Certamente que o Espírito Santo tinha já os seus planos e desde logo começava a preparar o coração do novo bispo para o povo das ilhas que lhe estava destinado pastorear. Quando no dia 8 de Março, festa litúrgica de S. João de Deus, um Santo português, natural de Montemor-o-Novo, no Sul de Portugal, se tornou pública e oficial a identidade do novo bispo do Funchal, a alegria e a esperança suscitadas por esta eleição não se restringiu somente à Diocese da Madeira (que o diga nosso antigo Director Diácono Joaquim Mendes Marques que por razões familiares agora vive no Funchal), mas foi igualmente grande em várias outras Dioceses às quais o novo bispo do Funchal está ligado por fortes laços que estreitou ao longo da sua vida. Desde logo a Diocese do Porto, onde D. António José ainda se encontra como Bispo Auxiliar, que foi durante oito intensos anos de árduo e criativo trabalho. Quem lê frequentemente a Voz Portucalense pode ter a noção aproximada das inúmeras actividades apostólicas e do grande dinamismo pastoral aí desenvolvidos pelo novo Bispo do Funchal: Vigário Geral, coordenador diocesano da Pastoral da Família e dos Leigos, da Educação Cristã e do Conselho Diocesano de Pastoral, percorreu aquela grande e populosa Diocese em incontáveis e fatigantes visitas pastorais, onde crismou milhares de jovens e adultos. Também em Lisboa, onde viveu longos anos ao serviço da Conferência Episcopal, de que foi Director do Secretariado Geral, depois de ter sido Director do Secretariado Nacional da Educação Cristã e assistente espiritual de vários Movimentos, foram muitos os admiradores de D. António Carrilho a juntar-se ao júbilo por esta importante e muito significativa escolha do Santo Padre. Essa alegria não foi contudo menor no Algarve, onde D. António tem as suas raízes mais antigas, onde tem a sua família, os seus irmãos e sobrinhos, a cidade de Loulé que o viu nascer, o Santuário da Mãe Soberana de cujo culto tem sido em nossos dias, antes e depois de ser bispo, um dos maiores entusiastas e impulsionadores. Apesar de fisicamente ausente do Algarve desde há muitos anos, ninguém esquece os relevantes serviços que prestou à sua Diocese de origem antes de rumar a Lisboa, como Vigário Episcopal para a Pastoral, Director Espiritual do Seminário de São José, Assistente Diocesano dos Cursos de Cristandade, Pároco da Conceição de Faro, de tal modo que em 1996 foi muito justamente designado Cónego da Sé Catedral de Faro. Em Março do ano passado a delegação do Algarve que se deslocou a Braga para participar na Semana Social, teve a oportunidade de se encontrar com o Senhor D. António Carrilho que, na sua qualidade de Presidente da Comissão Episcopal do Laicado e Família, foi um dos principais organizadores daquelas jornadas. Transmiti-lhe então o quanto gostaría de o ver mais vezes pelo Algarve, não só para nos visitar e incentivar, mas também para partilhar connosco os ideais comuns, ao que o novo Bispo do Funchal simpáticamente me respondeu que " nós (os bispos) somos de onde estamos". Tem plena razão o Senhor D. António. Os bispos pertencem àquela porção do povo de Deus que lhes é confiada e essa é agora a Igreja da Madeira, uma Diocese insular, uma Região Autónoma, uma Diocese marítima e onde predomina a actividade turística e o sector terciário tal como no Algarve. Uma Diocese que muito espera da acção do seu novo pastor, para que possam continuar a louvar ao Senhor "o mar e tudo o que nele existe… as ilhas e seus habitantes".