Promovida pelo Departamento Diocesano da Pastoral Litúrgica (DDPL), a iniciativa contemplará a mostra de cerca de 30 peças do património mariano religioso algarvio, com origem desde o século XV até ao século XX. Escultura (sobretudo imaginária), paramentaria, alguma pintura (como ex-votos) serão as áreas artísticas mais representadas nas duas salas do primeiro piso e na antiga capela do edifício que acolhe a exposição. O padre Carlos de Aquino, coordenador do DDPL, explica que “o interesse não foi reunir muitas imagens, mas as mais significativas da diocese, de acordo com o desenho da própria exposição mariana”. O sacerdote esclarece igualmente que “quando foi proposto à diocese dois anos de vivência cristã, a partir do acolhimento da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, o DDPL pensou também associar-se a esse acontecimento e promover várias acções específicas do seu âmbito ao nível cultural”. “Realizou-se a cantata sobre Nossa Senhora de Fátima em Portimão e pensámos que seria oportuno, uma vez que a Diocese do Algarve, tem um valioso património mariano, promovermos uma exposição de arte sacra que englobasse todo o território do Algarve, desde o Sotavento até ao Barlavento, do interior ao litoral, nas principais invocações de Maria. E fizemo-lo no contexto do finalizar desta peregrinação de Nossa Senhora de Fátima à diocese”, complementa o sacerdote, acrescentando ter sido dado acolhimento a uma vontade do Bispo do Algarve no sentido de valorizar o Paço Episcopal, tornando parte do seu edifício num espaço de exposições de arte e património. O responsável pela exposição explica ainda a designação da exposição “exactamente porque a maior parte das invocações do povo cristão do Algarve sobre Nossa Senhora estão muito relacionadas com o mar e com os pescadores”. “É um tema abrangente que diz muito do povo do Algarve e da sua característica própria”, justifica. Dividida em três partes, a exposição terá uma primeira secção, subintitulada ‘Nos caminhos da devoção’, que visa evidenciar a veneração do povo algarvio a Nossa Senhora; uma segunda parte – ‘Feliz é Tu porque acreditaste!’ – sobre a contemplação de Maria a partir da própria graça de Deus n’Ela, com destaque para a sua a história e missão a partir daquilo que a Sagrada Escritura refere; e uma terceira secção – ‘Santa Maria… rogai por nós’ – em que o visitante é colocado diante das principais invocações com que Maria é venerada também no Algarve. Depois da exposição da Diocese de Beja que esteve patente no Paço Episcopal, de 27 de Dezembro de 2005 a 30 de Setembro de 2006, esta é a segunda iniciativa do género que se organiza no mesmo local. O padre Carlos de Aquino explica que o decurso de tempo que separou as duas iniciativas “deveu-se à necessidade de adaptar de novo todo o espaço em termos de electricidade, segurança e mobiliário”, por forma a garantir no futuro as próprias exposições da diocese algarvia, deixando em aberto a possibilidade de realização de outras mostras. Em termos de apoios, o sacerdote assegura não ter havido contribuições, no sentido monetário, para nenhuma das obras realizadas, apenas o contributo de uma empresa de instalação do sistema de videovigilância. No entanto, o coordenador do DDPL aguarda ainda a resposta de algumas entidades oficiais, de modo particular o Governo Civil do distrito e a Câmara de Faro, “a quem foi solicitado um contributo para o efeito”. O sacerdote lamenta ainda a falta de colaboração de algumas paróquias algarvias e lembra que “estas exposições, promovidas pela diocese, não pretendem saquear património das paróquias, mas promover esse património e a arte que temos e que existe”. Lastimou ainda que a arte não seja contemplada e não sirva para ser “memória viva como expressão de um povo que acredita, que busca e que espera”. “Se não for através destas iniciativa é difícil as pessoas, e de modo particular o turismo que nos visita, poderem ter conhecimento deste valor imenso artístico e patrimonial que é desconhecido de todo”, acrescentou. A cerimónia de inauguração do próximo dia 16 de Julho (dia litúrgico da memória de Nossa Senhora do Carmo), presidida pelo Bispo do Algarve, na antiga capela do Paço Episcopal de Faro, terá início pelas 19.30 horas e contará com momento musical protagonizado por uma paroquiana da Sé de Faro, seguido da apresentação geral, enquadramento e objectivos da exposição e de uma visita dos convidados à mesma. A mostra ficará patente até à conclusão da visita da imagem peregrina da virgem da Cova da Iria ao Algarve que será entregue ao Santuário de Fátima a 5 de Outubro próximo, no âmbito de uma peregrinação da Diocese do Algarve. A organização explica ainda que a entrada na exposição será feita mediante a aquisição um ingresso que terá o “valor simbólico” de 1 euro como “um contributo que ajudará a minorar as despesas”.