Congregados, no passado dia 4 de Junho, no salão paroquial de São Luís, em Faro, os movimentos eclesiais com expressão na diocese algarvia experienciaram a diversidade de ser Igreja e partilharam ideais, carismas e modos de actuação próprios de cada um. O encontro, previsto no Programa Pastoral da diocese algarvia para este ano, procurou ainda fazer a “experiência da acção do Espírito na Igreja” e promover a “mobilização de todos para a acção evangelizadora”. Em sintonia com o II Congresso Mundial dos Movimentos Eclesiais e das Novas Comunidades que terminou no passado fim-de-semana no Vaticano [ver página 2], o encontro que antecedeu a celebração da Eucaristia na Sé Catedral de Faro foi ocasião para D. Manuel Neto Quintas, Bispo do Algarve, referir-se às principais conclusões daquela iniciativa internacional com o Papa. Já na Catedral diocesana, na celebração da solenidade de Pentecostes, o Prelado referiu-se à “riqueza que cada movimento constitui, como dom do Espírito”, para a Igreja algarvia. “É o Espírito que gere a nova comunidade do povo de Deus e capacita cada um dos seus membros para fazer da diversidade dos seus dons, enriquecimento mútuo e contributo para o crescimento na adesão a esta nova comunidade e participação corresponsável na sua missão. É o espírito que capacita cada um dos seus membros para anular medos, abater muros, ultrapassar diferenças de raças, línguas ou culturas e construir uma comunidade o­nde todos se entendem porque todos são convidados a falar a mesma linguagem do espírito e do amor”, afirmou D. Manuel Quintas, lembrando que apesar da “diversidade de dons”, “o Espírito é o mesmo”, apesar da “diversidade de serviços e ministérios”, “a fonte é a mesma”, apesar da “diversidade de operações”, “é o Espírito que opera tudo em todos”. “O Espírito é a fonte de o­nde brota a vida da comunidade cristã, os dons que enriquecem a comunidade e que não podem ser usados para benefício pessoal, mas postos ao serviço de todos”, sublinhou. Referindo-se ao historial da Igreja algarvia, D. Manuel Quintas salientou a responsabilidade da transmissão da fé. “Há memória de existir Igreja organizada já desde fins do século III no território que hoje corresponde à nossa diocese e com um Bispo à sua frente, como consta das actas do Concílio de Elvira desta época”, afirmou, acrescentando: “somos nós hoje, herdeiros dessa fé e desses dons, e, abertos à acção do Espírito, que devemos vivê-la, celebrá-la e testemunhá-la com a energia e audácia dos primeiros tempos”. O Bispo do Algarve exortou ainda os diversos movimentos a constituirem um caminho para a santidade pessoal dos seus membros e para a santidade da Igreja algarvia. “Cada movimento continue a fazer da especificidade do seu movimento uma ajuda, antes de mais para si mesmo, para crescer no caminho da santidade. Este é o primeiro pedido que a Igreja vos faz e que eu vos faço: sede santos, abertos à acção do Espírito. Contribuí com o vosso testemunho para que a santidade da Igreja fale mais alto nos dias de hoje e interpele”, concretizou. A terminar, o Bispo diocesano apelou ainda ao compromisso numa missão especial. “Celebrar o Pentecostes é comprometer-se na realização da missão da Igreja. Queria convocar-vos hoje, a todos, para a realização desta missão”.