O trauma do aborto Villas-Boas, que começou por deixar claro a sua presença no movimento pela ‘Algarve pela Vida’ na "condição de cidadão" e que as suas ideias "não vinculam qualquer outro cidadão ou instituição", lembrou que "só cada mulher sabe em si mesma, o rasto que um aborto, ou mais, nela deixou". "A depressão, a iriação suicidária, o sentimento de culpa, a vontade interior de libertação da ideia que não deixou nascer um filho, a dúvida eterna de quem viria a ser aquele seu filho, o que pensa ou sente o pai presente ou ausente, cúmplice ou apoiante, indiferente ou acusador" foram alguns dos aspectos sublinhados pelo psicólogo clínico. "Portugal, que tanto fala no exemplo da Finlândia como país de sucesso – que o é de facto noutras áreas – porque não medita nos números inquietantes de mulheres com perturbações afectivas de humor, graves e pós-traumáticas ao aborto?", interrogou, certo de que "a Vida começa com a fecundação do óvulo e daí até ao nascimento há uma criatura humana com dignidade e com direitos". "E não é às 9 semanas que tem mais dignidade ou direitos do que às 18, às 30 ou quando nasce", acrescentou o mandatário. O exemplo da Europa O psicólogo clínico considerou ainda que "legalizar o aborto é fazer disparar como na Suécia 1100 por cento a sua ocorrência; no Reino Unido, 730 por cento; em Espanha 370 por cento; e na Grécia, 200 por cento". A prevenção, a informação e o apoio contra o crime "Entendo que nenhuma mulher deve ser julgada e muito menos presa por aborto. À mulher que acaba com a sua gravidez bastar-lhe-á para sempre o sofrimento atroz que vai ter dentro dela", defendeu Villas-Boas, frisando, porém, que é necessário "encontrar formas de lidar, sem estigmatizar a mulher que abortou como uma criminosa e, ao mesmo tempo, criar mecanismos ajustados para defender a Vida e que assenta no conceito de que o aborto antes das 10 semanas pode e deve ser evitado". "É precisa uma nova pedagogia da maternidade, a par do efectivo apoio durante a situação de risco abandónico. Não ao aborto e ao recurso aos tribunais! Sim à prevenção, informação e apoio total à grávida!", concluiu, indo ao encontro dos 75,6 por cento de mulheres que respondeu que "desejaria ser ajudada e apoiada a manter a gravidez e poder ter o bebé", num estudo encomendado ao Centro de Sondagens da Universidade Católica Portuguesa, em detrimento das outras duas opções que eram "que o aborto fosse livre para poder abortar sem ser crime" (13,5%) e "ser encaminhada para uma clínica onde fizesse o aborto de imediato e sem risco para a saúde pública" (10,2%).