O Bispo diocesano –, sublinhando que a Palavra proclamada naquela Eucaristia centra a sua mensagem, não já na narração dos acontecimentos biográficos do nascimento de Jesus, presentes na missa da meia-noite e na missa da manhã (chamada da Aurora), mas na contemplação da incarnação de Jesus –, convida os presentes a passar da figura do Menino Jesus a Jesus Salvador e Redentor da Humanidade. D. Manuel Quintas lembrou então que o Jesus de Belém é o mesmo de Jerusalém, da Páscoa. “É o Senhor Ressuscitado, Aquele que está vivo e glorioso à direita de Deus Pai, o Santo, o Senhor, o Altíssimo. Celebrar o Natal é, por isso, celebrar o mistério deste amor que nos envolve. Um Deus que vem habitar no meio de nós, que arma a sua tenda e acampa entre nós. Que vem na figura de uma criança, um recém-nascido”, frisou o Bispo do Algarve. Recuperando a temática da sua mensagem de Natal aos algarvios, D. Manuel Quintas voltou a lembrar o convite dirigido pelos anjos aos pastores de Belém: “Não temais”. “Quem é que pode ter medo de uma criança? A quem assusta uma criança? Por que é que Herodes tem medo desta criança?”, questionou, considerando que “só pode ter medo de uma criança frágil e indefesa quem se recusa a fazer um destes dois gestos: ou inclinar-se e colocar-se ao nível da criança, realizando em si mesmo tudo o que este gesto sugere de humildade, pequenez e despojamento de si mesmo; ou então erguê-la e acolhê-la no próprio colo, colocando-a ao seu nível, manifestando com este gesto, tudo fazer para que esta criança possa crescer até atingir o seu estado adulto”. “Não tenhamos medo deste Deus feito Menino, pois é Ele que se coloca ao nosso nível, que assume a nossa humanidade para que possamos assumir a Sua divindade. Alegremo-nos! Ele é o nosso Salvador e Redentor, Ele é o Emanuel, o Deus connosco, o Deus para nós, para que possamos ser homens e mulheres com Ele e para Ele”, salientou D. Manuel Quintas, considerando que Deus, “com a sua incarnação, mostra-nos como vem do céu à terra para que aprendamos, com Ele, o caminho que leva da terra ao céu”. “Nesta criança, Deus nasce para nós, para que, acolhendo-a, possamos nascer nós para Ele. É este mistério que nós celebramos. Não um mistério inacessível, incompreensível, mas um mistério que nos envolve, pois Ele vem para nós”, explicou. Com o convite à alegria o Prelado apelou simultaneamente à esperança. “Se dizemos que enquanto à vida à esperança, também é verdade que enquanto à esperança à vida. Celebrar o Natal é deixar que esta alegria e esperança renasçam no nosso coração, ajudando-nos a vencer o desalento, a falta de confiança na vida, toda a espécie de medos e imprevistos”, afirmou. A terminar, o Bispo diocesano pediu aos cristãos algarvios que se abram à esperança trazida pelo Deus-Menino e que se deixem contagiar pela alegria do seu nascimento. “Que a sua presença entre nós seja também presença em nós, em tudo o que somos, projectamos e concretizamos. Não nos contentemos pela esperança de virmos a ser felizes apenas no futuro, um dia no céu. Vivamos já agora aqui a felicidade presente pelo simples facto de esperar”, desejou. Por fim, exortou os cristãos a tornarem-se mensageiros que semeiam, no mundo de hoje, “sementes de paz, esperança e alegria”.