Ao que a FOLHA DO DOMINGO conseguiu apurar, a causa do falecimento é desconhecida, sabendo-se apenas que o sacerdote, depois de ter sido tratado, no domingo à noite, pela enfermeira que o acompanhava nos últimos tempos, seguiu para aquela unidade hospitalar, por ter-lhe sido detectada uma ligeira perda de sangue. Já no hospital foi submetido a alguns exames de rotina para avaliar o seu estado de saúde, tendo ficado logo internado. Segundo testemunho de algumas pessoas próximas do sacerdote, que no Algarve foi pároco de Odeáxere (3 anos), Castro Marim e Azinhal (39 anos) e Luz de Tavira (4 anos), até ontem à hora do almoço, altura em que o foram visitar, o padre António Oliveiros Henriques esteve “completamente lúcido, embora algo incomodado por ter de permanecer internado”. Recorde-se que o falecido sacerdote, natural de Ourém, viveu a sua juventude no Extremo Oriente, tendo integrado as primeiras partidas de portugueses para as missões na China. Tendo entrado num Colégio da Companhia de Jesus, em Espanha, por volta de 1937 segue, depois de um breve regresso a Portugal, segue para Macau. Após um ano em Macau foi para Hong Kong, precisamente quando a guerra teve início. Xangai foi, no entanto, a cidade que mais relevância adquiriu na sua ‘aventura’ pelo Oriente por ter ali permanecido 5 anos, e porque ali ter sido ordenado sacerdote em 1942. Em 1946, regressa a Portugal e, depois de uma breve passagem pela sua diocese de origem, vem para o Algarve a convite do então Bispo D. Francisco Rendeiro. Na diocese algarvia foi prior das paróquias já referidas, a última delas – Luz de Tavira – até aos 90 anos de idade. Desde a sua saída desta última comunidade paroquial até agora permaneceu no Centro Pastoral e Social da Diocese do Algarve, em Ferragudo, onde residia por forma a ter acompanhamento permanente. Apesar da idade avançada, o padre António Oliveiros Henriques deu sempre sinais de vitalidade, sendo facto que já com 94 anos ainda por vezes conduzia de Ferragudo a Faro Ao longo da sua vida conheceu 9 Papas e no Algarve, de D. Francisco Rendeiro a D. Manuel Quintas, privou com 6 Bispos diocesanos. A celebração das exéquias ainda não está marcada, estando neste momento a diocese do Algarve a aguardar que o Ministério Público liberte o corpo do sacerdote.