O sacerdote começou por explicar que “conversão significa ser transformado quando se conhece”. “Quando se chega a conhecer Cristo verdadeiramente há mudança, transformação e vida nova”, considerou o orador, explicando que “na Eucaristia, Cristo possibilita-nos um encontro permanente com Ele para que vivamos por Ele”. “É assim que a Eucaristia é mistério vivido”, complementou, acrescentando que “a Eucaristia é cume de iniciação cristã, a onde se chega e de onde se parte para se viver segundo Ele”. O cónego José Pedro Martins salientou que “o mistério acreditado e celebrado possui em si mesmo um tal dinamismo que faz dele princípio de vida nova e forma de existência cristã”. “De facto, comungando do Corpo e Sangue de Cristo vamo-nos tornando participantes da vida divina de modo sempre mais adulto e consciente. Não é o alimento eucarístico que se transforma em nós, mas somos nós que acabamos misteriosamente mudados por ele”, constatou. O conferencista elucidou que “a celebração eucarística surge assim em toda a sua força como fonte e ápice de existência eclesial, enquanto exprime a origem simultaneamente de um culto novo e definitivo, um culto espiritual”. Na sua intervenção, o sacerdote defendeu que “o chamamento à plenitude e à santidade é a vocação comum do homem cristão que deve manifestar-se nas situações ou estados de vida em que cada cristão se encontra: leigos, padres, religiosos ou consagrados”. “Este caminho de santidade é o permanente «fazer-se Eucaristia» enquanto dom de vida, de tal modo que cada um dos cristãos para ser imagem de Cristo deve fazer com que a sua carne e o seu sangue se tornem «comestíveis» para os seus semelhantes”, afirmou. Chamando a atenção para a necessidade da santificação do domingo e de perceber o sentido do trabalho para que não nos tornemos escravos dele, o orador falou sobre a importância do domingo como o “dia da Igreja”. “O costume que têm os cristãos de celebrar o domingo é também marca que define a reforma da vida renovada pelo encontro com o seu Senhor”, afirmou, acrescentando que “o cristão reencontra a forma eucarística própria da sua existência, segundo a qual é chamado a viver constantemente consciente da libertação operada por Cristo e a realizar a sua existência como a oferta de si mesmo a Deus”. “Esta conduta há-de manifestar-se no domingo com iniciativas próprias”, explicou. O cónego José Pedro Martins lembrou que “no dia do Senhor todo o cristão reencontra também a dimensão comunitária da sua existência redimida” e questionou a expressão sensível na vida das comunidades desta realidade de pertença ao mesmo corpo. Em síntese recordou que “a forma eucarística da vida cristã é eclesial e comunitária” e recuperou o que é dito no documento do Papa, afirmando “que através das Igrejas locais, dioceses com as suas respectivas paróquias, cada fiel pode fazer a experiência concreta da pertença à Igreja de Cristo”. “Inseridos em serviços comunitários, associações e movimentos laicais os fiéis fazem uma expressão significativa da sua pertença ao Senhor e manifestam o rosto de uma Igreja comunhão”, citou. Complementarmente o conferencista acrescentou que “a forma eucarística da vida cristã implica a possibilidade da renovação da mentalidade capaz de confrontar-se com qualquer realidade cultural a fim de a fermentar evangelicamente, partindo da certeza de que Cristo é a verdade de todo o ser humano e da história humana inteira”. O sacerdote frisou que “a existência de cada cristão é vista pela exortação como a resposta humilde e feliz ao exaltante chamamento do Pai, sempre chamamento de profunda transformação da própria existência. “Apela-se aos cristãos que detenham funções públicas ou políticas pedindo-se-lhes, por razões de coerência eucarística, a requerer sempre o testemunho público da própria fé, pois o culto de Deus não é um acto meramente privado. Pela posição social ou política que ocupam devem tomar decisões sobre valores fundamentais como o respeito e defesa da vida humana, desde a concepção até à morte natural, a família fundada sobre o matrimónio entre um homem e uma mulher, a liberdade e a educação dos filhos e a criação do bem comum”, destacou, sublinhando que “o Papa recorda-nos que tornamo-nos testemunhas quando, através das nossas acções, palavras, e modo de ser, é Outro que aparece e se comunica”. “O acto da Eucaristia impele todo o que acredita a fazer-se «pão repartido» para os outros e a empenhar-se num mundo mais justo e fraterno. Jesus, alimento da verdade, leva-nos a denunciar as situações indignas do homem nas quais se morre à míngua de alimento por causa da injustiça e dá-nos força nova para trabalharmos sem descanso da edificação da civilização do amor”, concluiu.