Em Fátima, centenas de milhares de peregrinos, há quem fale em meio milhão e seguramente foram pelo menos trezentos mil, celebraram os noventa anos da primeira aparição de Nossa Senhora aos pastorinhos e o quadragéssimo aniversário da peregrinação do Papa Paulo VI, que veio a Fátima em 1967 como "peregrino dos peregrinos", naquela que foi a primeira visita de um sucessor de Pedro a Portugal, enquanto que no Santuário de Nossa Senhora Aparecida foi inaugurada a V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe. O Santo Padre esteve pessoalmente presente em Aparecida e fez-se representar em Fátima pelo decano do Colégio dos Cardeais e Secretário de Estado Emérito da Santa Sé, Cardeal Angelo Sodano. Porém, mesmo em Aparecida, presidindo à abertura de uma tão importante assembleia episcopal, Bento XVI não esqueceu Fátima e referiu-se a ela como "a mais profética das aparições modernas". A razão da importância profética das aparições de Fátima, é afinal muito simples e tem a ver com a nossa conversão, tal como referiu em Fátima o Cardeal Sodano: "Maria sabe que está em risco a salvação eterna dos seus filhos e, por isso, repete o apelo de Jesus: "Arrependei-vos e acreditai no Evangelho" Mc 1,15." Referindo-se em particular à nossa velha Europa, o legado pontifício reconheceu que "nos nossos países, está em curso uma apostasia sub-repticia, que não pode deixar-nos indiferentes", pois "muitos se afastam da casa do Pai". De facto, vimos notando uma grande peocupação, comum a muitos pastores da Igreja, com a nossa Europa, onde alguns procuram construir uma sociedade consumista, secularizada e laicizada, esvaziada de referências éticas e de valores morais, corrompida pelo relativismo e pelo hedonismo, onde a vivência religiosa perde força. A Europa carece assim de uma nova evangelização, centrada não somente na apresentação dos valores cristãos da justiça e da paz, da liberdade e da fraternidade, da solidariedade e do bem comum, mas que realize o anúncio expresso e claro de Jesus Cristo como manifestação máxima e definitiva do amor de Deus e único salvador do mundo. Neste contexto, o Cardeal Sodano confiou à Virgem Maria "os destinos dos homens e dos povos do nosso continente, enquanto nos comprometemos a colocar novamente no coração da nossa sociedade aquele fermento do Evangelho que permeou a sua história ao longo dos séculos". Europa e América Latina, dois importantes continentes para a difusão do Evangelho em toda a terra, unidos em 13 de Maio por Maria e pelos Apóstolos do nosso tempo. Em vésperas do Pentecostes, como que nos sentimos regressar ao Cenáculo, onde os díscipulos esperaram "unidos em oração com Maria, Mãe de Jesus" a manifeatação do Espírito Santo.