Acentuam-se cada vez mais as assimetrias neste nosso país «à beira mar plantado». Por um lado, há gente a viver mais que bem, a viver faustosamente, e pelo outro há gente com todas as carências, sem quaisquer condições para uma vida humana digna. A par da fome e da miséria visíveis existem ainda dramas invisíveis decorrentes de situações de chamada pobreza envergonhada. Infelizmente, as estatísticas não contabilizam, nem podem contabilizar todos esses casos, franjas imensas da nossa sociedade… É certo que existem algumas instituições, a maioria delas, de inspiração cristã que procuram minimizar algumas destas situações, contudo, o problema é tão vasto que apesar de todos os esforços, apesar de toda a boa vontade das instituições referidas, jamais poderá ser resolvido. Perante a magnitude do problema, só o poder político lhe poderá dar cabal solução. É pena que, por vezes, tantos dinheiros públicos sejam esbanjados em obras porventura de fachada, enquanto outras de cariz social sejam esquecidas ou relegadas para planos muito secundários. Por isso, só quando a consciência dos políticos que nos governam se interessarem, de facto, por este magno problema, só então poderão ser tomadas as medidas certas e eficazes que possam conduzir à verdadeira solução do problema.