A FOLHA DO DOMINGO sabe que está neste momento em cima da mesa uma proposta para a continuidade da mostra que abriu portas no âmbito do projecto “Faro – Capital Nacional da Cultura 2005”, e tendo os reponsáveis de ambas as dioceses manifestado já “disposição de continuar”, tudo indica que a exposição se irá manter visitável durante o Verão, a época alta do turismo. Para José António Falcão, o comissário da exposição, a continuação da iniciativa “é importante”, na medida em que, “depois de todas as críticas e dificuldades que foram levantadas ao projecto de ‘Faro – Capital Nacional da Cultura’, verifica-se que o Algarve conseguiu atingir grande parte dos objectivos, e, ao contrário do que alguns ‘velhos do Restelo’ diziam, as coisas estão a correr bem, superando as expectativas”. Destes invernosos meses iniciais retém-se então um “balanço positivo” sob o ponto de vista cultural. Um claro sinal também do potencial do Paço Episcopal enquanto espaço de exposições, – “peça” valiosissíma do espólio que a diocese do Algarve poderá no futuro vir a expor –, ele próprio inserido em plena Vila Adentro, o berço histórico-cultural da capital algarvia. Ao longo destes quatro meses, “A Invenção do Mundo”, constituída por cerca de centena e meia de valiosas obras de pintura, escultura (incluindo imaginária), artes decorativas (incluindo ourivesaria, joalharia, mobiliário, paramentaria, entre outras), foi vista por 4000 visitantes, muitos estrangeiros, sobretudo britânicos e espanhóis, mas também por muitos portugueses, sobretudo algarvios, como é natural. Para o comissário da exposição, “dizer que o público algarvio é pouco sensível ao património é uma falácia”. “Temos visto muito público do Algarve a afluir com grande interesse a uma exposição como esta, que naturalmente é de uma região vizinha, mas tem muitos aspectos em comum com o Algarve”, complementa. Entre estudantes, paroquianos e outros grupos com entrada gratuita, desde Dezembro visitaram a mostra de arte da diocese de Beja 12 escolas, cinco paróquias, dois grupos e um clube. O Bispo do Algarve reconhece igualmente que “a nível cultural tem sido muito positivo”. “Tem-se proporcionado, não só, mas particularmente aos algarvios, que conheçam o Paço Episcopal que não conheciam”, sublinha D. Manuel Neto Quintas, acrescentando que “todos reconhecem a qualidade das salas visitadas para funcionar como Museu e concordam que é uma mais valia que existe na cidade de Faro para dar a conhecer o património”. Reconhecendo a pouca adesão dos grupos paroquiais algarvios ao evento, o Bispo diocesano justifica que “se fosse uma exposição da diocese do Algarve, com espólio das próprias paróquias, certamente os párocos sentir-se-iam mais motivados a visitar”. Do ponto de vista económico, “o menos importante” para o Prelado, “o balanço é nulo”, pois “as receitas que têm entrado são na totalidade para pagar o vencimento do coordenador da exposição e para a electricidade dispendida”. Sobre a continuidade daquele espaço para exposições, até porque depois das obras de adaptação, designadamente a nível de iluminação, vigilância e acessibilidades, a diocese algarvia ficou dotada de uma infraestrutura muito mais capaz para esse fim, D. Manuel Quintas é peremptório: “não descortinamos outra finalidade para estas salas, senão essa mesma”. Depois do Algarve a exposição regressará à diocese de Beja, seguindo depois para o Brasil, Grécia e Espanha.