O conferencista, que falava sobre o tema “Olhar o amor em São Paulo – Viver o amor hoje”, lembrou aos docentes participantes que já no tempo de São Paulo existiam comunidades que prefiguravam um Cristianismo judaizante, constituídas por alguns dos apóstolos que tinham vivido com Jesus, e outras que viviam um Cristianismo sem essa obrigação de se ser judeu, fundadas sobretudo pelo apóstolo Paulo . “Não foi Paulo que inventou as comunidades tipo helenista”, assegurou, elucidando que “a ideia de comunidades monolíticas que eram todas iguais e depois é que as coisas se começam a deturpar é algo que não corresponde à realidade”. “O que corresponde à realidade é esta pluralidade e esta riqueza de várias sensibilidades de viver o Cristianismo”, observou Juan Ambrosio. O teólogo considerou mesmo que “tudo o que seja uniformização é algo que atenta contra a própria identidade cristã”. “A mesma experiência pascal e o mesmo Jesus Cristo, logo desde a sua origem, proporciona que essa mesma experiência e o encontro com Ele possa ser vivido com várias sensibilidades”, reforçou. O docente defendeu igualmente a necessidade de se “perder o medo de ousar fazer novos caminhos, com os custos que isso por ventura tenha”. “Foi isso que Paulo fez. Não teve medo de ousar percorrer novos caminhos, respondendo à cultura da altura”, lembrou Juan Ambrosio, acrescentando que o apóstolo “procurou dizer as coisas de maneira que as pessoas percebessem o que ele lhes estava a dizer”. “Temos de fazer esse exercício nos nossos dias”, considerou, advertindo que “tal como não foi possível que, para se ser cristão, fosse obrigatório ser-se judeu, também hoje não podemos obrigar a que as novas gerações, para serem cristãs, tenham de o ser à nossa maneira” ou seja, “que tenham de se converter à nossa maneira de viver para ser cristãs, tal como não foi preciso que aqueles cristãos se convertessem à maneira de viver dos judeus”. Por outro lado, Juan Ambrosio considerou que “tal como Paulo não precisou do mandato explícito de uma certa hierarquia para ousar esses caminhos, também nós não precisamos”. “Pelo simples facto de nos termos encontrado com o Ressuscitado no contexto da comunidade – e esta é que é a garantida da legitimidade –, podemos ser enviados e protagonistas deste caminho”, justificou, explicando melhor a ideia. “Não precisamos do mandato de ninguém, não porque sejamos mais que os outros, mas porque a experiência do encontro com o Ressuscitado é a base única e legítima para fazer esse caminho. Não é preciso mais nada”, acrescentou, sublinhando claramente que “na base de isto tudo tem de estar uma experiência de encontro pessoal com o Ressuscitado”. “Se isso não for a nossa base, em vão edificaremos o que quer que seja”, preveniu. Salientando que a “ousadia e legitimidade” em fazer este percurso tem uma “baliza de objectividade” que é a comunidade, Juan Ambrosio advertiu a que os caminhos diferentes devem ser trilhados, mas “sempre com a preocupação da comunhão”.