Sabendo que não é fácil e que nem sempre as coisas decorrerão da melhor forma, mas sabendo também que Ele está sempre comigo, tenho uma felicidade imensa por me entregar totalmente e por saber que o Senhor me chama a este serviço”, confessou ao semanário diocesano. Com 25 anos de idade, o jovem diácono considera que os seus ideais, ainda que condicionados pela educação que teve e por toda a caminhada construída na fé cristã, são “os mesmos de qualquer jovem” da sua idade, embora tendo como fim último Jesus Cristo. “Tive esta graça de ser tocado e de me deixar tocar por Jesus, mas acredito que não sou muito diferente dos outros jovens”, afirma. A natural expectativa que a Igreja algarvia tem neste momento em si é encarada por Joel Teixeira de forma positiva. “Gosto de sentir essa expectativa, não por ser comigo ou pelas qualidades que eu possa ter, mas por sentir que gostam e rezam por mim, um jovem que se quer entregar. Sentir isto é o sinal mais claro de que o Senhor me chama”, esclarece Joel Teixeira, justificando que prefere “olhar positivamente” para os desafios que se lhe colocam do que para as responsabilidades de uma forma negativa. E um desses desafios é a capacidade de se perder a si mesmo para se entregar aos outros. “Sinto que não é um trabalho já conseguido, mas algo que estará sempre presente na minha vida. Sozinho não sou capaz e, todos os dias, rezo para o Senhor me ajudar a vencer. É no amor que as pessoas têm por mim que encontro essa força de Deus que me ajuda”, refere. Como qualquer caminho, com “buracos”, “feito de curvas, subidas e descidas” também a caminhada da sua vocação passou por “desafios e crises”. “O ano em que saí do Seminário foi importante porque vivi este ser Igreja de uma forma que não vivia lá. Mas fez-me bem porque, ao olhar para a minha vida, percebi que o que tive durante esse ano era algo que não me completava totalmente. Voltei porque sentia continuamente este Jesus a desafiar-me”, testemunhou Joel Teixeira, acrescentando que “o facto de não ter deixado de estudar Teologia, que tanto gostava, também foi importante”. E deste percurso que durou uma década, o jovem natural de Salir destaca mesmo alguns aspectos. “Não estou arrependido de ter entrado no Seminário aos 14 anos. Isso foi fundamental, pois penso que se não o fizesse nessa altura, se calhar não o teria feito mais”, considera, salientando igualmente a caminhada nos Seminários Menor e Maior: “aquilo que sou, devo a esses 4 anos que passei no Seminário de Faro” e “os 4 anos no Seminário de Évora foram importantes porque me ajudaram a crescer na relação com os meus colegas”. Os apoios que ajudaram a trilhar este trajecto são claramente identificados pelo futuro sacerdote algarvio. “Encontrei sempre na família a abertura para responder a esta pergunta que Jesus me fazia constantemente” e “o meu pároco também tem uma quota-parte muito grande neste caminho que vou fazendo, pois é para mim um modelo”. A prioridade do padre Joel Teixeira, que irá continuar, pelo menos por mais um ano, a integrar a equipa formadora do Seminário diocesano de São José, será, para além da “entrega a Jesus Cristo, presente no próximo”, a pastoral da juventude. “Se eu puder ser instrumento de desafio e de interrogação aos jovens, o meu trabalho estará conseguido. É algo com que eu estou identificado”, sublinha. E precisamente o “grande desafio” que deixa aos jovens é que “não fechem o coração e que se deixem interrogar para serem cristãos a valer”. “Jesus quer a nossa felicidade e alegria e quer construir uma história maravilhosa com cada um de nós”, complementa. Aos seminaristas dirigiu uma palavra de “ânimo e força”, pois “sabem que Jesus Cristo os ama e que, se é por aqui que Ele os chama, não há que ter receios”. “Penso que será muito mais fácil ser padre se olharmos para os aspectos positivos que existem e que são muitos mais do que os negativos”, acentua. Um padre jovem aberto aos jovens Joel Teixeira encara o trabalho com a juventude como um desafio e considera mesmo que os jovens não andam assim tão longe da Igreja como se diz. “Se calhar somos nós que andamos longe deles”, adverte. Considerando não ser fácil ir ao encontro da juventude, alerta para a necessidade de se correr esse risco, pois a movimentação inversa “não vai acontecer”. Admitindo, no entanto, que “a Igreja já faz um esforço para ir ao encontro dos jovens”, Joel Teixeira entende que se pode fazer “muito mais e melhor”, enumerando diversas realidades da sociedade que já fazem esse caminho. E o futuro sacerdote algarvio encontra mesmo algumas explicações para o desencontro entre a Igreja e a juventude. “Temos muito receio das novidades e de deixar os jovens utilizarem a sua criatividade e a sua forma de ver o mundo. Temos muito medo daquilo que possa acontecer com isso porque não gostamos de errar. E se há algo que caracteriza o ser jovem é a disposição para o erro. Muitas vezes, pela força que nos vem da juventude, temos vontade de fazer várias coisas e, se calhar, a Igreja prefere ir com calma. É uma visão. Mas eu acho que o futuro está em nós, jovens, e por isso não há que ter medo de nos abrirmos a eles. Se formos capazes de confiar e nos entregarmos à juventude, não tenho dúvida que os jovens se deixam cativar e interrogar por Jesus Cristo”, considera. Mas a estratégia proposta pelo jovem algarvio passa ainda pela redefinição da imagem de Cristo que é transmitida pelos cristãos. “Se os jovens da minha idade conhecerem Jesus Cristo da forma que eu conheço, não o recusarão. Se calhar o Jesus Cristo que eles conhecem é muito ‘cinzento’: autoritário e castigador e não um Jesus que nos ama, se abre e se entrega por cada um de nós. A ideia que os outros têm de Igreja é aquela que nós transmitimos”, conclui, prevenindo: “para chegarmos aos jovens teremos de pensar como eles pensam e não o contrário”. Joel Teixeira fez o chamado estágio-pastoral na paróquia de São Clemente de Loulé, o­nde acompanhou um grupo de jovens que se preparou para receber o Sacramento do Crisma, bem um grupo de catequese do 8º ano e o grupo paroquial de acólitos. Também na vigararia de Loulé/São Brás foi, conjuntamente com o padre Fernando Pedro, o responsável pelo Sector da Pastoral Vocacional.Também na paróquia da Sé, em Faro, acompanhou um grupo de jovens.Presentemente faz parte da equipa formadora do Seminário Diocesano e é membro da equipa do Secretariado Diocesano da Pastoral Vocacional.