"Este é o dia que o Senhor fez. Alegremo-nos e nele exultemos. Alegremo-nos porque a Sua ressurreição é garantia da nossa própria ressurreição. Exultemos porque se com Ele morremos, com Ele viveremos para sempre", referiu D. Manuel Quintas, salientando que "a esperança deu lugar à certeza, o pecado à graça e a morte à vida". Advertindo os presentes que "não podemos celebrar a ressurreição de Cristo como se não tivesse nada a ver connosco", o Pastor da diocese frisou que "a Páscoa de Cristo é verdadeiramente a nossa Páscoa". "Cristo pela sua encarnação assumiu plenamente a nossa humanidade. Foi em tudo igual a nós, menos no pecado. Entrou na nossa vida e viveu neste nosso mundo. N’Ele é toda a humanidade que participa da sua vitória sobre o pecado e sobre a morte. A luz que brota da sua ressurreição, simbolicamente representada por este círio pascal, ilumina toda a nossa vida. Mesmo os dias mais sombrios e densos de sofrimento, marcados por tantas formas de injustiça humana e de doença, solidão, incompreensão e pelo nosso egoísmo e demasiado apego ao que é passageiro e supérfluo, pela nossa falta de amor e pelo pecado", complementou, acrescentando que "a força que nos vem da ressurreição de Cristo estimula-nos a prosseguir como peregrinos, que sabem que não têm aqui morada permanente, dá um sentido novo ao sofrimento humano e infunde nos nossos corações a alegria e a esperança". Referindo-se a outro convite vindo da Palavra de Deus, – o convite à fé na ressurreição de Cristo -, o Bispo diocesano pegou no exemplo de João que "viu e acreditou. "Não precisa de ver para crer como Tomé; não precisa de uma experiência eucarística como os discípulos de Emaús; não precisa de fazer uma experiência pessoal e íntima de Cristo ressuscitado como Pedro junto ao Lago da Galileia", constatou D. Manuel Quintas, considerando que "em João confirma-se o dito de que o amor vê melhor, mais depressa e mais longe que os olhos ou a razão". "Trata-se fundamentalmente de um olhar de fé, para além do olhar real", justificou. Lembrando que "também nós somos discípulos amados do Senhor", advertiu que "o nosso encontro com Cristo ressuscitado, à luz da fé, acontecerá na medida em que acolhermos a intensidade do amor com que Ele nos amou e no modo como deixarmos que a luz e o dinamismo que brotam da sua ressurreição se reflictam na nossa vida e testemunho cristão". "A fé e adesão a Cristo ressuscitado têm de inspirar os critérios que determinam as nossas opções e atitudes quotidianas", frisou. Recordando as palavras de São Paulo, na carta aos colussenses, D. Manuel Quintas lembrou que "o cristão, inserido no mundo e sem se alhear à missão que nele é chamado a prestar, não pode perder de vista o fim para que foi criado". "O fundamento da vida cristã é a união com Cristo ressuscitado na qual somos introduzidos pelo Baptismo. Ser Baptizado e viver como tal deve significar morrer para o pecado e renascer para a vida nova que terá a sua manifestação plena quando ultrapassarmos pela morte as fronteiras da nossa finitude. Enquanto caminhamos ao encontro deste objectivo último a nossa vida tem de tender para Cristo", referiu, concretizando que "isto implica despojarmo-nos do ‘homem velho’, através de uma conversão nunca acabada e revestirmo-nos cada dia mais profundamente do ‘homem novo’", ou seja da "imagem de Cristo, de forma a nos identificarmos com Ele pelo amor". "O cristão é aquele que vive com os pés bem assentes na terra, colaborando activamente para a transformar e humanizar, mas com a mente e o coração afeiçoado às coisas do alto porque é lá que se encontram os bens eternos e se situa a nossa meta definitiva", afirmou. Já a concluir lançou o terceiro convite: ao testemunho. "Nós somos testemunhas de tudo o que Ele fez. O caminho de Cristo é o nosso caminho, as suas opções devem ser as nossas opções. Assumamos de modo renovado o testemunho de Pedro e restantes apóstolos. Professemos a nossa fé em Cristo ressuscitado vivendo de modo coerente as implicações que essa verdade nos traz. Profissão de fé que deve passar da boca ao coração e do coração à vida. O mundo de hoje precisa deste testemunho de alegria, amor e esperança", concluiu.