Maria, Mãe de Jesus, foi também sua Discípula, sua seguidora, fazendo parte do grupo de mulheres que seguiram Jesus e o acompanharam da Galileia até Jerusalém. S. João no seu Evangelho diz-nos que depois dos acontecimentos que ficaram conhecidos como as “Bodas de Caná”, sua mãe desceu com Ele para Cafarnaum (Jo 2,12) e o mesmo evangelista testemunha a presença de Maria, juntamente com outras mulheres, junto à cruz de Jesus (Jo 19,25). Por estas duas passagens joaninas, situadas uma no princípio e outra no fim da vida pública de Jesus, vemos como Maria fez efectivamente parte do grupo dos discípulos e das discípulas de Jesus, assumindo-se ela mesma como discípula, não “meramente” por causa da sua condição de mãe humana do Mestre, mas sobretudo por uma atitude de fé. Uma atitude crente e orante. Ela fez parte daquele círculo de mulheres, de onde saiu Maria Madalena, a primeira testemunha da Ressurreição. Foi justamente a esse pequeno grupo feminino de seguidoras de Jesus que Maria transmitiu os pormenores da vida de Nazaré, que mais tarde Lucas recolheu no seu Evangelho e que conhecemos como o “Evangelho da Infância”. Só Ela os poderia conhecer tão íntima e profundamente. Só Ela os poderia transmitir com tamanha exactidão e sobretudo confidenciar os seus próprios “estados de alma”: “A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador”! Por isso dizemos, sem favor, que Ela é a primeira e a maior Catequista da história, modelo de todos os catequistas, porque Ela “guardava todos os acontecimentos, meditando-os em seu coração”. Ela interiorizava, meditava, saboreava, aprofundava a Palavra de Deus e todos os acontecimentos da História da Salvação. Significa isto que Maria praticava a escuta orante da Palavra de Deus, para melhor poder compreender os acontecimentos da vida. É exactamente do auxílio desta discípula, desta evangelizadora, desta missionária, desta catequista do primeiro século e de todos os séculos, que nesta hora nós, os cristãos do Algarve destes primórdios do século XXI – os primeiros discípulos do Terceiro Milénio – precisamos, para nos podermos converter de meros ouvintes da Palavra de Deus em verdadeiros discípulos, discípulos que vivam da escuta e para a escuta da Palavra de Deus. Maria, a Virgem Peregrina de Fátima, vai a partir de sábado e durante dois anos percorrer todas as comunidades cristãs do Algarve, onde é muito amada e venerada. Muitas delas são-lhe mesmo dedicadas. Aliás, é algo de comovente e permanente na História da Igreja, desde as primeiras comunidades até aos dias de hoje, o amor e a veneração dos cristãos por Maria, uma amor e uma veneração que brotam de modo espontâneo e natural, quantas vezes contrariado pelos pastores, com receio de secundarizar o mistério de Cristo. Mas de facto, o que a vida, a história e a experiência têm mostrado, para surpresa e espanto de muitos, é que Maria é o melhor, mais certo e seguro caminho para Cristo. Sempre foi assim e assim continuará a ser. Por isso foi sábia a opção pastoral do Bispo do Algarve em pedir a presença entre nós da Virgem Peregrina de Fátima durante dois anos, para que seja Ela a evangelizar o Algarve, para que com Ela aprendamos e dela escutemos de novo: “Fazei o que Ele vos disser”.