A Assembleia Diocesana, em que foi apresentado o Programa Diocesano para 2006-2012, deteve-se sobretudo na análise ao primeiro dos seis anos e ficou marcada pela intervenção do Serviço de Animação Comunitária do Movimento por um Mundo Melhor. Os participantes procuraram identificar alguns dos problemas que afectam a Igreja algarvia e conheceram o projecto de análise da realidade que pretende levar a “identificar os desafios que Deus faz à diocese para a nova evangelização”. Formação de agentes constituirá a “revitalização das comunidades algarvias” Depois da oração de laudes que deu início à Assembleia Diocesana, o Bispo do Algarve apresentou as linhas gerais da programação da Igreja algarvia para os próximos 6 anos. D. Manuel Quintas, começando por deixar claro que aquela jornada constituia, acima de tudo, um “encontro de trabalho”, iniciou a sua intervenção salientando que qualquer Programa Pastoral “nunca é uma ruptura com o passado”. E num exemplo disso mesmo, acabaria por referir-se, mais à frente na sua apresentação, à necessidade de promoção de uma pastoral apoiada numa “comunidade ministerial”, na “escuta da palavra”, na “valorização e celebração do Domingo e da Eucaristia” ou no “exercício da caridade”, algumas “exigências” do novo Programa retomadas dos últimos anos. D. Manuel destacou mesmo as dimensões da Família, Vocações e Caridade como aspectos prioritários a acentuar no novo Programa Pastoral, classificando-as como o “núcleo inspirador” do projecto. A propósito da pastoral vocacional, o pastor da Igreja algarvia apelou a um “grande movimento de oração” em torno da dimensão vocacional, “uma das prioridades da comunidade cristã”.“ Não se trata também de um documento fechado”, disse o Bispo do Algarve, considerando que o novo Programa Pastoral “está marcado pela abertura aos sinais dos tempos, pela resposta aos apelos do Espírito” e é sobretudo “fruto de uma reflexão alargada e do contributo de todos”, representados “nos órgãos colegiais mais significativos da diocese”. Sobre a temática inspiradora “Fazei o que Ele vos disser” (Jo 2,5) destacou tratar-se de uma “expressão de Maria que convida a escutar”, acrescentando que ao “escutar” segue-se o “conhecer”, o “seguir” e o “anunciar”. “Conhecer a realidade concreta. Escutar prende-se com a dimensão da Palavra e da oração. Seguir implica a identidade e anunciar está relacionado com o testemunho”, justificou. A propósito da passagem da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima pelo Algarve, exortou a diocese a “preparar bem” esse acontecimento. Sobre a formação de agentes, um dos meios operativos apontados já para este ano de 2006/2007, D. Manuel Quintas entende que constituirá a “revitalização” das comunidades algarvias. “Formação a todos os níveis e em todas as idades”, complementou o Bispo diocesano, referindo a pastoral catequética (em torno da preparação para o Sacramento do Crisma), a pastoral matrimonial e a pastoral familiar. Ainda sobre os agentes deixou claro a necessidade de alargamento do número “daqueles que servem”, para que “sejam muitos a fazer pouco”. “É importante que passemos de poucas pessoas quase em tudo a muitas pessoas em quase pouco”, concretizou. O Prelado destacou ainda a própria Assembleia Diocesana como resposta da diocese no apoio às paróquias para o levantamento da realidade explicada em detalhe pelo Serviço de Animação Comunitária do Movimento por um Mundo Melhor. Igreja algarvia quer fazer análise sociológica da sua realidade segundo uma leitura cristã Esta foi a ideia que os responsáveis do Serviço de Animação Comunitária do Movimento por um Mundo Melhor (SACMMM) ajudaram a vincar na Assembleia Diocesana do passado dia 5 de Outubro. Começando por ajudar a compreender o sentido espiritual da análise da realidade que, este ano, a diocese do Algarve pretende realizar, o cónego José Manuel de Melo, um dos responsáveis daquele serviço, considerou que “o trabalho que a diocese pretende fazer é profundamente espiritual” e lembrou que “os sinais de Deus estão presentes no mundo em que vivemos”. De seguida enunciou os requisitos e atitudes para “uma boa análise da realidade”. Defendendo a necessidade de uma “humildade intelectual”, interrogou: “conhecemos mesmo a nossa realidade segundo a perspectiva de Deus?”. A “liberdade interior” e o “conhecimento da realidade tal como é”, procurando conhecer a sua “própria história de salvação” foram os outros aspectos salientados pelo sacerdote que apelou a uma “interpretação profunda do momento histórico actual”, uma análise que “culminará na descoberta de como está presente o Mistério Pascal na realidade”. “O momento crucial do estudo da realidade é quando percebemos que ali se vive o Mistério de Morte e Ressurreição de Jesus Cristo”, afirmou.“ A análise que se pretende não é simplesmente uma análise histórica ou uma recolha de dados. É uma análise sociológica, mas interpretada segundo a cultura cristã”, clarificou o cónego José Manuel de Melo, salientando ser “fundamental uma atitude de fé, de esperança, de amor”. Uma “atitude contemplativa”, mas simultaneamente “activa”, complementou. “Não vamos fazer o estudo da realidade de qualquer maneira, mas como se fosse uma oração”, esclareceu o cónego José de Melo. Salientando que se trata de uma “leitura dos sinais dos tempos”, defendeu ser necessário “ouvir os apelos evangelizadores que a realidade lança”, procurando fazer “uma leitura cristã” dos factos. A propósito do itinerário a seguir, o responsável do SACMMM lembrou a necessidade de fazer uma “primeira apreciação do problema fundamental”, “a partir dos sintomas de insatisfação existentes”, seguindo-se a “análise dos condicionamentos”, procurando perceber o “contexto em que se encontra a paróquia”, ou seja a sua própria realidade, complementada depois com uma “visão retrospectiva”, procurando conhecer os “antecedentes históricos”. “Só depois, – defendeu o cónego Melo –, se deverá avançar com um prognóstico dos futuros possíveis” e avançar com o “diagnóstico”, procurando o “tratamento”, percebendo os “obstáculos e as potencialidades”. Este caminho deverá ser trilhado em comunidade, aconselharam os responsáveis do movimento. Para isso defenderam não só a constituição de “grupos de trabalho” como a “envolvência da comunidade toda”, tanto na concretização dos inquéritos e recolha de dados, como nos momentos celebrativos, cuja realização sugeriram. Ausência de Deus e distanciamento entre os baptizados e a Igreja foram o problema identificado Começar por perceber quais são os sintomas de insatisfação existentes foi o que procurou fazer o padre Paulo Gerardo, actual director do Serviço de Animação Comunitária do Movimento por um Mundo Melhor. Depois de uma breve discussão em grupo, proposta pelo sacerdote, sobre as insatisfações do povo, dos agentes, dos serviços, e das próprias estruturas da pastoral, os delegados concluíram que existe “falta de sintonia entre a sociedade e a Igreja” e que “o modelo de Igreja proposto pelo Concílio Vaticano II ainda não foi entendido”. Os delegados destacaram ainda a “falta de motivação, unidade e comunhão”, que “os serviços que existem não atingem a todos e estão desarticulados entre si” e a “desarticulação entre as estruturas para as exigências de hoje”, tendo-se, no final, concluído que a “ausência de Deus”, bem como “grande distanciamento entre os baptizados e a Igreja”, são hoje o problema de fundo comum às comunidades paroquiais do Algarve. Recolha de dados pretende identificar desafios que Deus faz à diocese para a nova evangelização A diocese do Algarve propôs-se perceber quais os desafios que Deus lhe coloca com vista à nova evangelização e o caminho a trilhar para a consecussão desse objectivo passa pela realização do estudo da sua realidade. Nesse sentido, já na segunda metade da Assembleia Diocesana, após o almoço, a intervenção do padre Paulo Gerardo prosseguiu com a concretização do que é pedido à diocese do Algarve. O responsável pelo Serviço de Animação Comunitária do Movimento por um Mundo Melhor (SACMMM) referiu-se com detalhe ao guia para recolha de dados para análise da realidade paroquial. O documento requer, para além da realização do “mapa da paróquia”, incluindo a sua geografia, principais centros de interesse como escolas, zonas comerciais, ou centros desportivos e culturais, a recolha de elementos demográficos, etnico-culturais, socio-religiosos, socio-económicos, socio-político e socio-familiares. Elementos como a composição das famílias, a percentagem de imigrantes e emigrantes existentes, a existência de grupos étnicos ou religiosos não católicos, o nível de vida económico-social, as principais organizações políticas ou a assistência social e de saúde, são alguns dos requeridos às paróquias com vista a entender sempre “que estados de espírito, atitudes e comportamentos determinam no povo”. O documento solicita ainda a descrição da paróquia como realidade religiosa, a nível da religiosidade popular, de pequenas comunidades, de pastoral familiar e de outros sectores da pastoral, movimentos ou serviços pastorais, tendo sempre como objectivo último entender que problemas existem a esses níveis.“ Parecendo um inquérito grande, não é muito complicado de fazer”, considerou o padre Gerardo, referindo que “estes resultados, geralmente, já existem nas Juntas de Freguesia”. “Não é preciso uma recolha muito exaustiva. Trata-se de uma grelha de ajuda, não sendo para atrapalhar”, esclareceu, acrescentando que “o inquérito não é para ficar guardado numa gaveta”. “Os resultados ajudarão a perceber como é que Deus está presente no meio do seu povo”, salientou o padre Paulo Gerardo, advertindo que “se isto for assumido ficarão com os desafios que Deus faz à diocese para a nova evangelização”. Os responsáveis do SACMMM estimularam ainda à realização de momentos celebrativos ao longo do ano, propondo diversas actividades como jograis, cartazes, vias sacra, dia da igreja diocesana, entre outras. O padre Paulo Gerardo sensibilizou igualmente para a constituição de equipas diocesana, vicariais, interparoquiais e paroquiais de apoio ao projecto. Constituição de equipas vicariais é a próxima prioridade Com a equipa diocesana de apoio ao projecto automaticamente constituida por força da sua existência como Comissão Permanente do Conselho Diocesano de Pastoral, a prioridade recai agora na criação das equipas vicariais. Logo após a intervenção do Serviço de Animação Comunitária do Movimento por um Mundo Melhor, os delegados reuniram-se por vigararias de origem, com o objectivo de escolherem esses mesmos grupos de trabalho. No entanto, quer pela contigência do horário, pelo facto de a maioria das pessoas não ter entendido o que era pedido, ou por o grupo presente não ser verdadeiramente representativo, apenas duas vigararias o conseguiram cumprir. Tavira e Lagos escolheram logo ali os elementos, enquanto as quatro restantes vigararias entenderam remeter a decisão ou para a reunião mensal do clero a decorrer ainda este mês, ou para uma escolha a efectuar no seio das comunidades paroquiais constituintes, ou ainda para uma futura reunião a agendar com os responsáveis da vigararia.