Pensados para um período de 10 anos, os actuais manuais estão a fazer 15 anos, e impôs-se, face à transformação da sociedade, uma reestruturação dos mesmos. À diocese algarvia, o SNEC – Secretariado Nacional da Educação Cristã, propôs a recriação dos catecismos do primeiro e segundo anos, fornecendo-lhe as linhas programáticas, garantia de uniformidade no projecto nacional da catequese de iniciação. “O processo conheceu altos e baixos, mas neste momento temos o primeiro catecismo completamente estruturado, havendo do segundo só algumas propostas, mas nada ainda escrito”, informou a irmã Maria José. “O primeiro catecismo será trabalhado por cada criança e, por isso, será pessoal e intransmissível. Através do manual será feita também, semana a semana, a interligação com a família”, complementou a religiosa, identificando dois dos principais aspectos inovadores introduzidos na revisão. O manual do segundo ano deverá ser entregue ao SNEC em Outubro/Novembro próximo, pelo que a equipa continuará a trabalhar, apesar da saída da diocese da irmã Maria José. As propostas dos catecismos depois de elaboradas serão apreciadas pela Comissão Episcopal. “Não tem sido fácil conciliar o trabalho na diocese com este projecto nacional, como não tem sido fácil conciliar o trabalho, tendo em conta as diversas propostas enviadas pelo SNEC, que se têm substituído umas às outras”, considera a irmã Maria José, assegurando que “é mais difícil rever do que fazer”. “O catecismo do primeiro ano implicou uma grande renovação e foi quase um catecismo feito de raiz”, complementou. Da diocese algarvia, a equipa restrita participante deste trabalho (tendo entretanto saído um elemento) foi constituída, para além da irmã Maria José, pelo cónego José Pedro Martins, Rosalinda Lourenço, Susana Coelho e Graciete Egídio e contou com a colaboração de Luís Alberto Guerreiro. Relativamente à crítica que é feita muitas vezes ao facto de o actual processo catequético não garantir uma iniciação cristã ao final dos 10 anos de catequese, a irmã Maria José mostra-se convicta de que “a falha está mais relacionada com um conjunto de factores da sociedade do que com uma deficiência ao nível da catequese ou catequistas”. “Hoje vivemos numa sociedade de muitos valores e contravalores que privilegia o imediatismo. A formação e vivência da fé não são feitas disto, mas implicam sacrifício, doação e cruz. As nossas crianças hoje estão muito expostas fora de casa. Esta dinâmica da formação da fé ligada à vida torna-se muito difícil de a vivermos. Já lá vai o tempo, infelizmente, em que em casa os valores cristãos continuavam a ser propostos e vividos na família. Esta iniciação cristã que ainda se vai fazendo muitas vezes não encontra eco no seio familiar e muito menos na sociedade e nas escolas”, considera. “A juntar a isto – acrescenta a religiosa – há ainda a fase da adolescência que absorve tudo o que vem de fora, que dá prazer e dá a impressão de crescer muito depressa, muitas vezes contrapondo com o que foi ensinado na catequese”.