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«Estar atento aos novos sinais de pobreza, nomeadamente a envergonhada», entre as conclusões das V Jornadas de Acção Sócio-caritativa

Registou esta acção, que se prolongou ao longo de todo o dia do último Sábado, a presença de 130 participantes de várias áreas sociais da Igreja e da sociedade civil da região algarvia, empenhados na análise deste premente assunto da nossa sociedade, expostos por credenciados ponentes. As Jornadas, que tiveram como tema «Pobreza — conhecer e agir», iniciaram-se com a prece ao Pai pelo bom êxito dos trabalhos. Na sessão de abertura o Presidente da Cáritas Diocesana, Carlos Oliveira, que moderou também os trabalhos do 1.º tema – «Desafio da Pobreza: das realidades às políticas», apontou que «a pobreza é dado constante da realidade humana e é preciso denunciar as diferenças, cada vez mais escandalosas, entre ricos e pobres e ter a coragem e correr os riscos em defesa dos «últimos», no dizer do Papa João Paulo II e, um compromisso, com eles, para criar uma sociedade mais justa e mais fraterna». Algarve (25%) com um risco de pobreza maior que o País (19,2%) O Dr. Luís Capucha, sociólogo e professor do ISCTE (Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Economia) fez uma ampla e documentada exposição sobre o tema em análise, historiando o fim da pobreza como utopia desde há séculos e o compromisso surgido com o modelo social europeu, de modo próprio o que designou como «o ciclo virtuoso», que ocorreu desde o final da II Guerra Mundial até ao choque da crise petrolífera de 1973. Apontou-o depois como «um modelo em risco», referindo entre outros condicionantes interventivos na nova economia, as tensões do processo migratório, o desemprego, o aumento da longevidade, a expansão do consumo e as mudanças nas estruturas familiares e na organização familiar, bem como os modos de integração social e as dificuldades de financiamento, com o aparecer de uma nova geração de políticas sociais e o seu desenvolvimento. Definiu depois o conferente os conceitos de pobreza-absoluta, relativa, subjectiva e de cultura/estilo de vida, apontando que há mais de 450 mil pobres em Portugal, o­nde prevalece o maior risco de pobreza da Europa, factor que no Algarve (25%) é maior do que a média nacional que se situa nos 19,2%. «O combate à pobreza é um combate fundamental para o desenvolvimento do País porque tudo o que se fizer pelos pobres atinge também os não-pobres, criando uma forte coesão social e de segurança», afirmou o Dr. Luís Capucha, que referiu também «Não há combate possível à pobreza sem desenvolvimento económico com o primado da solidariedade e da responsabilidade nacionais envolvendo a concentração dos recursos nos concelhos e nos bairros mais pobres através de intervenções multifuncionais». «Há uma revolução a fazer na Educação» Moderada pelo Padre Carlos Aquino (Assistente Diocesano da Cáritas) a sessão – «A Partilha de Bens» teve como prelector o Dr. Nuno Gonçalves (Director do Gabinete de Direitos de Autor do Ministério da Cultura», apontando caminhos para que ela aconteça nas comunidades paroquiais e na sociedade em geral, motivadora do empenho e que todos temos de responder, não só através de meros actos sociais imediatos, como sejam a distribuição de bens materiais e que esta se tem de prepara e colocar em prática o serviço do não material e do conhecimento. Afirmou: «Há uma dinâmica para acabar com acções gratuitas e ao não dar sem contrapartidas e, contudo, sem partilha de bens não há comunidade harmoniosa e justa», para depois interrogar — Partilhar o quê e como? Respondendo que: «Não se pode ficar reduzido à partilha dos bens materiais. Vivemos cada vez mais sob o signo do imaterial e da informação, constituindo a maior partilha, a nível mundial, dos bens intelectuais, com destaque para a educação, o­nde há uma revolução a fazer». «O Amor – a única força que devemos ter na acção social da Igreja» A sessão da tarde, moderada pelo Dr. Luís Henriques, foi preenchida com a intervenção do Dr. Marinho Antunes (Professor da Universidade Católica Portuguesa) que falou sobre «A acção social da Igreja (ASI) — Situação e Desafios». Fazendo ênfase à acção desenvolvida, no seu sentido lato e restrito, aludiu a que a mesma constitui um património de inestimável valor, pois os problemas do mundo actual exigem dos cristãos a sua presença, como agentes activos, dinâmicos e influentes no tecido social. «A única força que devemos ter na ASI é o amor», disse o Dr. Marinho Antunes, que apontou Jesus Cristo como o seu modelo e padrão social, pois «onde Ele viu um homem, viu o espírito de Deus, num amor sem medidas, referindo que «Preciso é abrir o livro da própria vida e ver como Deus nos ama — todo o homem é tocado por Deus e todos são filhos do mesmo Pai, numa profunda fraternidade humana». No final o Presidente da Cáritas Diocesana, Carlos Oliveira, leu as conclusões destas «V Jornadas Sócio — Caritativas», que são do seguinte teor: – É necessário estar atento aos novos sinais de pobreza, nomeadamente a envergonhada, procurando aliviar o sofrimento fruto das suas consequências, sem protagonistas e sem sinais que possam diminuir a dignidade de cada pessoa; é necessário canalizar todos os esforços das comunidades paroquiais para que, cada vez mais, seja reforçada a acção social da Igreja, junto dos mais débeis da sociedade; contribuir para o reforço da partilha de bens na medida em que Deus concedeu originariamente todos os bens a todos os homens, procurando sensibilizar para o recto uso da riqueza a sociedade, para que «Aquele que tiver bens deste mundo e vir o seu irmão passar necessidades» não lhe seja fechado o coração; proporcionar a criação de dinâmicas de solidariedade activa e efectiva, o­nde a partilha de bens, na comunidade cristã, seja um imperativo, para além do dever de cidadania; aprofundar o conhecimento da ASI para estar atento e aberto às novas questões que a sociedade não cessa de nos apresentar; como agentes da ASI e conscientes de que temos que cumprir a nossa missão hoje e aqui, procurar seguir o caminho de um compromisso solidário com os últimos, procurando eliminar as causas da sua dependência e da injustiça; tendo presente que o trabalho da acção social e de serviço ao irmão, motivar um trabalho em rede, com parcerias para melhor servir os homens; que atendendo à mudança operada na sociedade portuguesa, se deve apelar aos Órgãos do Poder para que a opção preferencial pelos pobres e excluídos, não seja considerada como um privilégio de alguns, mas antes uma exigência de toda a sociedade, que se quer continuadora de Jesus Cristo — pobre hoje».

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