A jornada de formação que decorreu em Vilamoura, no Tivoli Marinotel, sob a presidência do Bispo do Algarve, D. Manuel Neto Quintas, teve como orador o padre Adérito Gomes Barbosa, doutorando em Ciências da Educação, licenciado em Pastoral Juvenil e professor da Universidade Católica Portuguesa. Na sua primeira intervenção, durante a manhã, o orador fundamentou a sua exposição na metodologia usada por São João Bosco, reconhecido educador e pedagogo, cuja memória se recorda precisamente todos os anos a 31 de Janeiro. Adérito Barbosa introduziu a sua primeira intervenção começando por classificar D. Bosco como «modelo de educação para os valores» que fez a sua «opção educativa pela juventude». Salientando que «a educação deve levar à reflexão, à humanização do ser humano», o orador destacou a obra do Oratório realizada pelo educador italiano. O «internato para acolher os abandonados», a «escola profissional de artes e ofícios para ensinar o trabalho e tornar os jovens capazes de ganhar honestamente a vida», «a escola de estudos humanísticos aberta ao ideal da vocação sacerdotal», a promoção da «boa imprensa e das iniciativas e métodos recreativos (teatro, bandas de música, canto, passeios de Verão)» foram alguns dos exemplos referenciados por Adérito Barbosa. O orador recordou também que «ainda hoje se fazem as mesmas questões que D. Bosco fazia no início do seu ministério». «Não faltam hoje entre os jovens do mundo, grupos sensíveis aos grandes valores do espírito, desejosos de ajuda e de apoio no amadurecimento da sua personalidade», afirmou, salientando que esta tarefa deverá ser «realizada pelo educador com competência e sabedoria, depois de ter conhecimento da realidade concreta». O ponente sublinhou que o significado do «termo preventivo», utilizado pelo pedagogo D. Bosco, «recorda a vontade de prevenir o surgir de experiências negativas que podem comprometer as energias dos jovens, podendo levar a longos esforços de recuperação». Em contraposição, Adérito Barbosa destacou «a arte de educar de modo positivo» defendida por D. Bosco, «propondo o bem em experiências adequadas e empenhativas, capazes de atrair pela sua beleza e nobreza; crescendo, a partir de dentro, apelando à liberdade interior; conquistando o coração dos jovens para os encaminhar para o bem, corrigindo docilmente os erros», com vista à «sólida preparação do seu carácter». O orador frisou ainda que, «para D. Bosco, educar comporta uma atitude própria e um conjunto de procedimentos que classifica de caridade pastoral, englobando três aspectos: razão, religião e amabilidade». «A razão sublinha o valor da pessoa, da consciência e da natureza humana, da cultura, do trabalho, do viver social, ou seja, a “bagagem” necessária para a vida familiar, civil e política», esclareceu. Adérito Barbosa defendeu que «o educador deve educar para a responsabilidade», sendo capaz de «reconhecer, a paz, a liberdade, a justiça, a comunhão, a participação, a promoção da mulher, a solidariedade, o desenvolvimento e as urgências ecológicas como valores que atraem os jovens». Sobre o segundo termo – religião – refere o orador que «indica que a pedagogia de D. Bosco é transcendente, na medida em que propõe a formação do crente, o homem novo formado e amadurecido». Relativamente ao aspecto da amabilidade, Adérito Barbosa considerou ser «uma atitude quotidiana que implica disponibilidade, traduzida no empenhamento do educador totalmente dedicado ao bem dos educandos». «Importa que os jovens não só sejam amados, mas sintam que são amados», lembrou o ponente, fazendo memória de uma expressão utilizada pelo pedagogo italiano. Adérito Barbosa que defendeu que «a juventude não é momento de transição, mas tempo real para a construção da realidade e personalidade», apontou ainda algumas características que devem ser próprias de um educador, bem como as opções que, por aqueles agentes educativos, devem ser tomadas com vista a proporcionarem aos seus educandos a possibilidade de conhecerem e elaborarem um projecto de vida. Após o almoço, a segunda intervenção de Adérito Barbosa pretendeu analisar os «conteúdos da pessoa na sua interioridade», considerando que «aquilo que a impele ou atrai são as necessidade e os valores que se exprimem nas atitudes». O orador, referindo-se às necessidades como «tendências inatas à acção e não suficientes por si só para realizar a acção», enumerou os tipos de necessidades e as suas características. Classificou as atitudes como «estado mental de disposição para responder» que «vêm antes da acção» e descreveu as suas componentes e funções. Sobre os valores, que classificou como «ideais duradouros e abstractos que se referem tanto à conduta actual como ao objectivo final da existência», identificou as suas finalidades, funções e tipos. D. Manuel Neto Quintas que se congratulou com a realização de mais uma edição daquela jornada de formação dos docentes algarvios, teve uma palavra de reconhecimento do valor da sua missão e apoio para com os professores presentes. O Dia Diocesano do Professor contou igualmente com a presença da directora regional adjunta de Educação, Maria Isabel Bispo.