O conferencista aludiu à “co-relação orgânica e recíproca”, apresentada pelo Papa, entre a fé da Igreja e a Eucaristia. O padre Joaquim Nunes recordou que “o primeiro conteúdo da fé eucarística da Igreja é o próprio mistério de Cristo”. “Este mistério é amor e tem muito mais a ver com o dar, porque o amor é por natureza entregar-se”, explicou, acrescentando que “na celebração da Eucaristia, este ‘dar-se’ de Deus para nós torna-se particularmente vivido”. “O Senhor entrega-se por nós como Corpo entregue e Sangue derramado e torna-se para nós alimento”, frisou. O sacerdote lembrou então que “o envio do Filho ao mundo é a manifestação concreta, definitiva, absoluta, sem medida, do amor de Deus por nós”. “Basta lembrar isto para darmos conta de como, em cada celebração da Eucaristia, o amor de Deus se torna presente para nós”, justificou. O orador advertiu por isso que “do princípio ao do fim da celebração não pode haver rotina para ninguém”. “A celebração da Eucaristia tem este carácter único que tem a ver com esta correspondência do homem ao amor de Deus por nós”, elucidou, acrescentando que “ao instituir a Eucaristia e ao celebrarmos todo o mistério de Quinta-feira Santa damo-nos conta como Jesus antecipa e realiza sacramentalmente aquilo que vai ser a sua entrega no sacrifício da cruz e também a vitória da manhã da ressurreição”. “É o dom de Jesus por si mesmo e por nós que se manifesta na instituição e na continuação celebrativa da Eucaristia. É como se fosse a primeira, a última e a única Eucaristia”, sublinhou. O padre Joaquim Nunes advertiu ainda para a possibilidade de, na Eucaristia, a acção do Espírito Santo passar despercebida, embora esteja presente em toda a invocação. “É pela acção do Espírito Santo que o pão e o vinho se tornam Corpo e Sangue de Cristo”, ressalvou o orador, lembrando que quando se invoca o Espírito Santo, “é um momento de densidade profunda” no que respeita à celebração e à expressão da fé. “Nas ordenações cria-se um silêncio tão profundo que normalmente se torna esse silêncio sinal da acção discreta existencial do Espírito Santo sobre aquele que está a ser ordenado. Devia ser exactamente a mesma coisa na Eucaristia, caso contrário perdemos a riqueza da verdade da epiclese sobre o pão e o vinho”, considerou. Há igualmente uma segunda manifestação do Espírito Santo também na oração eucarística que vem depois da consagração. “É o Espírito Santo que faz com que aqueles que participam do mesmo Corpo e Sangue do Senhor sejam um só corpo e uma oferenda agradável ao Pai”, explicou o padre Joaquim Nunes. O conferencista explicou que a Eucaristia é Cristo que se dá aos fiéis, edificando-os continuamente no seu Corpo. Por outro lado, o sacerdote explicou que “quando os padres falam no Corpo de Cristo estão a referir-se ao Corpo nascido do seio da Virgem Maria”, mas “também usam a mesma expressão para falar do Corpo Eucarístico de Cristo”, expressão também usada para falar da Igreja, usando o adjectivo “místico”. “Então existe uma co-relação íntima profunda entre a Igreja e a Eucaristia e é a partir daqui que o Papa nos introduz na relação entre cada um dos sacramentos e a Eucaristia”, concluiu o orador, evidenciando com o exemplo dos três sacramentos da iniciação cristã. Motivando à leitura e meditação da exortação apostólica, o padre Joaquim Nunes lembrou também que “todos os sacramentos têm, nos rituais, uma forma mais prefeita de serem celebrados que é exactamente na celebração da Eucaristia”. O sacerdote sublinhou que a celebração da Eucaristia coloca os fiéis na situação do “ já, mas ainda não”. “Já somos beneficiados e temos acesso às coisas futuras da eternidade, mas ainda não. Estamos a caminho”, explicou, acrescentando que “a relação entre a Eucaristia e escatologia que tem a ver com as realidades futuras que na Eucaristia já experimentamos”. A terminar, o sacerdote recordou a relação entre a Eucaristia e a Virgem Maria evidenciada pelo documento do Papa. “A vontade de Deus é que sejamos capazes de lhe corresponder no que se faz e no que se acredita, na Eucaristia e na vida, como Nossa Senhora na adesão à vontade de Deus, que é sempre uma vontade amorosa a nosso favor”, concluiu.