É chocante que muitos dos que defendem a legalização do aborto livre, admitam que a vida humana começa no momento da concepção, pois não podem contrariar os dados mais recentes da ciência genética actual e no entanto tenham a ousadia de insinuar que a vida humana intra-uterina não merece ser defendida, porque ainda não é pessoa, ou porque não tem ainda sentimentos. Como não podem dizer que o feto não tem coração, porque tem e já bate, e não podem dizer que não tem cérebro, porque tem e já com actividade cerebral, alegam que não tem sentimentos! Estas ideias, interesseiras e oportunistas, porque apenas invocadas para justificar um interesse, o interesse do aborto livre e a pedido, afastam-se da realidade natural. Á mulher que por qualquer razão pensa em recorrer ao aborto, não seria mais humano e fraterno, que o Estado ou a sociedade civil através de uma das suas instituições, ajudasse essa mulher a ser mãe, assim evitando o traumatismo psicológico que o aborto sempre e inexorávelmente provoca na mulher? Com o recurso ao aborto, legal ou clandestino, elimina-se sempre a vida de um nascituro, de um ser humano diferente da sua mãe, individualizado, pois “é já um homem aquele que o virá a ser”! Mas além disso, que já não seria pouco, afecta-se ainda a vida da própria mãe, que vai ficar marcada psicológicamente para sempre, que mais tarde ou mais cedo vai arrepen-der-se e vai sofrer incomensuráveis dores morais, que fazem sofrer muito mais que as dores físicas. Quando nós os cristãos, somos contra o aborto, somo-lo por causa do filho e por causa da mãe: do filho porque será eliminado para sempre, da mãe porque irá desnecessáriamente ficar a sofrer para sempre! É um imperativo ético, de ética republicana, que o Estado não se demita das suas obrigações constitucionais de proteger e promover a vida humana, e assim como por exemplo gasta energias e dispende meios, na educação dos cidadãos para o ambiente e a ecologia, e aliás muito bem, deverá igualmente empenhar-se na educação para a protecção da vida humana, na educação para uma maternidade e paternidade responsáveis, na educação para um planeamento familiar. De igual modo, será ainda necessário que a sociedade em geral se preocupe não apenas com as crianças vítimas da fome e da guerra, das drogas, da violência doméstica, da exploração sexual, mas também com a pessoa do nascituro, que é a pessoa mais pobre, mais humilde, mais pequenina e frágil, mais inocente e mais indefesa, porque incapaz de gritar e pedir auxílio. O Professor António Sousa Franco, Ministro de Estado e das Finanças do Governo Socialista chefiado pelo Engº António Guterres, que morreu trágicamente num combate eleitoral em defesa desse Partido escreveu em 1998: «Quer se queira, quer não, por muito que isso custe, o aborto é sempre a eliminação de uma pe-ssoa humana não nascida, a destruição de uma vida sagrada… O aborto livre implica aceitar que a dignidade da pessoa humana não nascida se perca; porque a sua legalização tem a consequência de um ser humano – a mãe – se atribuir o poder de vida e de morte sobre outro ser humano, o filho, que vai ser eliminado. A legalização do aborto livre, é a passagem de uma fronteira decisiva, representando um grosseiros recuo, que permite como outrora na lei da selva, o dominio dos fortes sobre os fracos, dos que já estão na vida sobre os que vêm depois. Essa não é a sociedade humana que sempre idealizei e por que, esteja onde estiver… sempre pugnarei. Acredito numa sociedade em que prevaleça a Solidariedade para com os mais fracos e os mais débeis. E há no mundo pessoa mais frágil, mais indefesa e mais inocente do que um ser humano não nas-cido?” Que todos, mas particularmente aqueles que aplaudiram, seguiram e apoiaram o saudoso Catedrático de Direito, meditem nestas sábias e eloquentes palavras, o testemunho de um grande homem, de um grande português “que esteja onde estiver” ainda está e continuará sempre connosco no combate da vida, no combate do futuro!