A sugestão surgiu à margem da Assembleia Diocesana Ordinária daquele serviço de formação de noivos que teve lugar, no passado sábado, dia 28 de Outubro, no Centro de Nossa Senhora da Orada, em Albufeira. A questão da falta de apoio das paróquias aos recém-casados é recorrente e ainda na última Assembleia Diocesana da Igreja algarvia voltou a aparecer entre as restantes constatações de aspectos que estão menos bem no seio das comunidades paroquiais. Luís e Rosália Almeida, membros da equipa dos CPM do Algarve, sublinhando que aquela associação “dá apoio de preparação para o Matrimónio”, entendem que “há toda uma área nova de acção da Igreja, no que se refere ao apoio dos casais novos”, que consideram estarem “entregues a si próprios”. Aquele casal salienta ainda que os recém-casados “precisam de apoios concretos” para a sua vida diária e lembram que “depois da caminhada no CPM vê-se casais disponíveis e com vontade de continuar, mas a seguir há pouca coisa que os motive e a que possam estar ligados”, vindo-lhe apenas à memória, como exemplo de pastoral conjugal, as Equipas de Nossa Senhora. Jorge e Margarida Nicola, casal presidente do CPM Algarve, testemunham a caminhada de algumas dioceses nesta área, como a criação, em Coimbra, do CAF – Centro de Aconselhamento Familiar, no âmbito do Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar daquela diocese e realçam também a necessária “vontade por parte dos casais novos”. Libânia Rijo, da mesma equipa algarvia, lembra os casos dos casais novos, que passaram pelo CPM, e que, depois de casados, integraram as equipas dos centros que os formaram, mas defende que “as equipas do CPM, em conjunto com a equipas da Pastoral da Família, poderiam desenvolver um trabalho nesta área do acompanhamento pós-matrimonial”. Formação e visitas aos centros, entre as prioridades para este ano A Assembleia Diocesana Ordinária dos CPM do Algarve, no passado sábado, teve simultaneamente como objectivos a apresentação do relatório do trabalho realizado no ano passado e o lançamento do plano de actividades para 2006/2007 e destinou-se aos casais responsáveis, membros das diversas equipas e seus assistentes. Embora estando poucas equipas representadas (também por culpa do encontro para o sector de Tavira que se realizou no mesmo dia), o encontro que contou também com a participação do padre Henrique Varela, assistente diocesano dos CPM, apontou como principais actividades, a nível diocesano, a “formação para casais dos centros”, a decorrer em Fevereiro próximo, a realização de contactos com algumas das paróquias da diocese, como Vila Real de Santo António, Lagos, Monchique ou Lagoa, o­nde ainda não existem CPM e a concretização de visitas aos 11 centros algarvios, distribuídas a cada casal da equipa diocesana. Foi ainda feita uma referência à criação de novas equipas em Portimão (que passou a contar com duas), Faro (que passou a contar com três), Albufeira e Santa Bárbara de Nexe. Apesar disso, Margarida Nicola reconheceu à FOLHA DO DOMINGO a “dificuldade em arranjar casais que se dediquem a este apostolado”. “Notamos que as pessoas não se querem comprometer”, complementou, referindo não obstante que os “párocos estão sensibilizados”. Jorge Nicola, que também assegura a sensibilização dos sacerdotes, encontra uma justificação para tal. “Há uma atitude de empenho do senhor Bispo, relativamente à criação de equipas do CPM”, refere, explicando que a própria associação também “criou um documento dirigido aos párocos o­nde explica o que é, os objectivos e a metodologia dos CPM”. Como exemplo que ilustra esta realidade testemunhou o “grande interesse” do pároco da Fuseta em criar uma equipa, e a dificuldade em encontrar “casais disponíveis” e “com um certo perfil” naquela zona do Algarve.