posso dizer, de mim mesmo, é que foi um ano vivido de modo muito intenso e por isso, verifico que passou muito depressa. Não foi fácil corresponder a todas as solicitações, que me chegaram dos nossos Párocos e das nossas comunidades, bem como promover as propostas previstas no nosso programa pastoral. Nos últimos quatro anos éramos dois bispos. Este último ano fiquei apenas eu. E nem todos se aperceberam que não era possível manter o mesmo ritmo de presença episcopal nas vigararias, paróquias, grupos e movimentos. Certamente que com o Vigário Geral nomeado, será mais fácil no próximo ano coordenar essa presença e encontrar tempo também para aquilo que eu considero fundamental e que este ano não consegui realizar como gostaria: dedicar mais tempo à oração pessoal, à leitura, ao estudo e às pessoas. P – Neste ano inicial, tinha programado visitar pessoalmente os sacerdotes da diocese. Que avaliação faz deste aspecto? R – Sim, de facto, foi uma iniciativa que senti necessidade de realizar neste primeiro ano como Bispo diocesano: encontrar-me pessoalmente com os sacerdotes, sobretudo das Paróquias o­nde não tinha feito visita pastoral, e com as comunidades religiosas. Tenho que concluir que, apesar de não ter conseguido realizar totalmente este projecto por diversas razões, algumas já referidas, essa iniciativa foi muito proveitosa para mim. Permitiu-me conhecer melhor as pessoas, inteirar-me da sua dedicação à nossa Igreja diocesana e apreciar mais o seu serviço pastoral. Os seus conselhos também me foram muito úteis. A nomeação do Vigário Geral da Diocese é fruto desses encontros. P – No presente ano pastoral a Diocese deu continuidade a um projecto trienal que, neste segundo ano, privilegiou a Eucaristia e as Vocações de Consagração como fonte inspiradora de todas as iniciativas pastorais. Quais as iniciativas que, no seu entender, melhor contribuíram para alcançar esta linha orientadora do Programa Pastoral? E quais as que faltaram implementar? R – Não gostaria de fazer um elenco do que foi ou não possível concretizar ao longo deste ano. Sinto, no entanto, que, como Igreja diocesana, crescemos um pouco mais no modo como nos situamos face à Eucaristia, enquanto fonte inspiradora da nossa acção pastoral, e face às vocações ao sacerdócio ministerial e à vida de especial consagração religiosa ou secular. Foi notório o esforço desenvolvido na grande maioria das nossas paróquias, para corresponder às propostas pastorais relativas à valorização da Eucaristia (celebração, adoração) como fonte de renovação da vida de pessoas, grupos e comunidades. As iniciativas promovidas no âmbito do Ano Eucarístico contribuíram muito para esta sensibilização, conscientes de que a Eucaristia é caminho obrigatório de um renovado impulso da vida cristã. Foi com agrado que escutei o testemunho positivo de muitos o­nde estas iniciativas foram promovidas, bem como a possibilidade de aceder de modo mais fácil e periódico ao sacramento da reconciliação. No que diz respeito ao tema vocacional, apesar de em algumas Vigararias e Paróquias não se ter conseguido concretizar todos os objectivos propostos, creio que também se verificou uma acção positiva. A intensificação da oração “eucarístico-vocacional” já começou a dar os seus frutos… A sensibilização e o apreço pela vocação sacerdotal, intimamente ligada à Eucaristia, bem como pelas vocações de especial consagração, também já estão a frutificar. Temos, necessariamente, de continuar a rezar e a falar sem receios, da vida sacerdotal como um valor e uma forma privilegiada de vida cristã, como tantas vezes nos recomendou, de modo muito veemente, o Papa João Paulo II. Sacerdotes, catequistas, famílias cristãs, educadores em geral não devem ter medo de propor de forma explícita esta vocação aos jovens que revelem os dons e as capacidades a ela correspondentes. A mediação da proposta vocacional compete a todos os membros da Igreja, diz respeito a toda a comunidade cristã. P – No próximo ano pastoral, à semelhança do que aconteceu este ano com as visitas aos sacerdotes, pretende promover algum outro aspecto de reconhecimento da realidade diocesana (p. ex. visitas pastorais)? R – No próximo ano pastoral vamos continuar a inspirar a nossa acção pastoral no programa trienal – ser comunidade ministerial, dominical, missionária para evangelizar. A nível mais específico aguardo as propostas que sairão da reunião do Conselho diocesano de Pastoral, com a certeza de que o caminho percorrido ao longo deste ano inspirado na Eucaristia e nas vocações, não pode ser interrompido. Aliás, o Congresso Eucarístico que vamos realizar em Loulé, logo no início do ano pastoral (22 e 23 de Outubro), vai certamente inspirar e qualificar a nossa acção pastoral ao longo de todo o ano. Também não podemos descurar nem diminuir o empenho que se vem fazendo na Diocese na formação e no aprofundamento da fé. Tendo em conta a pergunta formulada, sobre o reconhecimento da realidade diocesana, gostava no próximo ano pastoral de conhecer melhor os diversos Movimentos aqui existentes, para valorizar mais a sua especificidade e aproveitar melhor o seu contributo na realização da missão da nossa Igreja diocesana. Espero promover algumas iniciativas nesse sentido. Relativamente ao retomar das visitas pastorais, essa é uma obrigação permanente do Bispo e já elaborei, com os respectivos Párocos, o calendário da vista às Paróquias da Vigararia de Portimão nos concelhos de Monchique, Lagoa e Portimão. A visita às Paróquias do concelho de Silves ficará para o ano 2006-2007, juntamente com as da Vigararia de Albufeira.

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