Inaugurada no passado dia 1 de Março, a exposição multimédia que pretende informar e sensibilizar os visitantes para a necessidade da segurança, conservação e valorização do património existente nas igrejas, é apenas uma das vertentes do Projecto Igreja Segura. Os outros dois eixos pretendem respectivamente a implementação da divulgação de boas práticas para requalificação do património e a realização de acções de formação de preservação criminal e de conservação preventiva. Desenvolvido pelo Instituto Superior de Polícia Judiciária e Ciências Criminais (ISPJCC), o projecto surgiu, – conforme esclareceu o director daquela entidade, – após a Polícia Judiciária ter sido confrontada com um problema. «Temos no nosso museu, em Loures, uma série de bens de arte sacra furtados que tentámos devolver aos proprietários, não tendo sido possível, apesar de todos os esforços que se fizeram, por não haver inventários organizados». Teodósio Jacinto afirmou igualmente que a protecção do património «é obrigação de todos, das instituições públicas, privadas e de cada um dos cidadãos». «Todos temos de nos empenhar activamente na conservação deste legado, na sua segurança, conservação e valorização porque só assim é que cumprimos o nosso dever de cidadania», referiu, defendendo que «assim conseguiremos ter igrejas abertas e ao serviço de toda a comunidade». O projecto Igreja Segura procurou então «juntar instituições com funções complementares para se conseguir o que cada uma, isoladamente, tem tido dificuldade em conseguir: valorizar e preservar o partimónio das igrejas e permitir o seu usufruto por parte das populações». Para proteger da melhor maneira as igrejas, do ponto de vista da segurança, o projecto pretende «conhecer bem os bens que constituem o património a defender, o edifício em si, bem como o contexto em que se insere». Para obter essas informações, o projecto utiliza duas ferramentas básicas: a elaboração de um pré-inventário dos bens culturais da igreja inscrita, que enumera os bens a proteger e o preenchimento de um questionário para avaliação do risco de segurança, que dará a conhecer os pontos mais vulneráveis do imóvel, das áreas circundantes, estrutura e equipamentos. Para elaboração do pré-inventário e questionários os párocos contarão com o acompanhamento de um manual de segurança, uma equipa de especialistas, técnicos e paroquianos seleccionados. O Instituto Português de Conservação e Restauro disponibilizará também o seu laboratório móvel para visitar as igrejas procurando analisar o estado do seu património histórico e elaborará também um manual de conservação que ajudará os responsáveis paroquiais a fazer uma manutenção correcta, simples e continuada do seu espólio. Presente na inauguração, o Bispo diocesano, acompanhado pelo padre Joaquim Nunes, responsável pelo Sector dos Bens Culturais da Igreja da diocese algarvia, considerou que «a exposição tem, acima de tudo, o sentido pedagógico de sensibilizar as pessoas». Reconhecendo a necessidade de uma inventariação de todas as peças, propriedade das paróquias algarvias, D. Manuel Neto Quintas está esperançado que «aos poucos» se consiga inventariar o património de todas as paróquias do Algarve. «Quando, nas paróquias, as pessoas se apercebem da riqueza cultural que possuem, são as primeiras a valorizar aquilo que têm», testemunhou. Sobre a adesão da diocese do Algarve ao Projecto Igreja Segura, o Bispo diocesano garantiu que o assunto irá ser analisado com o Secretariado Diocesano do Património Cultural da Igreja. Seruca Emídio, presidente da Câmara Municipal de Loulé, defendeu que «é obrigação geral e um dever cívico que as autarquias e quem tem responsabilidade nesta área criem as condições para que nos sintamos cada vez mais seguros do nosso património e também mais conhecedores». O Projecto Igreja Segura foi ainda criado em parceria com Associação Nacional dos Municípios Portugueses, da Comissão Episcopal dos Bens Culturais da Igreja, da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, do Instituto Português de Conservação e Restauro, do Instituto Politécnico de Portalegre, da Ordem dos Engenheiros, da União das Misericórdias Portuguesas, da Universidade Católica Portuguesa, e em colaboração com o Instituto Português do Património Arquitectónico, a Polícia de Segurança Pública, a Guarda Nacional Republicana e o Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil.