"Eu costumo dizer que é a comunidade que está a realizar esta missão e não o pároco ou as pessoas que fazem parte da equipa. Isto é expressão da própria comunidade que, ao se alimentar da Palavra e da Eucaristia, tem expressão desse amor de Deus que começou a ser gerado no seu coração", refere. O pároco, que considera os apoios dos supermercados uma fonte já esgotada, pois "as pessoas que vão às compras sentem-se confrontadas com várias iniciativas", defende que "seria importante criarmos na cidade uma ligação de todos os que estão a fazer este trabalho para ir ao encontro dos mais necessitados". "O ideal seria juntarmo-nos e vermos quem estamos a ajudar para melhor se coordenar o trabalho. Isto até a nível das paróquias da cidade". O sacerdote destaca ainda que estas "são pessoas que não insistem, não procuram ninguém e que vivem uma pobreza envergonhada porque não se querem expor". "Por isso é que vamos a casa levar estas ajudas", justifica. Em relação à adesão dos jovens ao projecto, o pároco afirma que essa "foi a maior surpresa" da sua vida como pároco de S. Pedro. "Tem sido um sinal de Deus que toca nos mais novos e eles sentem mesmo uma alegria enorme de estar disponíveis para dar apoio aos que mais necessitam. Eu fiquei impressionado com a adesão dos mais jovens a esta dimensão sócio-caritativa. Vê-se que, no fundo, não estão fora da realidade. Gostaria também de acrescentar que isto acontece porque eles foram formados em valores humanos", considerou. Jovens integram o serviço aos mais pobres Sandra Sousa é uma dos jovens que aderiram já há algum tempo ao projecto. Ela, catequista, acabou por ser responsável pela vinda de outros jovens, seus catequizandos, para o grupo de trabalho. “Fiz-lhes a proposta, dizendo-lhes que havia este serviço na paróquia e alguns aderiram”, explica. Teresa Casinha, com 16 anos é uma dessas jovens e afirma ter tido curiosidade em experimentar o trabalho. “É bom saber que depois deste trabalho as pessoas sorriem e ficam contentes. Acho que este trabalho da paróquia é bom e deveria continuar, pois é um gesto bonito”, refere. Márcia Santos e Catarina Gabadinho, ambas com 16 anos, consideram que “é uma grande recompensa”. “Depois de todo o trabalho que temos, podermos chegar à casa das pessoas e sermos recebidos de uma maneira tão carinhosa, é muito bom e torna-se gratificante ajudá-las”, explicam. “Pelo que nos conseguimos aperceber estas pessoas têm fé em Deus e essa fé ajuda-as a superar as dificuldades. Este trabalho da paróquia é muito importante e enriquecedor. Não o conhecíamos, antes de integrarmos o grupo”, afirmam. Novas respostas a novas necessidades Este projecto paroquial estendeu-se há pouco tempo à comunidade do Patacão, assegurando por enquanto a paróquia, o apoio a mais 10 famílias daquela área. Mariana Santos explicou que este alargamento foi sugestão do pároco e espera agora que se organize também ali uma Liga de Amigos. “Caso contrário não temos fundos suficientes para fazer face às duas realidades”, explicou. Uma nova valência deste serviço prende-se com o combate à solidão. Conforme esclarece Mariana Santos, “há pessoas que embora não sejam muito necessitadas de bens materiais, vivem absolutamente sozinhas e precisam muito de companhia para conversar e desabafar os seus problemas e, às vezes, até para lhes fazer recados ou para aconselhamento legal”. “Temos já neste momento 3 grupos que prestam esse serviço”, salienta.