D. Manuel Quintas, que falava na Sé Catedral de Faro, começou por explicar porque a celebração litúrgica daquela tarde conclui-se com comunhão eucarística. “Apesar de não celebrar a Eucaristia neste dia, a Igreja não quer deixar de alimentar os seus filhos com o Pão da vida, para que fortalecidos contemplem com um olhar de fé, de gratidão e de amor, Cristo crucificado”, justificou. Lembrando que, “da sua paixão e morte na Cruz e da sua ressurreição, nasceu a Igreja, o novo povo de Deus”, o Bispo diocesano, elucidou que “Cristo reconcilia os homens com Deus pela oblação sacrificial da sua vida”. “Cristo é simultaneamente sacerdote e vítima, oferente e oferta, nosso mediador com Deus Pai”, acrescentou o Prelado, frisando que “a Cruz é revelação suprema do amor de Deus”. “É por isso que a Cruz, em São João, nos surge como um trono de glória. É por isso que a Igreja, na liturgia desta tarde de Sexta-feira Santa, lhe dedica uma atenção particular, apresentando-a a todos como o madeiro na qual esteve suspenso o Salvador e por isso a todos convida a venerá-la com fé e gratidão”, justificou. Numa referência à encíclica pontifícia ‘Spe Salví’, D. Manuel Quintas sublinhou o “sofrimento como meio de aprendizagem da esperança”. O Bispo do Algarve, com base no documento do Papa, destacou o sofrimento como “realidade profundamente humana e que a Cruz de Cristo ilumina de maneira particular”. “O sofrimento faz parte da existência humana e é consequência da nossa finitude”, recordou o Bispo diocesano. Embora certo de que “é preciso fazer tudo para eliminar o sofrimento”, D. Manuel Quintas constatou de que “só Deus poderia eliminar o sofrimento” e “eliminar a culpa, fonte contínua de sofrimento”. “Não é o evitar o sofrimento, a fuga diante da dor, que cura o homem, mas a capacidade de aceitar a tribulação e nela amadurecer, de encontrar o seu sentido através da união com Cristo que sofreu com infinito amor”, justificou. O Bispo do Algarve salientou que “Cristo, com a sua paixão e morte na Cruz, ensina que o sofrimento, sem deixar de o ser, se torna, apesar de tudo, «cântico de louvor»”. “A grandeza da humanidade determina-se essencialmente na relação com o sofrimento e com quem sofre. Uma sociedade que não consegue aceitar os que sofrem e não é capaz de contribuir mediante a compaixão para fazer que o sofrimento seja compartilhado e assumido é uma sociedade cruel e desumana”, destacou, referenciando a encíclica de Bento XVI. “O mistério da doação e da entrega de Cristo por amor mostra-nos que Deus quis sofrer por nós e connosco”, concluiu ainda o Bispo diocesano. A liturgia da Paixão do Senhor, que teve início em silêncio com a prostração de D. Manuel Quintas diante do altar desnudado, continuou com a veneração da Cruz realizada por uma fila imensa de fiéis. Mais fotos na Galeria de Imagens