Joaquina Neto, mãe do futuro sacerdote algarvio, explica ter nascido numa família católica, formação que diz ter procurado transmitir também aos seus filhos, o que fez com que o diácono Miguel Neto começasse a participar desde logo na comunidade paroquial. Bastante mais novo que os irmãos, “apesar de muito amigos dos irmãos, o Miguel foi muito diferente deles, por não querer ir trabalhar cedo, procurando sempre prosseguir os estudos”, assegura a mãe, testemunhando que “enquanto os irmãos queriam ir trabalhar no campo, o Miguel refugiava-se em casa a estudar”. Apesar disso, a determinada altura sentiu o filho “meio perdido”. “Foi nesse momento que surgiu o convite do pároco de Quelfes, o padre Joaquim Nunes, para entrar no Seminário”, recorda, garantindo que ficou feliz sem nunca pressionar o filho. “Foi sempre de acordo com a vontade dele. Apoiei-o em tudo”, justifica, reconhecendo que o diácono Miguel Neto, no princípio, “tinha muita vergonha de dizer que estava no Seminário”. “Ele teve muitos altos e baixos, mas agora vejo-o mais e feliz e eu estou feliz também”, refere a mãe, assegurando que os irmãos também “aceitaram bem esta decisão”. O pai, Manuel Neto, diz crer que foi em Timor que ele discerniu que era mesmo isto que queria. Joaquina Neto diz-se “nervosa, mas ansiosa” com a espera do dia da ordenação. “Como católica sei o valor que tem uma vocação sacerdotal na família. É uma grande graça que Deus nos dá, reconhece, afirmando que pôs a render os dons que Deus lhe deu da melhor maneira que soube. Consciente de que o seu filho “é muito humilde e obediente”, Joaquina Neto acha que o futuro sacerdote algarvio “vai ser amigos dos jovens”, até por ter sido esse, um dos motivos que o levou ao Seminário. “Um dia disse-me que queria ir para o Seminário para ajudar os jovens, pois via-os muito mal encaminhados”, justificou, acrescentando que não gostava de ver o seu filho assumir a paróquia natal. “Não gostava que ele fosse pároco de Quelfes, porque em Quelfes as pessoas iriam exigir muito dele e ele poderia não estar à vontade”, explica Joaquina Neto, sustentada pelo marido que lembrou que “santos da casa não fazem milagres”.