“Todos nos damos conta de que a família está hoje submetida a uma crise sem precedentes na história. A acção persistente de um laicismo de raiz realista e relativista leva a um modo de viver que não privilegia a família”, alertou o prelado, lembrando que “destruir a família significa destruir esta sociedade”. O Bispo diocesano começou por evidenciar que “a realização da vocação matrimonial exige o esforço mútuo para ultrapassar as dificuldades, divergências e problemas que a vida, com seus imprevistos, coloca”. “A solução dos conflitos familiares e matrimoniais passa pela humildade, sinceridade, simplicidade, perdão e acolhimento do outro, mesmo com as suas limitações e fragilidades”, lembrou D. Manuel Quintas, salientando que “o divórcio traz sempre um sofrimento extremamente doloroso, provocando no casal sentimentos de fracasso e de perda e nos filhos sentimentos quase sempre sentimentos de revolta, medo, abandono, e até mesmo, de culpa e nos restantes familiares sentimentos de tristeza pela incapacidade em ajudar a ultrapassar as dificuldades e crises familiares”. Citando o Papa João Paulo II, o Bispo do Algarve frisou que “este problema deve ser enfrentado com urgência inadiável (FC 84)”. “A primeira atitude que a Igreja deve demonstrar é a sua solicitude maternal para com os seus filhos aos quais as dificuldades da vida, aliadas à fraqueza humana, colocaram em situação difícil”, afirmou, lembrando que “a Igreja não os abandona e esforçar-se-á por lhes proporcionar os meios de salvação porque está firmemente convencida que mesmo aqueles que se afastaram humanamente do Senhor e vivem agora neste estado poderão obter de Deus a graça da conversão e da salvação”. “Saibam estes homens e estas mulheres que a Igreja os ama, não está longe deles e sofre pela sua situação. Esse deverá ser o primeiro fruto da nossa solicitude pastoral: fazer com que eles não se sintam abandonados ou excluídos da Igreja”, complementou, sublinhando que este propósito “exige da comunidade cristã grande compreensão para com aqueles que não conseguiram viver o seu projecto de amor”. “Em nenhuma circunstância os divorciados se devem marginalizar ou auto-excluir ou ainda ser afastados da vida da comunidade cristã. Trata-se de testemunhar a bondade e misericórdia de Deus para com todos aqueles a quem a partilha de um projecto comum fez sofrer e que por diversas razões não puderam, realizar esse ideal que um dia diante de Deus e da comunidade se comprometeram a viver”, acautelou, sublinhando o “enorme desafio que esta situação significa para a realidade familiar e para a acção da Igreja”. A terminar, deixou uma palavra de esperança e confiança convicto de que “as famílias vão encontrar o seu caminho, conservar os valores perenes e continuar a desempenhar com fidelidade o seu papel e missão na Igreja e no mundo”.