Ao que a FOLHA DO DOMINGO apurou, o sacerdote da congregação do Espírito Santo (espiritano) tinha sido alvo de alguma perturbação cardiovascular há cerca de uma semana atrás, o que aponta para que tenha sido mesmo esse o motivo do falecimento. Ontem, por volta da 7 horas, quando o padre José Cunha Duarte, pároco de São Brás de Alportel, o procurou no quarto constatou, surpreendido, que tinha falecido. Recorde-se que o padre Álvaro Campos serviu a Diocese do Algarve durante 20 anos, em dois períodos distintos – de 1984 a 1992 e de 1996 a 2009 – colaborando, sempre como vigário paroquial de São Brás de Alportel e de Santa Catarina da Fonte do Bispo, com os outros membros da comunidade de sacerdotes espiritanos no Algarve, os padres irmãos José e Afonso Cunha Duarte. Em 1956 partiu como missionário para Angola, sendo colocado como professor no Seminário Menor do Nâmbi (Silva Porto, hoje Kuito-Bié). Dois anos depois, regressou a Portugal, por falta de saúde. No entretanto, ia colaborando na pastoral da paróquia de São Domingos de Rana, em Cascais. Restabelecido, regressou ao Seminário do Nâmbi, em 1959, onde continuou como professor, prestando ainda assistência à paróquia local, situada na área da Missão da Chanhora. Em 1965 regressou definitivamente a Portugal, também por falta de saúde. Depois de recuperar, foi colocado no Seminário do Fraião, em Braga, como professor. Em 1971 foi para o seminário de Godim, na Régua, com a mesma função de professor. Dois anos depois, assumiu também o encargo da paróquia de Godim. Aí permaneceu até 1980, ano em que foi colocado em Viana do Castelo, onde colaborou na pastoral (confissões, tríduos e pregação), foi ecónomo e professor de moral no Liceu Santa Maria Maior, tendo, em 1982, sido nomeado capelão do hospital distrital de Viana do Castelo. Com ele foi inaugurada a capela do Hospital. Depois da primeira estadia em São Brás de Alportel voltou a Godim em 1992 para ecónomo do Seminário, regressando definitivamente ao Algarve em 1996. Ontem ao final da tarde, o Bispo do Algarve presidiu em São Brás de Alportel à Eucaristia em sufrágio da alma do sacerdote falecido, tendo a mesma sido participada por 11 padres, 8 dos quais da Diocese do Algarve e os restantes 3 da congregação do Espírito Santo, para além de muitas pessoas que encheram a igreja, vindas não só da vila saobrazense, mas de Alportel, Mesquita, São Romão e Santa Catarina da Fonte do Bispo. D. Manuel Quintas começou por destacar que o facto, simbólico, de o sacerdote ter falecido num domingo. “O Senhor chamou-o neste dia de domingo, dia especificamente da ressurreição de Cristo, garantia da nossa ressurreição, porque acreditamos que a vida não termina com a morte, apenas se transforma, e que a esta vida sucede outra, a que chamamos vida eterna”, observou. O Bispo diocesano aproveitou ainda o contexto para explicar melhor o sentido da vida eterna para os cristãos. “Quando morremos nascemos para uma vida que não tem fim. Por isso, o nosso verdadeiro nascimento é para esta vida eterna. Não temos aqui morada permanente. Esta vida é passageira. Estamos à espera, não sabemos quando, nem como, do nosso verdadeiro nascimento que acontecesse quando morremos. Isto ajuda-nos a ver a morte em sentido positivo”, afirmou. Interpretando o sentimento de profundo pesar daqueles que privaram de mais perto com o sacerdote falecido, manifestou o desejo de poder ter exprimido ao padre Álvaro Campos, em nome de todos, a gratidão pelo seu serviço. Justificando a ausência dos muitos presbíteros que gostariam de participado na celebração, frisou que o facto de ser domingo, possibilitou que toda a Igreja diocesana recordasse o padre Álvaro Campos nas Eucaristias dominicais. A terminar, expressou o desejo de que a “vida e a morte” do falecido presbítero “possam contribuir para despertar na Igreja vocações missionárias e de consagração”. Em 2005, por ocasião da celebração das suas Bodas de Ouro Sacerdotais, o padre Álvaro Campos testemunhava gostar de estar no Algarve. “Estou muito contente aqui e não tenciono sair. Enquanto o Senhor me ajudar o futuro será aqui. E tenho muito gosto, muito prazer e muita alegria em estar em São Brás de Alportel”, esclarecia. Depois de ter permanecido em câmara ardente durante a noite de ontem, o corpo do padre Álvaro de Campos, acompanhado pelo prior de São Brás de Alportel, seguiu, hoje de manhã, para São Martinho do Vale (Famalicão), a paróquia de onde era natural, onde será realizado esta tarde o funeral pelas 16 horas. A missa de 7º dia do falecimento terá lugar na igreja matriz de São Brás de Alportel, na próxima segunda-feira, dia 19 de Janeiro, pelas 19 horas.