Integrada no projecto “Faro – Capital Nacional da Cultura 2005”, e organizada em colaboração pelo Departamento do Património Histórico e Artístico da diocese de Beja e pela diocese do Algarve, a mostra expôs centena e meia de peças, objectos datados do século VII aos dias de hoje. Para José António Falcão, comissário da exposição e director do Departamento do Património Histórico e Artístico da diocese de Beja, o balanço “é francamente positivo a vários níveis”. “Pelo número de visitantes, pela possibilidade que deu de conhecer a um público alargado parte dos tesouros artísticos do Baixo Alentejo e, de um modo mais genérico, do próprio Sul do País e, além disso, também pela possibilidade de colaboração entre as duas dioceses de Beja e do Algarve que se esboça agora, neste campo do património cultural, com uma intensidade crescente”, concretiza aquele responsável, acrescentando a intenção “de, no futuro, dar a conhecer também as riquezas artísticas e culturais da diocese de Faro em Beja”. José António Falcão considera ainda que “a exposição representou um desafio por ser uma iniciativa cuja preparação exigiu um esforço muito grande” à equipa que dirige. Já D. António Vitalino é mais contido na análise à exposição. O Bispo de Beja reconhece que “é sempre importante que se dê a conhecer aquilo que há de bom e belo nas nossas igrejas”. “Nesse sentido, acho que a Igreja deve divulgar-se sempre que tem possibilidade de dar a conhecer aos outros aquilo que tem de valioso”, justifica. Para o Bispo diocesano de Beja, a maior importância da exposição prende-se com o facto de ter constituido uma oportunidade para que algumas peças fossem restauradas. D. Manuel Quintas, Bispo do Algarve, entende que a iniciativa foi importante por ter mobilizado a diocese algarvia para a recuperação da capela do Paço Episcopal de Faro e por permitir que a Igreja algarvia fique agora com um espaço para futuras exposições.“ Permitiu-nos abrir o Paço aos diocesanos para que as pessoas possam conhecer este património e foi uma maneira da Igreja participar e se inserir na ‘Faro – Capital Nacional da Cultura 2005’”, reconhece ainda o Bispo diocesano, salientando ainda ter sido positivo “dar a conhecer o património artístico da diocese de Beja com marcas das escolas de entalhadores do Sul do País”. D. Manuel Quintas entende ainda que estas exposições têm “a vantagem de evangelizar através da arte sacra, sobretudo quando são verdadeiramente interpretadas e analisadas por quem as visita”. “É um verdadeiro meio de evangelização e de ligação ao passado para conhecimento daqueles que nos precederam ao nível da vivência da fé”, sublinha, destacando ainda outro aspecto positivo da mostra. “Esta exposição teve também o contributo de nos despertar mais para a inventariação do nosso património que já vem sendo feita nas paróquias e ao mesmo tempo valorizarmos aquilo que temos e de nos dispormos também a organizar exposições deste género”, refere, acrescentando pretender “que o espaço possa ser desfrutado para futuras exposições”. No entanto, segundo o Prelado, existem algumas dificuldades. “Era preciso uma equipa que tratasse dessa organização, mas vejo os párocos bastante sobrecarregados”, confessa. O Bispo do Algarve considera ainda que para a diocese algarvia “a exposição foi negativa, do ponto de vista económico” e entende que ter sido visitada em 9 meses por 6500 visitantes “não foi muito para uma iniciativa deste género”, descartando ainda a posibilidade de uma exposição do património artístico do Algarve em Beja a curto prazo.