Pelas 17 horas do dia 4, concentraram-se todos os peregrinos algarvios no Calvário Húngaro para início da celebração orientada pelo padre Carlos de Aquino, com muitos cânticos e a participação activa de todas as vigararias da diocese. Depois da proclamação da Palavra, com a intervenção de vários leitores, D. Manuel Neto Quintas pronunciou uma pequena homilia, começando por saudar os peregrinos de todas as vigararias reunidos em oração, numa atitude de, como Maria, dizerem o seu Sim a Deus. E em síntese, falou do grande Sim da Virgem Maria desdobrado, ao longo da sua vida, nos vários sins desde o anúncio do arcanjo Gabriel, passando pela Apresentação no Templo e terminando no sim silencioso no Calvário, sem qualquer dramatização. Depois, referindo-se no projecto de Deus, o Bispo do Algarve fez uma profunda analogia entre o Sim de Maria e a Eucaristia. Ao mesmo tempo, referiu que, «quando dizemos o “Amen” na Eucaristia estamos a unir-nos a Maria e por isso devemos tomar a firme decisão de com Ela crescermos na fé e como Ela cumprirmos a vontade de Deus em todos os momentos e circunstâncias da nossa vida, para sermos testemunhas, pois, como sabemos, a Igreja a que todos pertencemos é serva que vive da Eucaristia e para a Eucaristia». E ao terminar, D. Manuel Quintas exortou os peregrinos a regressarem a suas casas e às suas paróquias «com Maria e verdadeiramente de almas renovadas». Já no final da celebração, o Bispo do Algarve, invocando a Virgem Santíssima, consagrou toda a sua diocese à protecção de Nossa Senhora, Mãe da Igreja. Pelas 21.30 horas, D. Manuel Neto Quintas, presidiu ao terço rezado em várias línguas, na Capelinha das Aparições, seguido da Procissão de Velas que integrou várias outras peregrinações nacionais e internacionais. No dia 5, o Bispo diocesano presidiu, pelas 10.15 horas, tanto à oração do terço na Capelinha das Aparições, como, seguidamente, à Missa concelebrada com D. Francisco, Bispo oriundo da República Dominicana, no altar do recinto. Após as leituras, proclamadas em várias línguas, D. Manuel Neto Quintas proferiu uma homilia, começando por saudar primeiramente, o Bispo concelebrante, os sacerdotes e diáconos, consagradas e consagrados e os leigos vindos das diferentes partes de Portugal e de outras partes do mundo. Referiu a razão deste encontro, salientando que, além da diocese do Algarve, peregrinaram ao Santuário de Fátima, as Famílias Redentorista e Dehoniana, esta última com o «objectivo particular de acção de graças a Deus pelo dom da beaticação do seu fundador, o padre Leon Dehon». E dirigiu também uma palavra à Cáritas que realizava a sua peregrinação nacional. Depois, falou dos motivos que inspiraram a peregrinação e o sentido da mensagem de Fátima e dos seus apelos, em consonância com «a Palavra que acabámos de escutar». Mensagem essa que a Igreja acolheu: «oração e penitência» que «adquire um lugar tão importante na acção pastoral e na vida dos cristãos porque ela se situa no próprio coração do Evangelho». E prosseguindo disse que essa mensagem «reflecte-se hoje, na Palavra de Deus proclamada», tanto na primeira leitura como no Evangelho: «Eu quero misericórdia e não sacrifício…»; «prefiro a misericórdia ao sacrifício…». E falou do amor misericordioso, do amor desmedido de Deus exemplicficando com várias passagens do Evangelho. Quanto ao sacríficio depois de o definir e dimensionar apresentou os beatos Francisco e Jancinta como testemunhas dessa entrega heróica aos padecimentos tanto procurados como aos enviados por Deus… E comentando a primeira leitura do profeta Oseias chamou a atenção para a verdadeira «conversão pessoal sincerra e permanente, ao amor de Deus e ao amor dos irmãos». Sobre o Evangelho, D. Manuel Quintas colocou a tónica na proposta de salvação que Jesus formula de forma clara e que é para todos sem excepção. Indica o percurso de Mateus, como seguiu, prontamente Jesus, e como todos devem aceitar o Seu convite para serguirem sem hesitações. E numa breve referência à segunda leitura apresentou Abraão como modelo de fé e de esperança e concluiu dirigindo-se aos peregrinos, nestes termos: «Não basta vir a Fátima; não basta pisar este lugar sagrado, para já termos realizado o apelo à conversão da mensagem aqui deixada e hoje renovada pela Palavra de Deus. O essencial do culto que prestamos a Deus não pode reduzir-se a actos externos, desligados da vida, ou a uma declaração de bons propósitos, formulados mesmo em dia de peregrinação, mas que depois não encontram continuidade na nossa vida. Caros peregrinos, não podemos regressar às nossas terras e às nossas casas como se nada tivesse acontecido… Não basta “passarmos por Fátima” é preciso que “Fátima passe por nós”. Não basta virmos a Fátima; é preciso que Fátima vá connosco. E Fátima passa por nós e vai connosco: – quando nos abrimos ao amor e à misericórdia de Deus; – quando correspondemos ao amor de Deus por nós; – quando nos decidimos a abandonar uma vida cristã marcada pela rotina de gestos rituais vazios; – quando seguimos Cristo nos seus gestos concretos de amor, de bondade e de misericórdia; – quando em ano eucarístico descobrimos e saboreamos sempre mais a beleza e a grandeza deste mistério de amor; – quando, correspondemos também ao convite NÃO MATARÁS, proposto por este Santuário a todos os peregrinos ao longo deste ano e nos tornamos verdadeiros apóstolos do Evangelho da Vida, anunciando, celebrando, defendendo e promovendo, com todos os meios, a vida humana. Que Maria, Mãe de Jesus e nossa mãe e que aqui veneramos e invocamos como a Senhora do Rosário de Fátima nos abençoe, nos acompanhe e nos fortaleça no cumprimento dos propósitos e resoluções, que queremos levar deste santuário para a nossa vida».