A iniciativa, que voltou a ser presidida pelo Bispo do Algarve, este ano teve como temática “Sexualidade; expressão de amor”, apresentada por Mary Anne Stilwell. Aos docentes algarvios, a conferencista começou por falar da sexualidade humana nas suas duas expressões: masculina e feminina. “A sexualidade humana é o facto de sermos criados seres humanos, homem ou mulher. E essa nossa sexualidade está presente desde o momento da concepção, quando geneticamente ficamos definidos como masculino ou feminino, até à morte”, afirmou a enfermeira, membro do MDV – Movimento de Defesa da Vida. Mary Anne Stilwell defendeu que homem e mulher, “iguais como seres humanos”, são “diferentes como homem e mulher” e “essa diferença abrange o seu todo”. “Hoje sabe-se que neurologicamente somos diferentes e tudo o que fazemos na vida fazemos como homem ou mulher. Tendo sido criados para vivermos em relação, como homem ou mulher, a nossa sexualidade é, portanto, comunicação. Nós comunicamos como homem ou mulher, de maneiras diferentes”, considerou. Falando sobre o “desenvolvimento da sexualidade” caracterizou “duas grandes componentes”. “A afectividade, que implica a necessidade de sermos amados e a capacidade de amar, e a genitalidade que é a capacidade de nos relacionarmos sexualmente na relação sexual e de procriar”, concretizou, reportando-se à importância da primeira. “A afectividade está presente desde o início. A criança ainda antes de nascer e logo a seguir, no primeiro ano de vida, ainda não é capaz de amar, mas vai aprender a amar sendo amada. Aprendendo a amar vai alargar as suas relações ao longo da vida. Esse primeiro ano e os seguintes vão criar as bases para o resto da vida, para que a criança viva de maneira equilibrada as suas relações”, referiu. A conferencista garantiu ainda que, no caso de uma criança, “a importância para o desenvolvimento de uma sexualidade sã é a sua relação com o corpo que vai sendo educada pelos pais”. Mary Anne Stilwell defendeu ainda que actividades como “a música, a dança e a ginástica permitem entrar no mundo interior e perceber, conhecer e viver melhor com o corpo”. “O acolhimento também é muito importante para dar segurança”, acrescentou. “O desenvolvimento da sexualidade, através da primeira infância, compreende igualmente a descoberta dos órgãos genitais e a descoberta do outro que é diferente de mim”, afirmou. Mais tarde, entre os 7 e os 12 anos a criança vive a “fase da identificação com o masculino ou o feminino imitando os seus comportamentos, normalmente através da mãe ou do pai”, explicou. Depois, “a puberdade traz consigo todas as mudanças físicas hormonais, um desenvolvimento de estruturação da personalidade, o aparecimento do pensamento abstracto, o aparecimento da atracção física”, referiu a conferencista, lembrando que esta fase “precisa de uma certa calma à volta para se desenvolver de uma maneira equilibrada”. “Se todo este percurso for bem feito, então, por volta dos 18 anos chega a maturidade, a capacidade de fazer as grandes escolhas da vida sózinho”, recordou. Mary Anne Stilwell deixou claro que neste processo “é a família que tem o papel fundamental”, “pois daí é que vêm os valores e os modelos principais”. Aos professores lembrou que “à escola cabe um papel complementar”.Ainda no âmbito do espaço escolar “defendeu a existência de um gabinete, não um espaço físico, mas um grupo de professores, formados no MDV, que dinamizem a educação sexual, através de acções com alunos, professores e pais”, pois “permite aos alunos saber que estão ali pessoas com quem podem falar no caso de terem problemas”. “Não é para pôr de parte os pais, mas o adolescente, às vezes, precisa de alguém, fora do seu âmbito familiar, para falar com mais privacidade”, complementou. Na parte da tarde, após a visualização do filme “Diário da minha paixão” e do almoço, Mary Anne Stilwell falou aos docentes sobre as áreas de intervenção na escola, sobre o que é que a escola pode fazer na “construção do projecto de vida” de cada jovem. “Não se trata da imposição de valores, mas de fazer com que cada aluno pense e reflicta sobre quais são os seus valores, para o­nde quer ir e como quer organizar a sua vida”, esclareceu. Nas suas palavras de abertura da jornada, o Bispo do Algarve, D. Manuel Neto Quintas, lembrou que “a sexualidade não pode resumir-se a mera informação sobre os mecanismos corporais e reprodutores, como tantas vezes tem acontecido, reduzindo-a à dimensão física com o único objectivo de prevenção contra o contágio de doenças sexualmente transmissíveis e o surgimento de uma gravidez indesejada”. “Essa atitude, tantas vezes unida à vivência de uma liberdade sem responsabilidade, deturpa e empobrece o sentido da sexualidade, na medida em que não tem em conta a dimensão do amor e dos valores”, considerou D. Manuel Quintas, lembrando as responsabilidades da família, da escola e, dentro desta, dos docentes. Presente na abertura do encontro esteve ainda o director regional de Educação do Algarve, Libório Correia.