No primeiro dia, em Varsóvia, Bento XVI, deslocou-se à Igreja Luterana da Santíssima Trindade para um encontro ecuménico e ainda mais do que ecuménico, inter-religioso, com cristãos de outras confissões e crentes de outras religiões. Este encontro, reveste-se de um particular valor. Ele tem lugar na Polónia, um País de esmagadora maioria católica, o­nde poderia haver a tentação de não se dar qualquer importância aos irmãos separados. Porém, o Papa Ratzinger não deixou de ir ao encontro desses nossos irmãos. O que afirmou nesse encontro é verdadeiramente surpreendente, especialmente para aqueles que não acreditam no futuro do Movimento Ecuménico, que o desmerecem e o diminuem. Bento XVI não se limitou a desejar que os cristãos refaçam entre si a “unidade plena e visivel”. Muito mais do que fazer votos piedosos, o Papa apontou dois caminhos para que os cristãos possam desde já “viver reconciliados”. O primeiro diz respeito ao serviço comum da caridade, que os cristãos, mesmo separados, podem e devem exercitar recíprocamente e desenvolver em acções e parcerias inter-confessionais. Porém, o mais surpreendente é a abordagem do tema dos casamentos entre cristãos de tradições diferentes. Estes matrimónios, mais do que um problema, são vistos por Bento XVI, como uma oportunidade “para que se criem laboratórios práticos de unidade”, pois tal ajudará a uma maior “compreensão e maturidade entre os cristãos de ambas as partes” e respectivas comunidades de origem. Para que não possam ficar dúvidas nos espíritos daqueles que não acreditam no Ecumenismo e pensavam que iriam ter no Papa Ratzinger um aliado, o Papa reiterou que é uma prioridade do seu Pontificado, procurar que os Cristãos alcancem a plena e vísivel unidade entre si. Já no ultimo dia da viagem, Bento XVI deslocou-se ao campo de morte de Auschwitz-Birkenau. Também João Paulo II, em 1979, rezara neste campo de concentração nazi, o­nde foram exterminadas mais de um milhão e meio de pessoas, na sua grande maioria judeus, mas também muitos cristãos, especialmente polacos, como por exemplo São Maximiliano Kolbe e outros como Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) e muitíssimos outros, católicos e evangélicos. Porém, o gesto do Papa Ratzinger assume uma dimensão especialíssima e para ele certamente desconfortável por se tratar de um Papa Alemão. Nesse local, Bento XVI salientou isso mesmo declarando: “O Papa João Paulo II esteve aqui como filho do povo polaco. Eu estou hoje aqui como filho do povo alemão e é por isso que devo e posso dizer como ele: Não podia deixar de vir aqui. Devia vir. Era e é um dever diante da verdade e do direito de quantos sofreram, um dever diante de Deus, estar aqui como sucessor de João Paulo II e como filho do povo Alemão”. Corajosamente, Bento XVI não escondeu o quanto lhe era doloroso estar ali, esclarecendo que “tomar a palavra neste lugar de horror, de crimes acumulados contra Deus e contra o homem, que não tem comparação na história, é quase impossivel e é particularmente dificil e opressor para um cristão, para um Papa que vem da Alemanha.” O Santo Padre concluiu a sua passagem por Auschwitz como uma sentida prece que dirigiu ao Deus da Paz para que todos os homens, vivam em paz e os que estão divididos se reconciliem novamente.