Sexta-feira 20 de Setembro de 2019
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Em noite de sensibilização para a paz defendeu-se a independência da Palestina e criticou-se os EUA

Baseando-se na encíclica do Papa João XXIII intitulada Pacem in Terris, Luís Galante, começou por afirmar que «a política internacional não é uma zona franca imune às leis da moral e do direito». «Há que contrariar quem considera a política, e em particular a política internacional, desvinculada da moral e sujeita apenas ao critério dos interesses do poder político ou económico», defendeu, acrescentando que «os pragmatismos de vistas curtas que tudo pretendem justificar em função do interesse da ocasião, acabam sempre por se revelar prejudiciais a longo prazo, porque minam as próprias bases da convivência entre as civilizações, os estados e os povos». «São os critérios de dimensão ética que importa adoptar quando estão em causa decisões tão nefastas como o desencadear duma guerra», considerou Luís Galante. Com um discurso particularmente critico em relação às políticas adoptadas pelos Estados Unidos da América, o diácono frisou que «os fins não justificam os meios». «Não pode ser o simples facto de se pretender alcançar fins, teoricamente legítimos, como o derrube de ditaduras e regimes obcessivos, o combate ao terrorrismo organizado ou impedir que estados com pretensões agressivas detenham armas de destruição maciça, que justifica o recurso a meios bélicos», afirmou. Luís Galante, que defendeu que «antes da consomação da agressão, nunca estão esgotadas todas as possibilidades de a evitar», considerou que «pretender justificar intervenções armadas através de um abstracto e ilegal conceito de guerra preventiva como sucedeu no Iraque e acontece diariamente na Palestina é algo de absolutamente inaceitável». E referindo-se à «chaga atroz que dilacera o mundo árabe», o conflito israeloárabe que se eterniza desde o final da II Guerra Mundial na Terra Santa, salientou o diácono que o mesmo «tem contribuido, de forma dramática, para aprofundar o fosso entre o ocidente e mundo islâmico, para minar as suas relações, estando na origem do terrorismo suicidário à escala planetária». «Vai sendo tempo de as Nações Unidas e as outras grandes organizações internacionais garatirem a liberdade do povo palestiniano e o direito da Palestina a ser reconhecida internacionalmente como um estado soberano independente que compartilhe o território da Terra Santa com o vizinho estado de Israel», defendeu Luís Galante. O diácono da diocese algarvia considerou ainda que a situação palestiniana «exige o reconhecimento do direito de palestinianos e israelitas a uma pátria o­nde possam viver em liberdade e segurança». «É urgente e imperioso inverter a espiral de ódio e violência a que vimos assistindo e que parece não ter fim e para tal deveriam cessar, quer as violações do direito do povo palestiniano, afectado pela ocupação das autoridades israelitas, quer os tentados terroristas que vitimam cidadãos israelitas inocentes», afirmou. A forma como o Ocidente se comporta perante os conflitos armados do Médio Oriente mereceram igualmente duras críticas por parte do orador. «A não resolução destes conflitos pode aprofundar o fosso entre estes dois mundos, porque vários governos dos países islâmicos, e principalmente os seus povos, não compreendem o facto de o Ocidente não reagir da mesma forma vigorosa quando as vítimas das violações do direito internacional são povos islâmicos como reagem quando as vítimas são ocidentais ou israelitas», afirmou, acrescentando que, «neste contexto, as correntes extremistas e até as organizações terroristas conseguem mais facilmente recrutar adeptos dispostos a tudo, nomeadamente à prática de actos terroristas suicidários o que impõe uma infeliz conclusão: as guerras que pretendem combater o terrorismo estão afinal e paradoxalmente a favorecê-lo». Não esquecendo as restantes realidades existentes em tantos outros pontos do globo o­nde a força das armas teima em perdurar, nomeadamente no Sudão, no Burundi, na Nigéria, no Congo, no Ruanda e no continente africano em geral, Luís Galante lembrou que, «actualmente, em resultado da má administração de muitos governos mas também em consequência da injusta distribuição dos bens da terra entre os homens, particularmente entre os homens do hemisfério sul, existem 840 milhões de pessoas, das quais 180 milhões são crianças com menos de 5 anos, que passam fome». Recordando que «a paz é fruto da justiça» e que «enquanto houver fome no mundo não poderá haver paz», porque «não haverá justiça, desenvolvimento e solidariedade», Luís Galante incentivou os «cristãos e homens de boa vontade» a «simplificar a vida para partilhar os bens com os mais carenciados, de forma a aliviar a dor, a pobreza e a fome». «Temos de superar o fatalismo, o inconformismo, a indiferença e o imobilismo que nos levam a pensar que, face a um problema de tal magnitude, nada ou muito pouco podemos fazer», apelou o diácono, que parafraseando João XXIII, lembrou que «a paz que não é a simples ausência de guerra, pois assenta em quatro pilares: verdade, justiça, amor e liberdade». Num claro apelo à fraternidade universal, Luís Galante lançou um «apelo fundamental»: «deixarmos de pensar o mundo, centrados exclusivamente em nós mesmos, nos nossos interesses egoístas, no nosso país e até na nossa Europa e orientarmos a nossa acção e a nossa vida a partir do rosto da pessoa e das angustias dos mais fracos, dos mais pobres, dos que mais sofrem, particularmente dos continentes do hemisfério sul, os países do chamado terceiro mundo». Visto que «estes conflitos dizem respeito a todos aqueles que tenham a consciência de que as suas raízes espirituais residem precisamente na Terra Santa», o diácono lançou o convite a que todos correspondam ao apelo dos bispos do Médio Oriente, por forma a que, na próxima quarta-feira, 22 de Dezembro, «estejam em atitude de oração e jejum pela paz na Terra Santa».

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