Este ano, pela primeira vez sob a presidência de D. Manuel Neto Quintas como Bispo do Algarve, a Assembleia Diocesana, estabeleceu que o enfoque do Programa Diocesano irá precisamente ser colocado na Eucaristia e nas Vocações de especial Consagração, duas dimensões que atravessarão transversalmente todos os sectores da vida diocesana.De manhã, após a Eucaristia que marcou a abertura da Assembleia Diocesana, coube a alguns membros da Comissão Permanente do Conselho Diocesano de Pastoral enquadrar e apresentar o Programa Diocesano de Pastoral para o ano pastoral 2004/2005. Anabela Nobre, começou por fazer a contextualização do programa trienal 2003/2006 que, sob o lema “Ser Comunidade para Evangelizar”, vem, desde o ano passado, definindo as orientações diocesanas. Na sua intervenção relembrou os principais aspectos que caracterizam os três vectores: ministerial/vocacional, dominical e missionário.Carlos Oliveira salientou o que de mais significativo foi realizado com vista à concretização do Programa Diocesano de Pastoral do ano transacto. Filomena Calão que fez uma síntese do Programa Pastoral para 2004/2005, começou por sublinhar que «a mudança do governo da diocese não interrompeu o Programa Pastoral traçado para o triénio 2003/2006». Assim sendo, salientou Filomena Calão, o objectivo primeiro continua a ser “Ser comunidade para Evangelizar”, acentuando-se nele três dimensões constitutivas de uma comunidade: ministerial/vocacional, dominical e missionária, no fundo «as linhas de força norteadoras da acção pastoral concreta» – disse.Para 2004/2005 salientou-se como primeira prioridade: «continuar a desenvolver algumas propostas não concretizadas» no ano anterior e fez-se uma especial referência ao «centro congregador» no qual se revêm as três dimensões do “Ser Comunidade para Evangelizar” e para o qual devem convergir todas as acções realizadas no decorrer deste ano pastoral: a Eucaristia e as Vocações de Consagração.Procurando ir ao encontro do caminho que o Papa indicou à Igreja neste início de século, a Igreja algarvia procurará também deter-se na «centralidade da Eucaristia». Depois de João Paulo II ter dedicado à Eucaristia a sua primeira encíclica deste milénio, no ano em que a Eucaristia é tema para o Sínodo dos Bispos, e quando se vive, de Outubro de 2004 ao mesmo mês de 2005, o Ano Eucarístico proclamado pelo Sumo Pontífice, também a diocese algarvia quer fazer da «Eucaristia, fonte e ponto culminante de toda a evangelização» e «centrar nela toda a sua atenção».Salientando a «ligação íntima» entre as duas prioridades do «centro congregador» do Programa Diocesano deste ano, recordadas pelo Papa quando afirma que «não existe Sacerdócio sem Eucaristia, pois só uma Igreja apaixonada pela Eucaristia gera vocações sacerdotais», foi igualmente sublinhada a importância das vocações especial consagração, particularmente de se «tomar consciência da necessidade e urgência em falar corajosamente da vida sacerdotal como forma esplêndida e privilegiada de vida cristã».Insistiu-se na necessidade de «estruturar uma vasta e capilar pastoral das vocações, ajudando a perceber que o essencial do essencial da vida cristã é responder positivamente ao chamamento de Deus, mesmo que essa resposta assente na doação de si mesmo à causa do Reino».Desta forma, a pastoral vocacional será uma prioridade na Igreja algarvia, «devendo estar presente, transversalmente, em todas as acções e opções pastorais».Em ano em que a diocese algarvia irá, mais uma vez, peregrinar a Fátima, o Programa Diocesano propõe ainda que se aprofunde a relação de Maria com a Eucaristia e com as vocações sobretudo porque ela própria constitui simultaneamente «modelo ímpar de disponibilidade» e «modelo de Mulher Eucarística».O cónego José Pedro Martins e o diácono Luís Galante sublinharam, de entre as sugestões que o Programa apresenta para este ano, aquelas que mais directamente contribuem para evidenciar a «centralidade da Eucaristia» e a «afeição às vocações de especial consagração», respectivamente a nível paroquial e a nível vicarial e diocesano. O cónego José Pedro Martins enumerou concretamente, a nível da comunidade paroquial, a formação dos diversos ministérios (particularmente aos acólitos) e assembleias litúrgicas, a promoção da adoração eucarística semanal, a formação catequética sobre Eucaristia também com vista à participação na Peregrinação Diocesana a Fátima, a vivência da Solenidade do Corpo de Deus, bem como das celebrações paroquiais locais que constituam oportunidades para aprofundar esta vivência, a interpelação para a urgência da necessidade de vocações de especial consagração, a constituição de uma equipa vocacional paroquial com animador, o despertar das famílias, catequistas, educadores e movimentos para a pastoral vocacional, a envolvência dos ministérios laicais, mormente os acólitos no dinamismo vocacional, dar mais atenção às Semanas Diocesana dos Seminários e de Oração pelas Vocações, a redescoberta da liturgia como lugar de encontro vocacional, e ainda o aproveitamento de acções de caridade, evangelização e catequese para a sensibilização do valor da entrega da vida ao serviço deste apelo de Deus. Por fim, o diácono Luís Galante salientou que deverá ser prestada uma «especial atenção» aos acólitos. Essa particular incidência será concretizada com a realização de encontros vicariais e um retiro diocesano. Por outro lado, as acções de reciclagem dos Ministros Extraordinários da Comunhão, a nível vicarial, «devem ser objecto de um particular cuidado». «Pretende-se que estes agentes de pastoral «fiquem habilitados a conduzirem momentos de oração colectiva diante do Santíssimo Sacramento na ausência de ministro ordenado» – esclareceu Luís Galante. A nível vicarial foi ainda proposta a realização de uma acção conjunta para o Ano Eucarístico, no dia da Solenidade do Corpo de Deus. As Jornadas de Pastoral Litúrgica, bem como o Retiro na Quaresma, o Encerramento do Ano Vicentino e a Peregrinação a Fátima foram outras iniciativas diocesanas apontadas com vista à melhor vivência do Programa Diocesano. Da parte da tarde foram apresentadas as actividades de cada departamento da diocese com vista à concretização do Programa Diocesano, tendo a sessão sido encerrada pelo Bispo diocesano.D. Manuel Quintas encorajou as comunidades cristãs, os movimentos e os serviços diocesanos a «trabalhar entusiasticamente ao serviço do Reino de Deus» ao longo deste ano, pondo o Programa Diocesano em marcha, em verdadeira comunhão com toda a Igreja algarvia. «Sabemos que toda a planificação pastoral não passa de um instrumento e um meio – não um fim em si mesmo – para realizarmos os planos do Pai» – afirmou o Bispo do Algarve que alertou para o perigo de se pensar que, tendo o Programa definido, «já está tudo feito».D. Manuel Quintas enumerou ainda algumas disposições que na sua opinião são necessárias para que se concretize o Programa Diocesano.