Miguel Mário Neto, de quase 30 anos, que acedeu no passado dia 11 de Maio ao primeiro grau do sacramento da Ordem, foi agora ordenado presbítero, perante uma assembleia numerosa que encheu a ampla igreja e que, apesar do dia invernoso, se deslocou de vários pontos do Algarve, particularmente das paróquias de Quelfes, de onde é natural o ordenado, de São Pedro de Faro e de Monchique, onde estagiou o novo padre do Algarve, e de Tavira, onde também colaborou depois de ter vindo de Timor Leste. Para além destes, também muitos dos fiéis presentes eram da própria paróquia anfitriã, na qual colaborou e continuará a colaborar o padre Miguel Neto. Para além dos leigos, religiosos, seminaristas e do Bispo do Algarve esteve ainda presente o Bispo da Diocese de Baucau, D. Basílio do Nascimento, e a quase totalidade dos sacerdotes algarvios, assim como muitos vindos das dioceses vizinhas de Beja e Évora, com destaque para os membros da equipa formadora do Seminário de Évora. D. Manuel Quintas lembrou na homilia que, “entre os dons mais excelentes que Cristo deixou aos apóstolos e aos seus sucessores, foi o do ministério ordenado”, “dom que a Igreja distribui a alguns, a quem Deus elege e o povo confirma, para proveito de todos”. O Bispo do Algarve explicou que, “o presbítero é consagrado pela acção do Espírito Santo para anunciar o Evangelho, santificar e apascentar o povo de Deus e celebrar o culto divino, principalmente a Eucaristia”. “A identidade do ministério ordenado, enquanto participação íntima no sacerdócio de Cristo, faz daqueles que recebem este dom, na Igreja e para a Igreja, imagem real, viva e transparente de Cristo sacerdote”, elucidou, acrescentando que “esta identidade deve manifestar-se em todas as situações e circunstâncias da vida daquele que é ordenado: o exercício do múnus de ensinar impõe que o anúncio da Palavra seja acompanhado pelo testemunho pessoal de uma vida toda ela transformada pela Palavra que se anuncia”. Dirigindo-se directamente ao diácono Miguel Neto, o Bispo diocesano, considerando a celebração da solenidade da Imaculada Conceição, que embora assinalada pela Igreja no dia seguinte começava a ser celebrada naquela Eucaristia vespertina, pediu ao ordinando que consagre a Nossa Senhora o seu ministério presbiteral e também que tenha o apóstolo Paulo como uma referência permanente. “Faz da oração, particularmente da oração a Cristo presente na Eucaristia, a tua primeira prioridade pastoral. Confia mais naquilo que Deus, através do Espírito Santo, vai fazer em ti e por ti, do que naquilo que tu podes fazer por Ele. Na oração pessoal encontrarás sempre o discernimento e a coragem para viveres todo para Deus e todo para o seu povo, respondendo adequadamente aos apelos e urgências pastorais de cada lugar e de cada tempo”, exortou ainda o presidente da celebração. Aos presentes, D. Manuel Quintas, também pediu a oração. Primeiramente pelo presbítero que seria ordenado e pelos restantes membros do clero algarvio, invocando “o dom da fidelidade a Cristo e à Igreja e a coragem do apóstolo Paulo, para anunciar o Evangelho ao mundo e hoje”. Num segundo tempo, D. Manuel Quintas pediu aos fiéis que não esmoreçam “na oração e na solicitude pela promoção das vocações de consagração” e na estima pelos seminaristas, diáconos e presbíteros. Aproveitando a presença de muitos jovens pediu-lhes que abram o coração e a vida a Cristo. “Não tenhais medo dos seus apelos. Não recuseis os desafios que Ele semeia no vosso coração! Embora a vocação de consagração na Igreja, como o ministério ordenado, seja um dom gratuito de especial predilecção de Deus, não vos considereis, à partida, excluídos desse dom. Cristo conta convosco! A nossa Igreja diocesana precisa de vós!”, disse. Seguiu-se então o rito da ordenação, constituído por alguns gestos significativos, mas que teve como momento mais importante o da ordenação propriamente dita com a imposição das mãos do Bispo diocesano sobre o ordinando, seguida da imposição das mãos do Bispo timorense e pelos sacerdotes. Um dos momentos de destaque aconteceu já depois da ordenação com o recém-ordenado a ser revestido com as vestes presbiterais, trazidas pelos seus irmãos, recordando que, antes de mais, se deve continuamente revestir de Cristo. Significativo foi igualmente o gesto de colocação das suas mãos nas mãos do Bispo, símbolo de comunhão e de unidade, prometendo-lhe obediência e reverência enquanto sucessor dos apóstolos, sinal e garante da unidade da Igreja e desta com a Igreja de Roma. Igualmente significativa constituiu a concelebração eucarística já participada pelo padre Miguel Neto que se associou os Bispos e restantes sacerdotes presentes. No final da Eucaristia, D. Basílio do Nascimento recordou e agradeceu a ligação e colaboração entre as dioceses do Algarve e Baucau, assim como a passagem do novo sacerdote por Timor Leste. Também o novo padre interveio, visivelmente emocionado, para agradecer a Deus pela sua ordenação, pelos familiares, Bispos, formadores, sacerdotes, colegas e comunidades paroquiais e para pedir que seja capaz de ajudar a conduzir a diocese até Deus, “superando com fé, esperança e caridade as dificuldades do tempo presente”. A missa nova do padre Miguel Neto será celebrada no próximo dia 14 de Dezembro, pelas 15.30 horas na igreja paroquial de Quelfes. Mais fotos na Galeria de Imagens