Segundo D. Manuel Neto Quintas, esta entidade agora constituída resulta da união da diocese do Algarve a um grupo de leigos que se opõe ao referendo que se prevê realizar sobre a questão do aborto. Segundo o Prelado, “irá previligiar-se a autonomia do grupo de trabalho no sentido de desligar a questão do aborto como uma questão confessional”. “É uma questão de consciência e de ciência e não podemos identificar a oposição ao aborto como pertencendo a determinada religião”, acrescentou o Bispo diocesano à FOLHA DO DOMINGO. D. Manuel Quintas explicou que “tinha já a ideia de criar uma equipa, a nível da diocese, com o objectivo de assegurar a logística e de sensibilizar paróquias, movimentos e grupos”. “Paralelamente a esta minha ideia surgiu, espontaneamente no Algarve, da parte de algumas pessoas que se opõem a este referendo, a ideia de criar uma equipa que liderasse todo este processo e isso veio ao encontro daquilo que é o meu pensar e sentir”, complementou, considerando que “quanto mais ampla e diversificada for a equipa, melhor ela atinge a sua finalidade e objectivo”. Objectivo esse que deverá ser o de “esclarecer as pessoas de modo que possam decidir, com toda a liberdade, mas ao mesmo tempo com convicção sobre aquilo que acham mais conveniente”. “Para nós é evidente, devido à consciência que temos daquilo que é o aborto e também aos dados científicos que conhecemos, que não hesitamos em nos opormos a este referendo sobre o aborto”, concluiu, afirmando que “a questão do aborto é uma questão de esclarecimento”. A primeira reunião da Comissão em causa aconteceu na passada terça-feira, em Faro.