De 13 a 20 de Maio decorre a Semana da Vida, iniciativa lançada em 1991 pelo Papa João Paulo II e que em Portugal foi assumida pela Comissão Episcopal da Famíla desde 1994. Este ano, o tema geral é a "felicidade humana – preocupação de Deus", mas mais do que este tema, não podemos esquecer o recente combate que se travou em defesa da vida humana em redor do referendo do aborto, o que torna ainda mais evidente a premência desta temática, face à demissão a que assistimos entre tantos que se dizem cristãos e que optaram por não desagradar ao pensamento dominante, apenas para não "perderem votos" em próximas lides eleitorais, pessoas (políticos) que tinham a obrigação de ter feito muito mais e que preferiram adoptar o modelo de Pilatos, com posturas meramente formais, numa tentativa de agradar a gregos e troianos. É preciso ter a coragem de denunciar aberta e claramente que todos aqueles que defendem ou pelo menos toleram práticas de aborto, eutanásia, consumo legal de drogas e tantas outras condutas do género, se colocam completamente à margem dos valores do Evangelho e por muito que digam o contrário, com conversinhas piegas e hipócritas, essas pessoas se posicionam contra Deus e contra o homem. Não podemos abrandar na tarefa pedagógica de transmitir a todos os que nos queiram ouvir os valores da vida, mesmo que esse discurso possa incomodar alguns, por mais importantes que eles sejam, sejam eles governantes, deputados, autarcas, catedráticos, jornalistas, empresários, médicos, juristas, enfim os líderes de opinião, que quando abrem a boca, parecem os donos da verdade. Temos de continuar a incomodar e a interpelar, porque o problema não está no povo, está nos líderes de opinião… O combate da vida é o combate do futuro, é um combate de civilização. Não se resolve com um referendozinho, nem sequer é uma questão de votos! A vida humana não está nem pode estar à disposição das maiorias conjunturais ou das minorias iluminadas. A vida é dom de Deus e tem de ser acolhida, promovida e defendida, desde a concepção até à morte natural. Quem não pensa assim coloca-se completamente fora dos valores do Evangelho e pior do que isso, coloca-se contra o Evangelho. Na recente campanha do aborto, os nossos bispos afirmaram que o voto honesto era o voto "não". Em reacção, houve um político que veio alegar que todo o voto era honesto, fosse sim ou fosse não. Os recentes episódios em torno do caso da Universidade Independente vieram revelar o grau de honestidade intelectual desse indivíduo. Os líderes de opinião e mais do que isso os líderes políticos de Portugal chegaram ao nível mais baixo que se poderia imaginar… Temos de ser nós, sem eles e se necessário contra eles, a levar para a frente os valores do Evangelho, os valores da vida, por muito que isso seja fracturante.