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Diocese do Algarve apresentou Programa Pastoral para novo ano

Na Eucaristia que precedeu o início da Assembleia Diocesana, o Bispo do Algarve deixou o apelo às comunidades paroquiais, com vista a um melhor aproveitamento do Programa de Pastoral que iria ser apresentado. “Não podemos fazer prevalecer projectos pessoais, nem deixar que haja ‘ilhas’ numa diocese. Isso seria fragilizar o testemunho de Deus”, afirmou D. Manuel Neto Quintas, apelando à unidade da diocese em torno do caminho a seguir. “Não somos donos de nada, nem de ninguém”, lembrou o Bispo diocesano. O cónego José Pedro Martins, vigário episcopal para a pastoral, a quem coube fazer a introdução ao Programa, começou por lembrar o objectivo de um documento desta natureza. “Porque o anúncio de evangelização se faz no tempo e localizado, cada Igreja diocesana olha para os caminhos do povo que vive na sua área, a fim de ajustar a mensagem a transmitir às suas características e necessidades. É esta a finalidade de um Programa Pastoral”, assegurou. “Chegados ao terceiro e último ano deste programa, continuamos a solidificar o que tem vindo a ser proposto”, confirmou, acrescentando que o alcance das metas propostas este ano “supõe o empenhamento de todos: clero, institutos religiosos, comunidades paroquiais, vigararias, serviços centrais da diocese, movimentos eclesiais”, “exigindo que todos estes agentes evangelizadores as traduzam nos seus programas próprios com acções significativas e coordenadas”. “O importante é que tudo isto seja lido e reflectido pelos agentes evangelizadores, de modo a entrar nas suas prioridades e iniciativas”, afirmou o vigário episcopal para a pastoral. Vocações de Consagração, Família e Eucaristia Tal como tinha sido anunciado, o Programa Pastoral para 2005/2006 retoma as duas dimensões valorizadas no ano transacto e inclui um terceira que é novidade: a família. Perante uma assembleia de 300 pessoas, o padre Mário de Sousa, reitor do Seminário Diocesano de São José, a quem ficou destinado o desenvolvimento da dimensão das vocações de consagração, lembrou o trabalho iniciado já no decurso do ano passado. “Ao longo do último ano procurámos imprimir na diocese um ambiente e um ritmo vocacional”, recordou, fazendo referência ao Lausperene Diocesano realizado. “O Lausperene ajudou-nos a vencer temores e receios humanos e a propor a jovens concretos: ‘E tu, porque não és capaz?’”, argumentou, considerando que “se calhar os jovens das nossas paróquias têm a experiência do medo e do receio e precisam da nossa ajuda para poderem confiar muito mais no amor de Deus do que nas suas debilidades”. A este propósito, o reitor do Seminário diocesano fez ainda questão de afirmar que a equipa coordenadora daquela instituição diocesana “está para apoiar as paróquias”. No entanto, alertou o sacerdote, “é necessário que rezemos para que o Senhor nos dê os trabalhadores que nós merecermos”, sublinhando que “a crise de vocações pode corresponder a uma crise de sentido comunitário e eclesial”. Enumerando os frutos da oração relizada o ano passado em torno das vocações de consagração, referiu-se aos 14 seminaristas algarvios (4 no Seminário de Faro, 7 no Seminário Maior de Évora e 3 finalistas no Algarve), à rapariga que entrou para as Carmelitas Missionárias, em Espanha, à jovem que foi fazer uma formação, em França, com a Comunidade Emanuel e aos 40 pré-seminaristas (entre universitários e estudantes do ensino básico) que surgiram a partir do trabalho realizado pela Pastoral Vocacional. “Rezámos, aqui temos os frutos”, disse. E procurando mobilizar os presentes para a continuidade da oração, referiu-se ao Lausperene que voltará a ser realizado na diocese. Considerando que “o trabalho com as vocações sacerdotais é imprescíndivel no futuro da Igreja diocesana”, o padre Mário de Sousa apelou a que, “como consequência do Lausperene Diocesano, seria bom que, em cada paróquia da diocese, se estabelecesse um dia mensal de oração pelas vocações e fosse constituida uma equipa vocacional”. O padre Henrique Varela, assistente do Sector Diocesano da Pastoral Familiar, e responsável pelo desenvolvimento da dimensão da pastoral familiar, presente no Programa Pastoral, começou por classificar a família como um “vector importante para levar por diante a evangelização na diocese”. “Para que a nossa diocese chegue a ser uma comunidade verdadeiramente cristã é preciso investir prioritariamente na família”, afirmou, esclarecendo que “esta é uma prioridade que leva a dar base à prioridade das vocações”. Tendo apresentado um testemunho sobre um trabalho elaborado por um grupo de casais da diocese do Algarve, o sacerdote defendeu que o objectivo da pastoral familiar na diocese terá de ser “levar as famílias do Algarve à descoberta do verdadeiro desígnio de Deus sobre o Matrimónio e sobre a família”. “É preciso que haja um serviço à família, apoiado em celebrações pontuais, momentos de formação e sobretudo com uma atenção muito grande aos casais que se aproximam da Igreja e que tantas vezes são deixados no esquecimento”, concretizou, apontando alguns exemplos concretos de acções que deverão ser implementadas. “Pertence à equipa de pastoral familiar ter listas de todos os casais que passam pelos CPM – Centros de Preparação para o Matrimónio, de todos os pais que participam nas preparações para o Baptismo, dos pais das crianças que têm os filhos na catequese. Se isto for feito este ano daremos um passo muito grande para que este serviço à paróquia gere famílias verdadeiramente cristãs e daí possam resultar vocações de consagração e outras”, concluiu. A sintonia da diocese algarvia com a Igreja universal foi o aspecto primeiro salientado na intervenção do padre Carlos de Aquino, para quem “a diocese do Algarve também tem centrado a sua acção e dinâmica pastoral nos últimos anos, a partir do mistério da Eucaristia, acentuando-se agora de modo particular a vertente de dom para a missão, de o­nde brotam os ministérios da caridade e do anúncio profético”. O sacerdote, director do Secretariado Diocesano da Liturgia, a quem coube o desenvolvimento da dimensão eucarística do Programa Pastoral, recordou que “a Eucaristia não é um tema, mas o coração da vida cristã”. “É o rosto da Igreja, não apenas um apêndice num programa pastoral, o que exige de todos uma espiritualidade eucarística, ou seja, um projecto de vida verdadeiramente alicercado na Eucaristia”, complementou o padre Carlos de Aquino, acrescentando que “os comportamentos eucarísticos a que a celebração nos educa devem ser cultivados numa vida espiritual profunda de acordo com a vocação e o estado de vida de cada um”. “No fim de contas, o grande desafio é sermos íntimos. Já não basta sermos vizinhos, nem estarmos próximos do mistério”, sintetizou o sacerdote. Catequese Perante o problema concreto da diminuição do número de crianças que frequentam a catequese, apresentado na intervenção do Bispo diocesano, o cónego José Pedro Martins, vigário episcopal para a pastoral, defendeu ser “preciso promover a catequese nos centros, fora da sede da paróquia”, “apostar no acompanhamento das crianças da catequese e famílias com vista à sua participação na Eucaristia” e “sensibilizar os vizinhos para importância da frequência à catequese das suas crianças”.

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