Debaixo de uma intensa tarde de calor, que às 15 horas se fazia sentir de maneira marcante, os peregrinos, depois de concentrados na igreja de São Sebastião, puseram-se corajosamente à estrada e rumaram ao Santuário mariano sobranceiro à cidade louletana. Vindas de vários pontos do Algarve, as famílias, carregando a cruz de Jesus, percorreram colina acima as 14 estações da Via Lucis (Via da Luz), que procuraram fazer memória de vários episódios da vida de Cristo e, simultaneamente, ajudar a “iluminar” tantas circunstâncias da vida familiar diária. Promovida pelos diversos movimentos, sectores diocesanos e paróquias, a Via Lucis procurou constituir sobretudo um sinal visível de comunhão das diversas expressões da diocese do Algarve e de testemunho de fé, de pais para filhos, de avós para netos, de geração para geração, simbolicamente representado no esforço implementado para chegar até ao cimo do Santuário. Na homilia da celebração da Eucaristia que deu sequência à caminhada realizada, o Bispo do Algarve sublinhou de forma especial o sentido da defesa da vida, a importância da transmissão da fé e da celebração do Domingo. D. Manuel Neto Quintas começou por lembrar que a vida “constitui para todos um imperativo para ser defendida, promovida, dignificada em todas as idades e circunstâncias”. “O facto de a vida ser dom de Deus exige-nos que sejamos servidores da vida. Da nossa e da dos outros”, afirmou o Bispo diocesano, exortando a que a vida seja vivida “de modo, não isolado no individualismo, mas de modo corresponsável e fraterno”. “Ou seja em comunhão de amor uns com os outros”, complementou. D. Manuel Quintas sublinhou a posição da Igreja perante a defesa da vida. “Não peçam à Igreja que, alguma vez e em qualquer circunstância, seja contra a vida porque se o fizer será infiel à sua natureza e missão”, justificou, considerando que a defesa da vida como “uma responsabilidade eclesial que exige a acção concertada e generosa de todos os membros e estruturas da comunidade cristã”. “A paternidade e a maternidade da família são a primeira expressão desse serviço da vida”, afirmou o Prelado às famílias que encheram por completo a igreja daquele Santuário, o de maior expressão mariana no Algarve. Recordando o tema do 5º Encontro Mundial das Famílias em Valência, de 1 a 9 de Julho próximo, o Bispo do Algarve destacou a família como garantia da transmissão da fé. “A família cristã, enquanto Igreja doméstica participa na realização desta missão em virtude do Sacramento do Matrimónio e do Baptismo dos pais e dos filhos”, afirmou D. Manuel Quintas, acrescentando que, “enquanto geradora dos filhos, a família tem a missão insubstituivel de transmitir-lhes o projecto de Salvação de Deus, consumado por Cristo com a sua ascensão aos céus”. “Os pais constituem para os seus filhos os primeiros transmissores da fé, acolhida, celebrada e testemunhada. Transmissão da fé realizada, não de modo autónomo, mas em íntima relação com a própria comunidade paroquial, espaço natural de aprofundamento, confirmação e celebração da fé transmitida”, salientou o Bispo do Algarve. Para a consecussão destes dois objectivos – defesa da vida e transmissão da fé – o Prelado aponta às famílias algarvias o caminho do crescimento na “espiritualidade familiar, como uma espiritualidade de comunhão”, através de momentos de “convívio familiar, de diálogo sereno, de escuta e partilha da Palavra de Deus e da oração em família, da procura comum de respostas aos apelos de Deus”. D. Manuel Quintas destacou ainda o Domingo como “o tempo priviligiado para a construção familiar como realidade de comunhão”. “Sendo o dia da Igreja, o Domingo é também o dia da família em que, à volta da Eucaristia, são purificados e reforçados os laços de amor e unidade”, salientou o Bispo do Algarve, caracterizando o primeiro dia da semana como “o dia do repouso, da alegria, da celebração de aniversários, do convívio, do diálogo, da solidariedade com os parentes doentes ou mais idosos, com as famílias em dificuldades”. “A sua celebração – considerou o Bispo do Algarve – será para a família uma fonte de permanente renovação do amor que impedirá o desgaste, o desencanto e o cansaço a que poderá estar sujeita a vida conjugal e familiar”. Um dos momentos significativos desta iniciativa do Sector Diocesano da Pastoral Familiar aconteceu também na Eucaristia quando uma criança se dirigiu ao altar para colocar flores “símbolo de todas as crianças a quem é vedado o direito à vida”. Trazidos ao altar eucarístico foram também os idosos, por que se pediu “mais respeito” para que se “sintam mais felizes e não se lhes proporcione uma morte antecipada”. Qual o sentido e a importância da vossa participação nesta Peregrinação Diocesana das Famílias? Família Fonseca Movimento do Caminho NeocatecumenalParóquia de N. Sra. da Conceição (Matriz) de Portimão “Vivemos isto integrado na questão de toda a problemática da família e também para percebermos a importância de transmitir a fé aos filhos, por isso é que nós os trouxemos. É uma forma de tomarmos consciência dessa necessidade que é vital para o crescimento e felicidade deles. É também um meio de percebermos o sentido de Jesus Cristo no seio da nossa família, Ele que nos tem ajudado como casal a ultrapassar as dificuldades da vida. Surge na sequência do nosso projecto familiar de transmissão da fé aos filhos, no qual nós também vamos crescendo”. Família Santos Paroquianos de S. Clemente de Loulé “Estamos pouco tempo juntos porque, durante a semana, saímos de casa de manhã cedo e cada um segue o seu rumo tendo em conta as diferentes ocupações e trabalhos que temos. À noite também estamos pouco tempo reunidos. Ao fim-de-semana, quando há oportunidade, estamos juntos e aproveitamos para sair em família. A nossa intenção é também transmitir a fé aos filhos, consoante os nossos pais nos ensinaram, procurando que eles sigam as nossas pégadas”.