D. Manuel Quintas, no decorrer da sua homilia, na Sé de Faro, lembrou a todos porque devem votar “não” no referendo sobre o aborto, agendado para o próximo dia 11 de Fevereiro. O Bispo diocesano frisou que aquela solenidade mariana “constitui para todos a afirmação plena da existência da vida humana a partir do momento da sua concepção, pois é disso que estamos a falar quando nos referimos à Imaculada Conceição da Virgem Maria”. “Venerar a Imaculada Conceição de Maria é celebrar a vida desde o ventre materno; é promover e defender a vida em todos os seus estádios; é promover uma cultura da vida identificando-a, não como um retrocesso cultural, mas como o único e verdadeiro progresso porque defende a dignidade da vida humana, independente do estádio em que se encontra”, disse. Referindo-se à Nota do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) intitulada “Razões para escolher a vida”, D. Manuel Quintas lembrou que “o ser humano está todo presente desde o início da vida, quando ela é apenas embrião, uma certeza confirmada pela Ciência, uma vez que todas as características e potencialidades do ser humano estão já presentes no embrião”. “A vida humana é um processo de desenvolvimento e realização progressiva, que só acabará na morte natural”, lembrou o Bispo do Algarve, recordando que “está hoje comprovado pelas estatísticas que a despenalização (igual a legalização) do aborto não é o caminho adequado para resolver o drama do ‘aborto clandestino’”. Sublinhando a referência do documento de que “ninguém pode ficar insensível diante de quem passa por este drama e pelos traumas que ele provoca”, o Prelado destacou igualmente que “a cura não é do âmbito penal mas do âmbito social: a luta contra este drama social deve empenhar todos e passa por um planeamento equilibrado da fecundidade, por um apoio decisivo às mulheres para quem a maternidade é difícil, pela dissuasão de todos os que intervêm lateralmente no processo, frequentemente com meros fins lucrativos”. Criticando claramente as políticas governamentais de despromoção da natalidade, D. Manuel Quintas afirmou: “estranhamos muito quando ouvimos fechar tantas maternidades e assistimos já a uma corrida desenfreada para abrir clínicas privadas para o aborto”. “Será que isto é progresso?”, interrogou. Voltando ao documento da CEP, o Bispo diocesano lembrou que “o aborto não é um direito nem da mulher, nem de ninguém”. “Ninguém tem direito de decidir se um ser humano vive ou não vive, mesmo que seja a mãe que o acolheu no seu ventre. A mulher tem o direito de decidir se concebe ou não. Mas desde que uma vida foi gerada no seu seio, é outro ser humano, em relação ao qual tem particular obrigação de o proteger e defender”, afirmou, considerando que igual obrigação cabe à sociedade e ao Estado. “O aborto não é uma questão política nem religiosa, mas de direitos fundamentais. O respeito pela vida é o principal fundamento da ética, e está profundamente impresso na nossa cultura. É função das leis promoverem a prática desse respeito pela vida. A lei sobre a qual os portugueses vão ser consultados em referendo, a ser aprovada, significa a degenerescência da própria lei. Seria mais um caso em que aquilo que é legal não é moral”, referiu. No contexto de uma “sociedade, marcada pelo egoísmo e pelo consumismo, onde há cada vez menos lugar para as crianças e os idosos e, onde os jovens olham para o futuro com pouca esperança” formulou então o pedido ao empenhamento activo na “construção de um mundo novo inspirado nos valores que defendem e promovem a vida humana”. Solenidade da Imaculada Conceição A solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Maria constitui a festa em que os católicos celebram e exprimem todo seu amor filial a Nossa Senhora, louvando a Deus pelo privilégio que lhe concedeu de ser concebida sem a mancha do pecado original. A Igreja afirma então a santidade da Virgem Maria desde o primeiro momento da sua existência, desde a sua Conceição, ou seja que ela foi preservada desde sempre, desde a sua concepção, do pecado original, no qual nascem todos os filhos homens. A sua celebração na proximidade do Natal e o facto de ter sido, durante muitos anos, o dia da Mãe, conferiu a esta solenidade uma carga afectiva e contribuiu para que esta celebração adquirisse um cunho muito especial na piedade mariana portuguesa e de toda a Igreja. Foi com este título e esta invocação que D. João IV, no dia 25 de Março de 1646, seis anos após a restauração de Portugal, proclamou Nossa Senhora da Conceição, Rainha de Portugal e depôs a coroa do Reino aos pés da sua imagem no Santuário de Vila Viçosa. A partir do século XVII, esta devoção cresceu por todo o País, crescimento que culminou com a proclamação do dogma da Imaculada Conceição, no dia 8 de Dezembro de 1854, pelo papa Pio IX (Bula “Ineffabilis Deus”). No Algarve existem 12 paróquias dedicadas a Nossa Senhora da Conceição (Albufeira, Alcantarilha, Conceição de Faro, Conceição de Tavira, Ferragudo, Martinlongo, Matriz de Portimão, Monchique, Odeáxere, Quarteira, Silves e Vila do Bispo).