Congregados na igreja da paróquia de São José das Ferreiras, os muitos católicos algarvios, que encheram aquele templo, procuraram terminar, de forma festiva, este tempo de oração que uniu todas as paróquias e comunidades cristãs do Algarve em torno do mesmo objectivo. De Aljezur a Tavira, de Faro à Luz de Lagos, de Cachopo a Portimão, muitos foram os cristãos que marcaram presença. Após o início da Vigília de Oração, a procissão com o Santíssimo Sacramento que percorreu algumas das principais artérias das Ferreiras, para além de ter sido a primeira a realizar-se naquela comunidade paroquial, procurou ser a manifestação pública da fé e da oração que, ao longo das últimas duas semanas, cada paróquia algarvia tentou aprofundar. De regresso à igreja, o padre Mário de Sousa, reitor do Seminário Diocesano de São José, que presidiu à celebração nocturna, em virtude do Bispo do Algarve se encontrar ausente a participar no Congresso Internacional da Nova Evangelização na capital portuguesa, dirigiu a toda a assembleia uma homilia marcadamente interpelativa, sobretudo para a numerosa comunidade juvenil presente, incluindo muitos dos seminaristas algarvios. Referindo-se ao Lausperene Diocesano começou por lembrar o objectivo que a todos congregou. “Quisemos, como Corpo de Cristo que somos e que vive no Algarve, pedir ao Senhor que olhe para a nossa diocese. Que veja como há tantas comunidades que já não podem celebrar a Eucaristia todos os domingos porque não têm pastor, porque não há jovens generosos que tenham muito mais confiança no amor de Deus, do que nos seus medos e receios”, afirmou, acrescentando: “quisemos, na intimidade do nosso Deus, suplicar-lhe que abra o coração dos jovens do Algarve ao seu chamamento que nada tira e tudo dá”. Recuperando o sentido do discurso do saudoso Papa João Paulo II na abertura do seu pontificado, o padre Mário de Sousa dirigiu-se aos jovens rapazes presentes. “Não tenhais medo de Cristo. Escancarai-lhe as portas porque n’Ele encontrareis o segredo da vossa felicidade”, disse. “Acredito que ao longo destes 15 dias, mais do que olharmos e contemplarmos o Senhor na Eucaristia, Jesus olhou com ternura cada um dos nossos jovens algarvios e disse-lhes: ‘tem confiança! Vai, liberta-te de todos esse medos que te aprisionam e de todos esses bens que não te deixam ser feliz. Confia em mim, no amor que Eu te tenho, no chamamento que te faço e acredita muito mais na minha misericórdia e no carinho que te tenho do que nos medos e receios que pões como entrave à tua vocação!’”, complementou.V Voltando a sublinhar a intenção do Lausperene referiu: “este ano voltámos a estar ao pés do Senhor para lhe agradecer a sua misericórdia para connosco, mas também para lhe dizer: ‘Senhor, se calhar precisamos de rezar muito mais. Não és Tu que precisas de padres, somos nós que precisamos de pais na fé. Gente que nos fale de Ti, que oriente as nossas vidas, que nos dê uma perspectiva de esperança e de fé neste mundo em que tantas vezes balouçamos e não sabemos para o­nde caminhar’”. E voltando a interpelar directamente os rapazes presentes disse: “mas os padres, queridos jovens, não caem do céu! Os sacerdotes surgem no seio das nossas comunidades, as vocações aparecem no coração daqueles jovens que têm a coragem de dizer: ‘Senhor, eu sinto-me indigno e incapaz mas aqui estou’”. “Quantos jovens do nosso Algarve terão a capacidade e a coragem de escutar a palavra de João Paulo II e dizer a Cristo: ‘Senhor escancaro-me a Ti. Vem à minha vida. Queima os meus medos. Transforma o meu coração porque eu quero consagrar toda a minha vida ao teu amor, à tua misericórdia e aos meus irmãos?’”, interrogou o reitor do Seminário Diocesano, acrescentando: “Cristo chama por vós. Olha-vos de novo como olhou para o jovem rico e desafia-vos: Vai, vende tudo o que tens, liberta-te dos teus medos. Vem e segue-me’”. A terminar, lembrou um dos jovens, membro da comunidade anfitriã, o Vasco Figueirinha “que teve a coragem de se pôr a caminho” e pediu à assembleia presente que rezasse pelos jovens de todas as comunidades do Algarve, particularmente pelos seminaristas algarvios. Presentes na celebração, para além do pároco local, padre Carlos César Chantre, estiveram ainda os padres Carlos de Aquino, José António, José Nunes, Rui Guerreiro, bem como o cónego monsenhor Sezinando Rosa.